Desta vez sonhei e relembrei a minha vida. Tudo começou com 4 anos. O meu pai, por causa da morte da minha mãe em trabalho de parto, começou a usar-me como uma escrava. Era mal tratada e tinha de fazer tudo como ele queria.
Vivia na cave e dormia no chão.
Aos 6 anos perdi o meu olho. Não sei exatamente como, nunca fui ao médico. Acordei um dia cega de um olho. Tentei dizer ao meu "pai" mas ele apenas deu-me uma chapada na cara e disse para continuar a limpar. A partir desse dia a morte perseguiu-me para sempre.
Um ano depois, o meu pai foi atropelado. Fui entregue aos meus avós que eu adorava. Com eles descobri no médico que o meu olho não podia ser mais curado, por um problema cerebral.
Na escola era chamada de monstro e eu odiava esse nome, por isso comecei a usar um tapa-olho.
No verão dos meus 12 anos os meus avós morreram de uma doença, até hoje não sei bem o que aconteceu.
Fui levada para um orfanato, onde os maus tratos começaram novamente, não tão maus como antes, mas continuava a ser doloroso.
Na escola era vítima de bullying e ai começaram as perdas de memória. Comecei a adormecer e a acordar em locais diferentes, sem lembrança do que tinha acontecido.
As pessoas que me odiavam começaram a desaparecer sem rasto, nem razão. Acho que nunca os encontraram.
Toda a gente achava que eu tinha algo a ver mas nunca tiveram provas concretas.
Em toda a minha vida fui odiada. Nunca tive amigos e nunca fui amada, não aguento contacto físico, sou anti-social e tenho problemas em conectar com pessoal, pelo menos até agora.
Acordei a chorar e toda suada. Só quero esquecer e nunca mais lembrar da minha vida.
-Estás bem? – olho para a fonte de voz e encontro-me com o rapaz que estava magoado, agora acordado e a olhar para mm.
-Sim, não é nada. Só pesadelos. – Só estamos aqui nós os dois – Onde estão os irmãos?
Ele aponta para a porta.
-Eles disseram para te dizer quando acordares que eles tinham ido ver se encontravam mais comida.
-Como te chamas? – pergunto-lhe para quebrar o silêncio formado.
-Ryan. E tu?
-Chamo-me Aya.
Passado algum tempo ele pergunta-me:
-O que achas dos gémeos?
Porque é que toda a gente pergunta-me o que acho das pessoas?
Encolho os ombros.
- O Ichiro é um playboyzinho e a Mayu é uma rapariga quieta e justa. Porquê?
Ele também encolhe os ombros e apenas responde:
-Nada.
Há alguma coisa errada com este rapaz, mas pode apenas ser a minha imaginação. Vou ter precauções e ter cuidado.
Ichiro e Mayu entram e a primeira coisa que Ichiro diz é:
-Aya-chan~! – ele fala com uma voz infantil – Estava preocupado~! Queres bolachas? Encontramo-las numa máquina de comida.
-Pode ser, tenho fome.
-Mas primeiro... – ele pensa – beija-me!
Viro os olhos e cruzo os braços.
-Prefiro morrer do que fazer isso.
-Aya! Não sejas má!
A sua atitude infantil e o seu pedido só indica uma coisa: Ele esteve a beber álcool.
-Mayu, o que aconteceu com ele?
-Encontrou álcool... – ela suspira.
Bem me parecia. Ichiro vai à minha frente e põe uma bolacha perto da minha boca.
-Aya-chan! Diz AH!
Mordo a bolacha e como-a. Ele pega noutra bolacha e finge dizer "AH!!. Volto a morder a bolacha.
-Tão fofa, Aya-chan!
Era só o que me faltava, um bêbado com uma obsessão por mim. O efeito do álcool acaba e ele literalmente desmaia no meu colo. Inconscientemente começo a mexer no cabelo dele.
-Aya... – ele suspira a dormir.
Suspiro também... Que criancinha...
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Memento Mori - Lembrem-se Que Somos Mortais
Mystery / ThrillerAya era uma rapariga normal de 17, até que um dia acorda num quarto de hospital. Encontrando o lugar abandonado, a rapariga tenta encontrar o motivo de isto tudo estar a acontecer. A partir desse momento a sua vida parece dar uma reviravolta, que...