Capitulo 2

25 4 1
                                    

Quando me viro, encontro-me cara a cara com duas pessoas, um rapaz e uma rapariga praticamente iguais, quase que aposto que são gémeos ou irmãos.

O rapaz loiro, de olhos verdes e de termos humanos "atraente", sorri e comenta para a rapariga ao lado:

-Ora, ora! Vejamos o que nós encontramos, uma pequena enfermeira...

A rapariga, com as mesmas feições do rapaz mas com óculos, continua séria e nem olha para responder ao rapaz:

-...Uma rapariga, ela parece demasiado nova para ser enfermeira. Que pouco interessante...

O rapaz dá uma cotovelada a rapariga e acaba a frase:

-...Mas pode ser-nos uma grande ajudar! Então como te chamas?

Calmamente respondo:

-Aya... Aya Gregory.

-Bom, Aya. – ele diz o meu nome como se estivesse a saboreá-lo- O meu nome é Ichiro Suzuki...

-...Eu chamo-me Mayu Suzuki. - A rapariga acaba calmamente.

Tiro o cartão do médico que encontrei na sala de cirurgia e estendo o braço.

-Será que conhecem a pessoa deste cartão?

Ichiro aproxima-se de mim, enquanto Mayu continua no mesmo lugar. Ele agarra no cartão e lê, podia jurar que ele parecia durante um segundo melancólico, mas rapidamente desaparece como apareceu. Ele devolve-me o cartão (que volto a guardar no bolso) e pergunta-me:

-Então... o que uma rapariga como tu – ele olha-me de baixo para cima - está a fazer num lugar como este?

-Provavelmente é maluca...-comenta Mayu

Ichiro vira a cabeça e fala com a sua irmã:

-Mayu! Deixa-a responder!-Ichiro volta para mim e continua a sorrir.

-Não tenho a certeza, apenas acordei num dos quarto. E vocês?

Só com esta pequena conversa dava para perceber que apesar de serem irmãos era totalmente diferente em termos de pensamento, personalidade e roupa. Mayu usa óculos e tem vestido um uniforme de colégio enquanto Ichiro veste roupas mais descontraídas e não usa óculos. Ambos têm cabelo curto (Mayu tendo os cabelos pelos ombros).

-Olha, que coincidência! Nós também! – Ichiro exclama e Mayu acena a cabeça afirmativamente.

Mayu depois de estar algum tempo a observar-me pergunta:

-O que aconteceu com o teu olho?

-Eu fiquei cega dele aos 6 anos... doença... - esclareço

Mayu apenas encolhe os ombros e Ichiro (que foi se movendo para o meu lado) põe um braço à volta das minhas costas e começa a andar, forçando-me a avançar à medida que ele andava.

-Tens algum plano do que fazer neste lugar? – Mayu, que estava do lado do seu irmão pergunta-me.

-Eu só quero sair deste lugar. Não me interessa o resto.

-E que tal nós explorarmos, juntos, o 5º andar?- Ichiro questiona.

-É uma ideia totalmente estúpida, mas pode ser que achemos alguém útil. - comenta Mayu - O que achas rapariga?

Primeiro insinua indiretamente que sou inútil, e agora nem o meu nome pronuncia. O que esta rapariga tem contra mim?

-Não é que tenha muita opção... São as primeiras pessoas que encontro, é melhor continuar-mos juntos.

Ichiro risse e isso só me faz mais desconfortável.

-Em vez de estarmos a querer ir embora porque não aproveitamos das coisas boas?

-Se estás insinuar que vai acontecer alguma coisa entre nós, é um não para ti. – digo para ele com a minha voz mais séria.

Ele apenas ri, mas não comenta nada. Que par de irmãos mais estranho, é melhor ter cuidado, mais vale prevenir do que remediar...

Juntos encontramos as escadas e descemos até ao 5º andar, com Ichiro ainda com o seu braço esquerdo nas minhas costas, está a tornar-se irritante. E para melhor a situação, Mayu teve der ir à casa de banho "urgentemente" deixando-me sozinha com ele.

-O que achas de mim? - ele pergunta-me.

Ele para tira o seu braço das minhas costas e vira-se para olhar para mim, está à espera de uma resposta. Mas eu não sei responder, não o conheço suficientemente bem e a ideia que tenho dele não é a melhor.

-O quê?- faço-me de parva e espero que ele esqueça.

-Qual é a tua imagem de mim?-ele repete mas com outras palavras.

-Queres que seja honesta? – cruzo os braços e olho para ele intensamente.

-Sim! Se eu quisesse uma mentira eu não perguntava. – o tom dele agora é acelerado e um pouco irónico, como se fosse uma coisa óbvia.

Estava prestes a responder até ser interrompido por alguém.

Mayu tinha regressado. Suspiro de alivio, estou salva por agora.

-Voltei- Mayu anuncia- O que estavam a falar?

Como se fosse automático Ichiro muda totalmente e sorri para a irmã.

-Estava a dizer o quanto estou esfomeado! - Ele responde.

Porque mentiu para a irmã? E o que foi aquilo? "O que pensas de mim?" Isso é um pensamento para alguém que se julga abaixo de todos e que não serve para nada. Mas o que sei? Não sei nada, mas também estou esfomeada, nem me lembro da última vez que comi.

-Por acaso também tenho fome - diz Mayu, mais para o irmão do que para mim.

Não digo nada, não consigo, ainda estou a pensar no que aconteceu. Mas como ninguém me pergunta, eu não digo nada.

-Então e que tal irmos à procura de uma cafetaria? Seria de encantar se houvesse uma neste andar - Ichiro decide.

Como decisão absoluta vamos à procura da cafetaria só que desta vez Ichiro não põe o braço à minha volta, é um alivio, não gosto muito de contacto humano.

Memento Mori - Lembrem-se Que Somos MortaisOnde histórias criam vida. Descubra agora