Comece A Correr

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PARTE II

Capitulo 5

Em pouco tempo estou onde ontem foi a fogueira, não paro de correr, mas consigo ver as cinzas da fogueira e as muitas latas de cerveja jogadas pelo chão. Continuo correndo ignorando as dores que ainda sinto pelo corpo e os tropeços no meio do caminho que todas as vezes que penso que vou cair me mantenho em pé, um passo na frente do outro.
Corro, corro até não conseguir respirar, até minha pernas tremerem e eu desabar no chão enxugando as lagrimas que molha todo o meu rosto. Retiro os fones de ouvido e o silencio toma conta de mim, fazendo o que eu me sinta ainda mais sozinha e desamparada, mesmo assim não os coloco de volta, quero ouvir os sons da natureza, sentir o vento no meu rosto, a tranquilidade que isso trás e que de alguma maneira preenchesse o vazio que sinto.
Estou suada, com sede e sem coragem pra voltar para casa mesmo querendo isso desesperadamente, levanto, tiro a terra da roupa e volta a correr, o que não dura muito tempo porque sou levada ao chão bruscamente depois de pular um barranco que não vi e cair sem conseguir me segurar, quando paro estou a alguns metros de onde estava, mas pareceu uma eternidade chegar até lá em baixo.
Eu não conheço aquela parte da floresta e como estava correndo não percebi por onde estava indo, está silencioso demais para estar perto da estrada ou da cachoeira, o único modo é volta para onde estava, subir o morro, mesmo não sendo alto é muito incline e não tem nada em que eu possa segurar, eu teria que procurar outro lugar pra subir, nunca fui muito boa em escalar, não conseguia nem subir em árvores quando era criança.
Começo a caminhar junto ao barranco, só que fica ainda mais alto, não quero desistir, quero subir, voltar pra casa e tomar um banho quente, com certeza eu estou tendo uma semana bem ruim. Depois de dez minutos de caminhada tudo o que eu quero é um gole de água gelada e descansar um pouco.
O meu orgulho não me deixa ligar para minha mãe e pedir ajuda e eu sei que posso conseguir sozinha, sempre tomei conta de mim e é assim que eu vou continuar, mesmo que leve mais tempo do que o esperado. Olho ao redor tudo o que eu vejo são árvores e mais árvores iguais às que eu via lá em cima.
Deve ter se passado quase uma hora deste que sai de casa, olho no celular e tenho a confirmação, começo passar pelos meus contatos e paro no nome do Bill, não pensei em ligar para ele, mas me lembro de quando caminhávamos juntos, normalmente ele corria e eu ia atrás tentando acompanha-lo, ele que me fez criar o habito de correr deste antes de namorarmos, sempre sorrindo e confiante, como eu tive coragem de terminar com ele de forma tão fria sem dar nenhuma explicação, mas qual explicação eu daria? Se a única era que eu nunca o amei.
Me lembro do GPS no celular, me sinto tão feliz e boba por não ter pensado nisso antes que levo um tempo até ligar ele, mas ouço um barulho estranho perto de mim, como o de galhos sendo quebrados, não havia sido eu, estou parada e quase sem respirar agora, ouço outro barulho ainda mais perto e está se aproximando, faço a única coisa lógica, saiu correndo sem ver para onde estou indo, simplesmente corro pulando pedras e troncos de árvores caídos, ainda posso ouvir galhos se quebrando, só não sabia agora se sou eu ou outra coisa, desejei desesperadamente que fosse eu.
Minha respiração fica ainda mais ofegante a medida que corro até não conseguir mais respirar e sou forçada a parar se não cairia desmaiada, e de repente tudo fica em silencio, tento recuperar o folego e começo a rir. Consegui ficar ainda mais perdida, como isso foi possível? Com certeza não devia ter saído de casa hoje.
