Capítulo 1 - Parte 3: Saindo dos Pensamentos

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A manhã da sexta feira de janeiro parecia mais alegre e vivaz para ele. Acordou, tomou seu café e saiu de espreita na gélida Rua da Fiação com suas roupas demasiadas longas de frio. Ao entrar em uma avenida populosa e barulhenta viu o seu destino de longe, ficando contente não deixando esconder um sorrisinho. Sentou em um banco de madeira gasta e ficou apreciando pernas de adultos passarem para lá e para cá na sua frente.

"Bom dia Severo" disse um senhor cuja aparência era estranhamente familiar, ele usava vestes de bruxo misturadas com as de trouxa, meio que inusitado a não ser se estivermos em vésperas de dia das bruxas. Na sua ultima visita estava mais estranho aos seus olhos ainda. Severo achou estupendo seu estilo, com a boca entreaberta levantou para um formal comprimento. O avô logo puxou o garoto e os dois começaram a andar no aglomerado de trouxas que andavam para todas as direções. Severo não se atreveu a falar nada enquanto eles caminhavam, não tinha a mínima ideia para onde iam, mas seu coração saltitava de excitação. Deixaram a avenida super movimentada e entraram em uma rua mais reservada onde poucas pessoas andavam por ali. No final da rua havia um pub em que tinha uma placa com os dizeres Em Construção grafados em letras feias. O avô parou em frente a porta e falou algumas palavras. A porta se escancarou e eles dois entraram para uma escuridão.

"Esse é o Copo Amanteigado, aqui criaram a cerveja amanteigada uma bebida popular no nosso mundo. Costuma ser bem movimentado". O garotinho tentou encontrar a movimentação naquele escuro, quando como se eles estivessem em baixo de alguma cortina, o pub se materializou ao seu redor com muitas pessoas sentadas em mesas redondas, todas vestidas como o seu avô ou mais estranho. Severo acompanhou seu avô que foi até o balcão e sentou-se com ele, acima deles havia um letreiro com os dizeres Bem Vindos ao Copo Amanteigado em neon amarelo e laranja. O barman atendeu eles, voltando depois com dois copos de Cerveja Amanteigada. O garoto tomou em 3 goles toda a bebida. Achou uma das melhores coisas que já fez na sua vida.

Um barulho de porta fechando com agressividade ecoou pela sala do diretor. Snape deixava a penseira e esperava quem for que iria entrando na sua sala.

"Olá diretor, desculpe-me se interrompo, mas temo que devemos tomar providências mais... hã... severas com aqueles amigos do indesejável número um." Severo jogava a penseira para o armário escondendo-a enquanto ela falava.

"Não podemos matar eles, se é o que você está sugerindo" disse Severo muito calmo. A mulher ficou sem jeito e parecia ter uma cara de desapontamento e desprezo. "Por favor saía Aleto, preciso fazer coisas importantes".

Ela fez uma mínima reverência e e sem deixar esconder um sorriso muito falso, saiu da sala. Severo foi até uma mesa no centro da sala e sentou-se na poltrona em que um dia Dumbledore já esteve. Ele olhava constantemente para um dos quadros muito tenso. Há alguns meses fora nomeado diretor de Hogwarts, já conquistou toda a confiança que pode de Voldemort ao matar Dumbledore. Se sentia sujo como nunca sentiu, ainda mais ao saber que Harry deveria morrer e que tudo que fez e está fazendo fora em vão. Quando estava isolado chorava como um garotinho, mas suas lágrimas eram de dor que vinham do seu apertado coração. Sua vontade era contar tudo para Harry, para que ele pudesse ter uma chance de fugir, ele mesmo se atreveria a se sacrificar pelo garoto, só mais uma vez, a última é claro. Mas sabia que seria impossível, ele tinha que morrer pela varinha do próprio Voldemort. Seu refugio daquele tormento que abatia sobre ele, era reviver suas lembranças, onde poucas vezes fora realmente feliz. Quando o sono vinha e o atacava, feria ele como uma Sectumsempra. "Severo, Me Ajude" clamava aterrorizada a Profª Caridade Burbage, Severo olhava ela e começava a soluçar, o rosto dela começava a ficar verde com um lampejo da maldição da morte que vinha ao encontro da professora deitada na mesa fria de mármore negro. Agora ele estava na Torre de astronomia, Dumbledore olhava para o horizonte a sua frente, uma bela paisagem de fim de tarde. Aparentemente só estavam os dois. "Você está no caminho certo Severo, mesmo que sua mente ache o contrário você só precisa acordar". Ele virava para Snape, seu rosto com um ar muito feliz e animador mesmo com a cara toda suja. " Severo, por favor", e mais um lampejo verde que disparava ferozmente trazia ele a realidade da sala escura cheia de objetos que não se moviam mais.

"Severo" a voz de Alvo Dumbledore saia do quadro em que ele olhou um momento atrás. Severo olhou atordoado pelos sonhos que o perseguiam, em pé sorriu para o diretor recebendo também aquele gesto afetuoso. Snape não via o diretor Dumbledore desde o dia em que o matou, a não ser nos seus pesadelos, aqueles olhos castigavam sua alma.

"Escute bem, descobri onde Harry está e ele precisa de sua ajuda e cuide bem desta sala novo diretor" disse sorrindo abertamente.

Always - A Vida do Príncipe MestiçoOnde histórias criam vida. Descubra agora