SAVANAH
Masalom caminhava ao meu lado me mostrando o caminho até os aposentos do seu pai. Confesso que a cada passo meu coração palpitava ainda mais no peito. Não podia distinguir se era por causa da ansiedade ou por medo de estar diante de outro possível carrasco. Falando em carrasco, as recordações do dia anterior ainda rondam minha cabeça.
Acordei hoje sentindo um pouco de dor nas articulações e preferi ficar sentada na cama esperando-a passar. Naquele instante, ouvi um barulho vindo da porta. Olhei e encontrei o causador do meu sofrimento entrando o quarto com aquele olhar intimidador.
Ele caminhou até a cama e confesso que temi quando se sentou ao meu lado. No entanto, ele permaneceu quieto e em silêncio e, quando falou, foi apenas para me informar de que conheceria seu pai e que me arrumasse rápido.
O fato é que ver o homem que agora caminha ao meu lado rasgar em pedacinhos meu único e estimado bem material, foi o suficiente para entender que confrontá-lo só farão as coisas se tornarem mais dolorosas.
Não sou boba o bastante para dizer que o ódio não me corrói só em pensar nas cenas ocorridas, do quanto doeu na alma me sentir solitária, vazia de sensações e perceber que a vida não me pertencia mais. Relembrar cenas dele me pegando nos seus braços fortes, da minha cabeça recostada naquele peito de aço, do banho que me deu, dele tirar minhas roupas cuidadosamente, do chá delicioso que me ofereceu com delicadeza.
A verdade é que cansei de lamentar em vão. Vou deixar as coisas seguirem seu próprio rumo e, se a felicidade vier algum dia, vou agarrar-me a ela com unhas e dentes. Só me pergunto porque ele é tão ruim e ao mesmo tempo tão... atencioso.
Minha divagação cessa quando ele segura meu cotovelo, pois, sem perceber que ele havia parado, continuei andando. Fico espantada pelo toque. Nossos olhares se cruzam e assim permanecem até ele quebrar o contato e virar para bater com o punho fechado na porta.
— Entre! — escuto um rouco e abafado sussurro vindo do outro lado.
Ele abre a porta dando espaço para que eu entre primeiro e eu o faço um tanto receosa.
Meus pés grudam no chão quando meus olhos viajam pelo lugar que tem uma magnitude indescritível. O cômodo conseguiu tirar meu fôlego. Pensei que nada mais me surpreenderia depois do exuberante quarto que tenho dormido, entretanto, se alguém os comparar, possivelmente descobrirá que aquele tem apenas dez porcento da beleza deste lugar que mais parece um salão com mobília.
O teto exibe uma sequência de lustres gigantes posicionados em um triângulo enriquecido de luminosidade o cômodo e, mesmo querendo, não consigo entender os traços do desenho talhado em ouro que se espalha por todo o teto.
Descendo um pouco o olhar, visualizo paredes também recobertas por ouro. Há quadros de homens naquelas roupas esquisitas, e é claro, há outras paredes completamente vazias.
É um prazer receber em meus aposentos a minha futura nora! me assusto com o som da voz que retumba por aquele espaço até então silencioso.
Procuro o dono dela e meus olhos recaem sob um senhor magro e pálido que descansa em cima da cama recheada de cobertores vermelhos. Seus olhos cruzam com os meus e ele sorri de lado. Um sorriso que já deve ter sido a perdição de muitas mulheres, mas que hoje não passa de um gesto simpático vindo de um senhor.
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Na Amazon - Garota Traficada - Série Meu Monstro Mafioso - Livro 01
RomanceUma garota humilde, frágil, ingênua e amorosa não poderia cogitar ser vítima da crueldade humana. Nascida na favela, Savanah teve seu mundo abalado pela morte dos pais. Expulsa da casa em que morava por falta de pagamento das mensalidades do alu...