Finalmente deixo o orgulho de lado e então pego o celular para ligar para minha mãe e aperto pra chamar, ainda não sabia como ou o que exatamente iria falar, mas alguma coisa ia sair na hora, falaria que me perdi na mata e não conseguia achar o caminho, mas como ela poderia me achar? De qualquer jeito é melhor eu usar o GPS e disser para ela que ainda vou demorar um pouco para chegar em casa, toca a primeira vez, toca a segunda e ela atende.
- Alô?- diz com a voz preocupada.
Não posso responder porque tem uma mão cobrindo a minha boca e sou imobilizada enquanto meu celular cai no chão, mas a ligação não desliga e posso a ouvir a voz aflita da minha mãe pelo telefone.
- Melanie, aonde você está? - não consigo me mover - Agora pode voltar, não tem policiais em casa. Mel? - ela está chorando - Me desculpe por ter gritado com você, por não estar sempre presente, Mel, você está me ouvindo? - sim mãe estou, é o que eu queria responder a ela, mas não conseguia - Estou te esperando em casa, nós vamos conversar e resolver tudo. Filha eu te amo mais do que tudo nessa vida. - agora eu que estou chorando e então ela desliga.
De costa com o meu agressor, tento reagir, usar as manobras de defesa pessoal que aprendi ano passado e que nunca usei, até agora, mas tudo o que eu consigo é que me aperte ainda mais, então faço algo que não aprendi nas aulas de defesa pessoal, mas que fazia quando era criança e minha mãe queria me bater o que era quase sempre, nunca fui uma boa menina, que sempre funcionava e que não precisava usar a força que eu não tinha, nem antes e nem agora, me jogo no chão, isso faz com que quem esteja me prendendo me solte tempo o suficiente para me virar e dar de cara com o Willian.
- Eu não avisei para ficar longe de mim - ele usava as mesmas botas e jeans preta do dia da fogueira, mas está sem a jaqueta e com uma camiseta branca exageradamente apertada.
- Foi você que correu atrás de mim, seu maluco, psicopata - levanto, e pego o celular e em seguida me afasto dele devagar.
- Talvez - disse ele se aproximando.
- Agora sou eu que quero que você fique longe de mim - continuo me afastando para trás.
- Ah, mas estava tão bom o seu desejo louco e obsessivo por mim - diz com um sorriso de cafajeste.
- Você que está louco, fique longe de mim.
- Se não o que? Vai gritar? - ele abre os braços e olha em volta. - não tem ninguém por perto, só os animais selvagens.
- Eu não vou gritar, eu vou correr - começo a correr, sei que ele está perto e só não me alcançou ainda porque quer brincar de gato e rato comigo.
- Você não vai conseguir ir muito longe - diz ele atrás de mim, não respondo e continuo correndo.
Sinto galhos das árvores arranharem meu rosto e meus braços nus, não me incomodo e continuo a correr, não sei para onde estou indo ou se vou conseguir chegar a algum lugar, provavelmente não e já estou muito cansada pra ir muito longe, pensar no que iria acontecer comigo é assustador, ser perseguida por um assassino, fugitivo e certamente um maluco entra pra minha lista de piores momento da minha vida e essa lista é grande.
Ao longe consigo ouvir o som de água, a cachoeira devia estar perto, se eu conseguisse chegar até lá, poderia encontrar a estrada e teria, mesmo que pequena, uma chance de escapar, só não conseguia saber exatamente aonde estou, então continuo correndo até ser puxada para trás e ser segurada pelo braço a beira do penhasco com a cachoeira do meu lado, olho para baixo ainda sendo segurada e vejo que eu teria morrido se tivesse continuado a correr, teria caído e batido nas pedras, mas não cai porque o cara que está tentando me matar acabou de me salvar.
- Eu preciso de você viva, Melanie. - diz ele me afastando da beira do penhasco, mas me deixando por perto, perto demais dele.
-Pra poder me matar? - digo, mas minha voz sai como se fosse um sussurro sufocado.
- Não, para você poder me salvar - ele começa a me puxar.
