capítulo 18

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O dia de pegar o resultado do DNA chegou. Amanda estava ansiosa para ter em mãos o documento que comprovaria a paternidade do seu filho. Antônio saberia pela forma mais legal possível que era o genitor da criança que ela carregava em seu ventre.

Assim que teve um tempo disponível informou a Carol e foi ao laboratório pegar o resultado. Quando lá chegou foi prontamente atendida e, após tê-lo em mãos despediu-se da boa jovem que a atendera, saía tranquila abrindo o envelope.

— Vou deixar para abrir junto com ele. — Animada, Amanda seguiu a pé para a avenida rumo ao seu destino. Estava com o pensamento longe e ao erguer a face para olhar à frente encontrou-se com os olhos mais frios que já vira em sua vida.

— Breno! — disse sentindo que o ar faltava em seus pulmões.

— Fazendo exames, Amanda? — perguntou sério, observando o papel na mão dela. Ele usava uma peruca e óculos escuros, mas ela o reconheceria de qualquer forma, só não sabia o motivo de ele estar disfarçado daquela maneira.

— Rotina de uma gestante — disse ela, tentando disfarçar a voz trêmula. Breno a olhou com raiva e puxou o documento de suas mãos com fúria. Após abrir o envelope sem qualquer zelo e ler o que estava escrito, ele a olhou histérico, dizendo:

— Por que você fez isso, Amanda? — O pânico a dominou. — Amanda, Amanda, você não devia fazer isso. Não precisava, querida. Um papel não muda nada, não para mim.

— Isso não vem ao caso, Breno. Esse é um assunto meu e do meu marido e achamos importante fazê-lo. — Tentou parecer tranquila diante do homem transtornado à sua frente.

— Hum! Queria mostrar ao maridinho que o filho é dele? — Ele ria baixo, olhando à sua volta.

— Nós já sabíamos disso. Principalmente eu e você. — Amanda tentava disfarçar seu medo, mas estava ficando difícil consegui-lo diante daquele homem consumido pelo ódio. Breno fazia movimentos estranhos com as mãos e parecia tremer uma das pernas. Estava sob a ação de alguma droga.

— Entra naquele carro agora ou vou dar um jeito nesse bebê antes mesmo de ele ver a luz do dia. — Amanda sentiu algo frio encostar-se nela e o pânico a dominou.

— Você está louco, Breno! O que pensa que está fazendo? Não estrague sua vida, nossas vidas, por conta de um capricho seu. — Sua vontade era de jogar a bolsa no meio das pernas dele com bastante força e correr. Mas era certo que ele teria tempo suficiente para puxar o gatilho e atirar na barriga dela. Não poderia arriscar tanto.

— Você não sabe do que fala, Amanda. Você é minha e de mais ninguém. Achou mesmo que iria se livrar de mim assim tão fácil, querida? — Ele lhe indicou o caminho com um movimento de cabeça e foram juntos até um veículo que estava parado logo à frente. — Para ter minha família de volta, eu sou capaz de tudo, Amanda, tudo. — Embora a levasse aparentemente tranquilo, Breno tremia a mão que tocava a cintura dela.

— Você não me ama, Breno. Isso é só sentimento de posse, capricho seu. Não percebe o que está fazendo consigo mesmo? — Ele parecia alheio a tudo o que ela falava. Amanda se via cada vez mais encurralada.

— Entra nesse carro! Ou três vidas serão ceifadas aqui agora. — Ele armou a pistola e, sem alternativa, Amanda fez o que o ex-marido ordenou. Assim que entrou, ela olhou para os lados e não viu ninguém que pudesse dar notícias suas, caso a procurassem depois. A rua estava praticamente vazia, devido ao horário.

— Coloque o cinto que não quero que aconteça nada com você e nosso bebê. — Amanda percebeu que a loucura havia mesmo subido à cabeça dele. Breno estava fora de si e ela precisaria ter cuidado redobrado com ele por isso. Qualquer contrariedade e ele explodiria facilmente. Ela colocou o cinto enquanto Breno dava partida no carro. Seguiram em silêncio, embora a mente de Amanda gritasse por socorro constantemente.

Muito Além das aparências - Livro II da Série  AparênciasOnde histórias criam vida. Descubra agora