Capitulo 1

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Tento abrir os olhos, mas uma luz incide contra eles. O que é que aconteceu? Onde estou? Até pequenas questões como essas não podem ser respondidas com a dor de cabeça que tenho agora.

Fecho os olhos novamente e quando volto a abrir finalmente consigo adaptar-me à luz.

Estou num quarto, mas não num quarto qualquer, estou num quarto de hospital. Tento sentar-me mas os meus músculos parecem estar contra mim. É como se não me tivesse mexido à dias. Volto a tentar mexer-me e consigo finalmente mexer os braços.

Sento-me lentamente e olho à minha volta. As paredes não são brancas, são mais de uma cor acinzentada provavelmente porque apenas uma luz está a funcionar. Não, não estou num quarto de hospital, estou num quarto de cirurgia.

Não consigo lembrar-me do que aconteceu, a minha memória está toda enublada e a dor de cabeça não ajuda.

O mais importante agora é sair daqui..

Levanto-me e tento dar um passo. Sinto-me enfraquecida e tenho de me sentar no chão.

Se isto é um hospital, porque não está aqui ninguém?

Volto a levantar-me mas desta vez sou mais cuidadosa e agarro-me à maca onde acordei. Desta vez consigo andar mais algum tempo até que derrubo contra uma mesa com todo o tipo de materiais necessários para cirurgia.

Uma espécie de tesoura cai no chão. Como por instinto agarro nela, posso necessitar dela depois.

Finalmente chego à porta, parece que é necessário algum tipo de cartão para dar acesso para sair.

Volto a olhar para o resto da sala, onde está o cartão?

No canto encontrava-se uma espécie de estante feita de metal.

Custa-me um pouco a chegar ao destino, mas lá consigo. Tive sorte, parece que as ultimas pessoas que estiveram a mexer aqui deixaram isto aberto.

A estante metálica estava dividida em duas, a primeira parte, superior, estava cheia de medicamentos e outras coisas cujo nome eu desconheço. Já a segunda parte, inferior, estava carregada de ficheiros, um deles sobressaindo dos outros.

A minha curiosidade aumenta e abro o ficheiro. É uma ficha de doente. Aya Gregory é o nome do paciente, agora lembro-me, sou eu.

Respiro fundo e continuo a ler, mas é fútil porque o resto da página está estragada. Lindo, assim não posso saber o porquê de estar aqui neste local.

Ponho o ficheiro no lugar e procuro pelo cartão. Finalmente consigo-o encontrar, no meio dos ficheiros.

O cartão pertence a alguém chamado Takashi Suzuki e é um médico, se encontrar a pessoa ei de me lembrar para lhe devolver o cartão.

Ando até à porta, vou andando encostada à parede, mas quando estou a abrir a porta paro. Começo a pensar no que poderá estar no outro lado. Encosto o ouvido na porta mas não serve de nada, não se consegue ouvir um único som. Determinada, abro a porta.

Estou diante de um corredor tão vazio como a sala onde acordei. Olho à volta, mesmo à minha frente encontra-se um relógio eletrónico, lá está a indicar 8:30, ainda é de manhã se é o que o relógio está a funcionar corretamente. Vou andando devagar. As paredes do corredor são brancas e azuis ao contrario da cor das portas por onde passo, pois essas são verdes vivas.

Ignorando isso, continuo a andar... Tenho medo, medo do que me está a acontecer. Sinto uma tontura e sento-me com as costas apoiadas na parede... Porquê? Porquê eu? Nem sei o que me aconteceu e estou a desistir... sou fraca...

Acalmo a minha respiração e penso em coisas positivas, sou tão parva, até posso ser fraca mas desistir da vida por causa disto é bem estúpido.

Levanto-me e verifico que estou no 6º andar, por isso tenho duas opções, encontro um elevador que esteja a funcionar ou encontro escadas.

Ao virar a esquina encontro um elevador, mas esse parece não funcionar. Nas portas fechadas está escrito: "Pedimos desculpa mas este elevador permanece em obra, por favor use as escadas. Muito obrigado."

Exatamente o que eu necessitava. Acabo por ir à busca das escadas, mas antes disso tenho de ir à casa de banho, estou sedenta...

Consigo encontrar uma depois de algum tempo. Entro e abro a torneira, água corre, incrivelmente, ao contrário do resto do hospital, ainda está a funcionar. Bebo rapidamente e olho-me ao espelho. Tiro um tempo para observar a minha aparência. Continuo com a mesma pele pálida, o cabelo negro ondulado, o olho azul e o tapa-olho, é verdade, o olho que não funciona, inútil para mim.

Saio da casa de banho e olho para o que estou a vestir, roupas de hospital, necessito imediatamente de roupas novas.

Tenho uma ideia, as roupas dos funcionários, se tiver sorte ainda encontro alguma do meu tamanho!

Procuro por todo o lado e finalmente consigo encontrar a lavandaria dos funcionários (tendo usado o cartão que encontrei) e acabei por pegar emprestado a farda de uma enfermeira (incluindo o casaco pois ficava-me bem) chamada Nagisa Yanagaia, cujo nome é belo e cujo cartão está agora na minha posse.

Ainda sem encontrar as escadas exploro o andar até ser parada pelo som de passos atrás de mim. Sem poder fazer nada, viro-me.

Memento Mori - Lembrem-se Que Somos MortaisOnde histórias criam vida. Descubra agora