- O que você quer comigo? - paro e ele aperta meu braço tentando me arrastar para longe do penhasco.
-Anda, vamos! - Ordena ele.
- Vamos aonde? Eu não vou a lugar nenhum com você - digo determinada.
- Ok! Você decidi, vem comigo ou pode dar um passo para trás - diz ele cruzando os braços sob o peito.
Um passo para trás significa cai do penhasco e ter uma morte horrível, mas será que ir com ele é melhor do que pular, eu nunca conseguiria pular sem atingir as pedras, é impossível fugir agora, eu teria que escolher morrer agora ou morrer mais tarde.
- Então, o que você vai querer? - diz como se estivesse me dado uma escolha.
Willian me arrasta floresta a dentro, andamos por mais quinze minutos com ele ao meu lado segurando forte o meu braço. Eu estou cansada e não sei aonde estou, meu celular caiu enquanto eu corria dele, o que foi uma coisa que eu fiz muito hoje, correr e correr.
Quando penso que não conseguiria dar mais nenhum passo, paramos em frente a uma pequena cabana, coberta de ramos de folhas e poeira, não havia nada que sinalizasse haver uma residência ali, a porta é só um pedaço de madeira velha, toda a cabana é um monte de madeira velha, a janela é só um buraco na parede.
- Que lugar é esse? - pergunto desconfiada.
- Cala a boca e entra.
Como eu sei que resistir não vai adiantar nada, entro. Do lado de dentro mais coisas velhas, uma mesa quebrada com três cadeiras cobertas de poeira, um imenso armário de madeira e um sofá rasgado que eu posso apostar que tem algum animal morando lá dentro.
- É nesse lixo que você se esconde? - pergunto tapando o nariz, o odor de mofo e poeira é insuportável.
- Esse lixo é uma cabana que foi usada durante a guerra como refúgio para soldados.
- E que agora serve como esconderijo para assassinos? - o enfrento.
- Primeiro eu não sou assassino e segundo eu não moro aqui, eu moro ali - ele aponta para o grande armário de madeira.
- Ah, entende, é tipo um portal secreto para Nárnia - ironizo e ele se aproxima do armário.
- É um armário, não um guarda roupa.
- Não parece ter muito espaço ai dentro.
- Não dentro - ele pega uma corda de dentro do armário e me amarra entre duas madeiras soltas da parede- só pra garantir que você não vai fazer nenhuma besteira- diz quando termina de me amarrar.
Willian se abaixa em frente ao armário e retira um pedaço de madeira solta do chão, em seguida puxa um ferro de onde estava a madeira e então levanta revelando um grande buraco quadrado no chão e uma escada.
- É em baixo - completa ele.
- Eu não vou entrar ai!- grito e começo a puxar a corda que só faz meus pulsos arderem.
- Você ainda não entendeu que não tem escolha, você vai fazer o que eu mandar.
- Você vai me matar como matou aquele garoto?
Willian não responde, me arrasta para dentro do armário velho, descemos a escada um pouco até ele fechar a porta de cima e tudo ficar escuro, quando terminamos de descer a escada estreita ele abre uma outra porta e acende uma lâmpada e tudo se ilumina.
Quando minha visão finalmente se acostuma outra vez com a luz posso ver o lugar, é fechado e a única saída possível é a que eu acabei de entrar, tem uma porta do meu lado direito, mas não acredito que seja uma saída e está fechada, o lugar foi muito bem mobilhando, apesar de só ter um cômodo, se via a divisão da cozinha no fundo com pia, armário, fogão e uma geladeira velha, uma mesa com duas cadeiras perto de mim, do outro lado uma cama de casal com uma mochila e papeis em cima e uma poltrona na frente. Como tudo aquilo foi parar ali? Como nunca soube dessa cabana? O que aconteceria agora?
Solto a respiração depois de um tempo, esperava encontrar ali um lugar totalmente diferente, com correntes e corpos pendurados com sangue escorrendo ou dentro de sacos plásticos preto, não havia poeira nem mofo, é tudo muito limpo e organizado.
