04. KATHERINE

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É incrível a capacidade que a nossa vida tem de mudar em apenas vinte e quatro horas. Guardei meus pertences mais necessários em uma pequena mala. O restante das minhas coisas e de mamãe foi parar em um depósito. A dona, uma conhecida, entendeu a situação e me deu um desconto.

Acordei logo ao amanhecer, com uma ligação do hospital. O nosso plano de saúde já não cobriria mais nada a partir daquele momento, o que incluía a estadia de minha mãe. Vai levar mais alguns dias até o casamento, então precisei me virar.

Eu disse ao síndico que não poderia mais ficar no apartamento por problemas financeiros e, como tinha pagado uma mensalidade adiantada, ele me devolveu o dinheiro.

Eu vou ficar no carro, até Lucy voltar de Cambridge ou, na pior das hipóteses, até me casar com o Underwood.

As lágrimas já pararam de rolar, só restou um vazio e a enorme necessidade de um abraço. Sei que Deus está cuidando de tudo, sei que Ele está ao meu lado... Ainda assim, sinto falta da interação humana.

Fecho os olhos com força e respiro fundo antes de deixar o carro. Meus olhos encaram o prédio da Construtora e minha vontade é de sair correndo. Eu não queria trabalhar hoje, só queria poder ficar deitada na minha cama e chorar meu estoque de lágrimas abaixo do volume morto.

— É... Mas você não tem mais um quarto — Suspiro pesadamente e adentro o local.

Faço tudo no piloto automático. Não ter Lucy por aqui deixa as coisas ainda mais melancólicas. Ela me ligou há alguns minutos e tentou me passar toda a sua fé e positividade. Não deu muito certo, mas agradeci à tentativa.

Não mencionei que precisei deixar o apartamento, Lucy já está lidando com a tia doente. Ela provavelmente vai me matar quando descobrir, mas eu penso em como ludibriá-la quando ela voltar.

Por hora, preciso focar em limpar esses espelhos, na recuperação da minha mãe e no meu casamento com o futuro CEO da maior Construtora das Américas.

Nós não entramos em detalhes sobre como a cerimônia funcionará. Não sei se Benjamin pretende fazer algo simples ou uma festa de atrair holofotes. Espero que seja a primeira opção, de verdade.

A porta do banheiro feminino se abre e vislumbro-o pelo grande espelho. Benjamin usa um terno azul marinho e uma camisa branca. Como é possível esse homem estar ainda mais bonito hoje?

— Você não respondeu minha mensagem de bom dia.

— Bom dia — Viro-me e sorrio sem mostrar os dentes.

— Tudo certo para o nosso jantar?

Reviro os olhos mentalmente. Eu torci para que ele estivesse brincando sobre isso ou que tivesse mudado de ideia.

— Você não me passou o endereço.

— Eu te mando depois.

Ele coloca as mãos nos bolsos da calça e volta seu olhar para os sapatos. Parece não saber o que fazer ou como continuar essa tentativa de diálogo que estamos tendo.

— Eu tenho que terminar de limpar. Você quer mais alguma coisa?

Seus olhos azuis encontram os meus, pegando-me de surpresa e não me dando tempo de voltar o meu olhar para outro lugar.

Benjamin se aproxima devagar e para a uns cinquenta centímetros de distância. Ou seria menos? O cheiro do seu perfume invade minhas narinas. Dá para sentir que é perfume de gente rica.

— Quero ter certeza de que você não vai me deixar plantado esperando no restaurante hoje à noite.

— Eu teria que desligar o meu celular, porque, provavelmente, você não iria parar de ligar e mandar mensagem — Dou de ombros.

Primeiro Amor • Livro 1 | Série Por AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora