SAVANAH
Sem conseguir mais segurar meu peso em pé, eu me solto dele e sento no chão sentindo a pele da minha bunda ser beliscada por gravetos e folhas secas. Não sei quanto tempo demora até Masalom sair da casa e vir até nós, mas sei que os olhos dos homens nunca me olharam diretamente. Olho para Masalom e não vejo mais resquícios do homem frio e calculista que vi agora há pouco.
— Clareiem o caminho. — Masalom ordena e se agacha para me cobrir com seu terno e me pegar nos braços.
Recosto a cabeça em seu ombro e me permito relaxar sabendo que, por mais que ele seja um assassino, ele nunca me faria mal ou deixaria alguém fazer, afinal, ele veio me salvar.
O caminho era muito estreito, contudo, ele não me colocou no chão. Andou comigo até uma outra estrada bem mais larga e eu pude ver um carro estacionado ali. O homem barbudo abriu a porta e Masalom me colocou sentada no banco antes de afundar ao meu lado e me levar para seu colo.
Não percebi quando o carro começou a se movimentar. Eu só conseguia chorar. Deixei as lágrimas derramarem e escorrerem grossas por minha bochecha. Pode parecer estranho, mas eu me sentia acolhida nos braço de Masalom. Talvez porque, mesmo de uma forma estranha, ele cuida de mim. Ele me livrou duas vezes daquele homem, ele me impediu de cair da escada duas vezes, ele se importou comigo para vir me buscar, mesmo que seja pelo casamento ou simplesmente porque ele... não sei e não me importa o porquê, fico simplesmente feliz, pois ele veio.
Masalom acaricia meu braço e meu choro aos poucos vai cessando. Por longos minutos, ninguém diz nada e o silêncio me permite lembrar da Sarah.
— Masalom, a S-sarah e-ela... — levanto a cabeça do seu peito e gaguejo com a voz estrangulada.
Ele olha em meu rosto e sorri tranquilo.
— Ela está bem. Não se preocupe. A intenção dele sempre foi você. — diz calmamente.
— P-por quê? O que eu fiz pra ele? — indago.
— Você nada, mas eu o desafiei quando tirei você dos seus braços aquela noite. — fala e eu volto a deitar a cabeça em seu peito.
— Obrigada, Masalom. — murmuro.
— Pelo quê? — questiona aparentemente confuso.
— Por vir, por não deixar ele abusar de mim depois do leilão e aqui, por estar aqui comigo. — explico e passo os braços em seu quadril, abraçando-o.
Masalom não diz nada, apenas continua a acarinhar meu braço. Minutos depois, ficamos em total silêncio. Pude ver pela janela, um avião quando o veículo parou.
Masalom desce comigo no colo e logo estamos dentro do avião.
Ele me senta numa poltrona, afivela meu cinto, senta-se ao meu lado e fica olhando para a janela. Uma voz anuncia que iremos decolar e eu me agarro ao seu braço fechando os olhos bem apertados. Esse é meu primeiro voo... Ao menos consciente é. Tenho pavor de altura. Acalmo-me quando percebo que Masalom está do meu lado e que o avião decolou sem problemas aparentes. Algum tempo depois, ele desafivela meu cinto e me pega outra vez no colo me levando a um quarto.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Na Amazon - Garota Traficada - Série Meu Monstro Mafioso - Livro 01
RomanceUma garota humilde, frágil, ingênua e amorosa não poderia cogitar ser vítima da crueldade humana. Nascida na favela, Savanah teve seu mundo abalado pela morte dos pais. Expulsa da casa em que morava por falta de pagamento das mensalidades do alu...