- Não se preocupe - me assusto quando ouço sua voz que saiu alta demais lá embaixo que me faz afastar dele - Eu não vou fazer nenhum mal a você- diz ele levantando as duas mãos, ele parecia outra pessoa.
- Então o que você quer comigo? - pergunto ainda me mantendo afastada.
- Eu estava pensando em como iria fugir, tem policiais fechando todas as saídas da cidade, então você apareceu, você será meu passe livre, minha forma de sair daqui.
- Por que você veio logo pra cá, pra essa cidade que é no fim do mundo.
- Exatamente porque é no fim do mundo, escondida e essa cabana nem está no mapa, ela não pertence a ninguém e também ouvir dizer que aqui é uma cidade muito hospitaleira.
- Quem te disse isso? - Já havia ouvido isso ainda, mas não conseguia me lembrar de quem.
- Um velho amigo - diz com um tom de tristeza.
- Pelo jeito não é tão escondida, eles te acharam - me refiro aos policiais.
- É, isso eu devo a você.
- A mim? - o encaro e com a luz da lâmpada consigo ver seus olhos, são azuis, profundos e misteriosos como o anoitecer.
- É, você e sua seguidora, a garota estranha de óculos que anda com você - Rose, com certeza - ela começou uma pesquisa sobre mim e tentou invadir os arquivos da polícia de Montcity pelo computador o que os levou até aqui.
- E qual é o seu plano, me deixar aqui até morrer, porque eu duvido que consiga algum dinheiro com o meu resgate, minha mãe provavelmente nem percebeu que eu fui sequestrada.
- Mas uma hora ela vai notar e é por isso - ele tira um objeto de dentro da jaqueta, que eu reconheço como o meu celular - que eu desliguei o rastreador do seu celular, você pode ficar ali, na poltrona- ele aponta para o que seria uma poltrona que daria muito certo na casa da minha avó.
A poltrona é azul com listras amarelas, não parece ser nova, acho que é o móvel mais velho daqui. Fico parada enquanto Willian desamarra a corda do meu pulso e se vira para trancar a porta pela qual acabamos de entrar e depois se dirige a cama. Relutei por um tempo, mas aquela poltrona azul com listras amarelas parecia tão confortável e chamativa, e eu estou tão cansada e minha cabeça parecia que ia explodir a qualquer momento, que caminho até ela e me sento, também estou suja e suada, mas vendo a minha situação esses são os menores dos meus problemas.
Willian mexe em uns papeis que estão dentro de sua mochila, depois passa para a mala que está no chão, parece irritado, mas parece estar mais cansado e confuso, coloca as mãos na cabeça como se esperasse por uma resposta que ele sabia que não viria. Está sempre atento, vira toda vez que me mexo na poltrona e me encara por um segundo depois volta ao que estava fazendo.
- Eu posso te fazer uma pergunta? - digo tentando parecer calma, mas minha voz sai tremula, ele se senta na cama e apoia os cotovelos nas pernas, recebo isso como um sim - Você matou aquele garoto?
- Que diferença isso faz? - diz calmo com a cabeça abaixada.
- Faz toda diferença para mim, afinal, você me sequestrou.
-Você não acreditaria em nenhuma palavra que saísse da minha boca.
- Por que? - pergunto.
- Por quê? Porque você vive em uma vidinha perfeita, que sempre teve tudo o que queria, que acredita em contos de fadas, que não conhece a realidade. Eu passei por muita coisa nessa vida - ele se levanta, mas não se aproxima de mim - eu passei a minha vida sendo humilhado por pessoas como você - ele agora gritava - mesquinhas, mimadas, superficiais e egoístas.
Eu nunca deixei que ninguém falasse assim comigo e não seria agora que deixaria, mesmo que isso pudesse complicar ainda mais a minha situação que já está bastante complicada, caso não tenha percebido, sempre tem como piorar, eu me levanto, junto toda coragem que eu tenho, junto com toda a raiva e falo, não, eu grito.
