(35) minha sombra é o sofrimento.

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Sentado em meu túmulo, penso seriamente em dar um basta nisso, não tenho nada a perder.
Bianca não me pertence mais, eu sinto.

-sente errado.
-você mão me deixa pensar em paz.
-so não gosto de te ver sozinho.
-mas eu amo ficar sozinho.
-em que você quer dar um basta?
-nisso tudo aqui.
-muitas pessoas dariam tudo pra estar no seu lugar sabia?! Nessa paz...
-cade a paz? Pelo amor de deus achei que eu iria para um lugar melhor.
-e esse lugar não é melhor que a terra? Aqui não existe morte...
-nós ja estamos mortos.
Bianca estava procurando as palavras certas a se dizer mas a verdade é que essa vida não tem mas nada a me oferecer.
-eu vou reviver.
-não faça coisas pra se arrepender depois.
-essa é minha escolha.
-ta ok, so espera mais alguns dias... so te peço isso.
-pra que esperar?
-alguns dias, é so isso.

Ficamos um tempo quietos, eu não sabia o motivo da espera mas vou escuta-la.
Carlos aparece praticamente do nada dando um tremendo susto em mim e na Bianca ele a puxa para um abraço forte e demorado.

-sabia que você voltaria.
-e eu ia deixar meus dois cabeças ocas sozinhos?

Dou um sorriso de lado lembrando que Bianca sempre toma conta de nós, ela sempre esta no nosso lado sendo desejada ou não sua presença.

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De noite

A noite estava mais bela do que nunca, as árvores balançava com o vento forte e fresco que fazia algumas folhas caírem mas como o ditado diz tava bom de mais pra ser verdade.
E dessa vez o poblema era comigo, não consigo explicar de certo oque estava acontecendo mas eu me sentia como se algo estivesse me puxando mas eu recuava não vou me entregar.
Isso estava roubando minhas energias.

-oque ouve?
-não sei, sinto algo me puxando.
-quem sabe não é a tal luz branca?
-palhaça.
-fecha os olhos e se concentra.

Assim que fechei meus olhos e relaxei, a imagem da minha mãe veio em mente.
Ela estava pálida com aparelhos em seu corpo e eu ouvia sua voz me chamar
Mateus me ajude.
Não... minha mãe não...

-NÃO.

Abro os olhos com a respiração acelerada Bianca olhava para mim com os olhos arregalados sem entender nada.

-mãe...

Saio correndo o mais rápido possível até sua casa atravesso a porta e começo a procura-la mas não... ela não estava em casa, começo a me desesperar.
Fecho os olhos novamente respiro e inspiro novamente minha mãe vem em mente, dessa vez a imagem era nítida era óbvio... eu conseguia ver a maca, o soro, os aparelhos, a fixa caiu ela esta em um hospital.

Sem saber direito em que direção ir eu vou no primeiro hospital que veio em minha mente, minha respiração estava querendo falhar e se eu estivesse vivo nesse momento poderia ate mesmo dizer que o meu coração estava querendo sair pela boca.
Vou de leito em leito, procuro nos quartos na emergência e por ultimo mais temido na UTI

Confesso que meu chão caiu ao ver minha mãe deitada em uma maca gemendo e Consertesa era de dor, minha mãe tem um poblema que quando ha ataca afeta os pulmões e os rins, minha mãe ja precisou de um transplante de pulmão... conseguiu mas com todos esses poblemas acontecendo há atacou novamente.
Seu caso era grave e nem era preciso eu ler o seu diagnóstico ela gemia e o barulho dos aparelhos me deixava mais nervoso ainda.

Eu me aproximo e tento tocar em sua mão, mas as minhas atravessam sua pele como se eu tivesse tentando tocar em água.
Olho para o canto do quarto e minha tia estava chorando como eu nunca vi.
Me aproximo dela e digo em seu ouvido
Vai dar tudo certo.

Após uma enfermeira vir e aplicar um tranquilizante para parar a dor minha mãe dormiu.
Ja devia ter se passado três horas que nós estávamos ali ate que um homem com um jaleco branco entrou, devia ser o doutor.

-a senhora é a irmã?

O doutor diz apertando a mão de minha tia eu me aproximo deles e espero o doutor folhear os papéis em suas mãos sua expressão não era nada agradável.
Ele para tirá os óculos e volta sua atenção para minha tia.

-bom, o diagnóstico de sua irmã não esta nada bom, aqui nos papéis estão dizendo que ela tem poblemas com os pulmões e rins mas dessa vez o poblema é mais sério, esta começando a afetar seu coração podendo assim correr um grande risco dela ter um ataque cardíaco.
-meu deu... e o que podemos fazer?
-não há muitas esperanças, nos poderíamos tentar fazer um outro transplante de coração mas ela não esta em condições apropriada para isso, ela esta fraca.
Oque podemos fazer agora e terminar de fazer os exames e confirmar que tipo de poblema é esse, continuar com as medicações e esperar.
-não... não é possível, tem que ter outro jeito, nós podemos sim tentar o transplante.
-senhora se fizermos isso vamos estar botando a vida de sua irmã em risco, ou seja estaríamos piorando a situação. Vamos esperar, é so o que nos resta esta bem!

Minha tia voltou para o seu lugar e começou a chorar desesperadamente, eu estava sem reação alguma, vou ate minha mãe novamente chego perto de seu ouvido e cochicho:calma mãe,agora não é sua hora.

O silêncio no quarto voltou, mas agora mais agonizante, minha tia estava orando, minha mãe continuava dormindo igual quando eu ia acorda-la domingo de manhã, começava pular na cama e enche-la de beijos.
Ela brigava comigo por estar acordando-a tão cedo e dizia que domingo era dia de descansar, que era dia de repensar tudo o que aconteceu nos dias anteriores.
Então eu me deitava com ela e sentia seus braços me acolherem, seu cheiro era inconfundível e como sempre ela conseguia me fazer dormir novamente...

É mãe, me desculpa por tantas bobagens pensadas, feitas e ditas...

Desculpa.

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