- Você não me conhece e não tem o direito de falar comigo assim, eu não tenho culpa do que aconteceu com você e você está errado seu garoto idiota, estupido e arrogante, a minha vida não é perfeita - me aproximo dele, achei que fosse chorar, mas a raiva não deixou que nenhuma lagrima caísse - Ela já foi perfeita numa época que eu ainda acreditava em contos de fadas, mas acabou, se você passou por muita coisa ruim, eu também passei e nem por isso eu matei alguém.
- Eu não matei ninguém! - grita ele, estávamos a alguns centímetros um do outro.
- Você tem razão, eu não acredito em nenhuma palavra que sai da sua boca.
Naquele momento eu pensei que seria o meu fim, que ele me mataria ali mesmo, que acabaria em um saco plástico preto, ele se aproxima mais um pouco, seus olhos pareciam de um animal selvagem, não tinha pra onde fugir, fecho os olhos e prendo a respiração.
- Me desculpe - foi o que ele disse, quando abro os olhos ele caminha até onde seria a cozinha, abre a geladeira e tira uma garrafa d'agua de dentro e depois pega um copo de vidro no armário. - Água?- pergunta ele
Queria dizer não, estou furiosa e provavelmente ficando maluca, mas aceito porque estou morrendo de sede. Bebo toda água do copo de uma só vez sem parar para respirar. Willian faz o mesmo e depois passa por mim e vai para cama, coloco o copo na mesa e volto pra poltrona. Passa muito tempo deste que nos sentamos e tudo é silencio, então Willian se levanta.
- Eu tenho que fazer uma coisa, não demoro - me levanto num pulo.
- O que você vai fazer?
- Não é da sua conta - abaixo a cabeça - Eu não demoro - repete e sai trancando a porta, me deixando sozinha e isso é ótimo.
Com a sua ausência tenho a chance de explorar o esconderijo e achar alguma falha na segurança que me permita fugir, o ar lá em baixo é frio, tenho que achar por onde está entrando esse ar, vou até a porta que está fechada e a abro, lá é o banheiro, limpo, com um chuveiro, uma pia com sabonete, creme dental e escova de dente, e uma toalha pendurada, mas nenhuma saída, o que tinha era um pequeno buraco de aproximadamente dez centímetro nos quatro cantos do teto, que deixa uma luz fraca passar, aproveito jogo um pouco de água no rosto para que pudesse clarear um pouco os meus pensamentos, a água está fria, mas é reconfortante.
Eu consigo sentir uma corrente de ar fria, mas não consigo saber por onde está entrando, vasculho os papeis que Willian estava mexendo a pouco tempo atrás, são mapas da cidade e das cidades vizinhas e fotos de todo o canto da cidade, da pensão do Vale, do restaurante da Vovó Cindy, do colégio e de algumas pessoas como de Rose, Bill, Karen, minhas e vários outros alunos, mas nada que indicasse seus reais planos.
Na mala, roupas dele, que estão perfumadas, um cheiro que me lembra menta com madeira, começo a tirar as roupas de dentro e encontro no fundo um retrato, um homem que eu conhecia muito bem, o meu pai, fazia tanto tempo que eu não via uma foto dele, tremo enquanto seguro a foto que parecia que saltaria da minha mão a qualquer momento, por que Willian tem uma foto do meu pai guardada? A coloco dentro do bolso da minha calça.
Eu preciso sair daqui o mais rápido possível, seja qual for o plano dele não será um que eu fique viva no final, começo a procurar por cada canto, arrasto a cama, o canto da cozinha é o mais escuro porque fica mais distante da lâmpada e também o mais frio, corro até a lâmpada e puxo uma cordinha e a luz se apaga, leva um tempo até que eu me acostume com a escuridão, esperava ver alguma luz que indicasse uma saída, mas não via absolutamente nada, ligo a luz de volta.

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