15. BENJAMIN

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Ficamos praticamente um dia sem nos falarmos direito e isso me afetou mais do que eu imaginei que afetaria. Quando Katherine Underwood entrou na minha vida, jamais cogitei que em apenas dez dias ela se tornaria tão importante. Eu me sinto um adolescente quando estou perto dela. Nunca me senti assim com nenhuma mulher.

Eu devo estar ficando louco! Acordei há algum tempo e estou a observando dormir. Respiro fundo ao desejar tê-la em meus braços novamente. Ontem, após deixarmos o cinema, fomos juntos à delegacia. Odiei o fato de vê-la naquela condição e, principalmente, ouvir o seu relato, muito mais rico em detalhes do que o que ela me confessou na noite do ocorrido. Naquele momento, prometi a mim mesmo e a ela, mesmo que em silêncio, que nunca mais seria necessário enfrentar uma situação semelhante.

Tudo o que eu mais quero é vê-la sorrir e eu vi sorrisos lindos no cinema ontem, embora tímidos. Quando Katherine me disse, com lágrimas nos olhos, que o melhor seria mantermos distância, entendi seus motivos e avaliei os meus. Isso me fez chegar a uma conclusão e realmente espero que ela aceite o que vou propor.

Vejo-a se remexer na cama e abrir os olhos devagar. Meu Deus! Como ela pode ser tão linda com sono? O que eu me tornei? Kat está certa: sou uma geleira derretendo e sequer me importo com isso.

— Bom dia, Frozen — sorrio.

— Bom dia, Ben — sorri de volta, espreguiçando-se — Que horas são?

— Sete e meia — respondo, levantando-me do sofá e sentando-me ao seu lado na cama — Pensei em sairmos para jantar hoje à noite, o que acha?

— Eu posso escolher o lugar?

— O que tem em mente?

— A melhor pizza de Boston — o sorriso aumenta em seus lábios, enquanto ela senta-se na cama.

— Perfeito — respiro fundo — Pensei em outra coisa que também podemos fazer — vejo-a franzir o cenho — Você tem toda essa questão com o seu pai e eu... Bem, eu tenho o luto e esse jardim.

— Aonde quer chegar?

— Kat — seguro sua mão sobre o colchão. Ela observa nossas mãos juntas por um instante, mas não me afasta — Precisamos tratar nossos traumas. Olha, eu sei que você tem fé e o quanto isso ajuda, mas terapia também pode nos ajudar.

— Eu aceito — sorri com doçura e eu retribuo — Com uma condição.

— Sim, senhora.

— Como você disse, a fé ajuda muito. Vou ajudá-lo a aumentar a sua fé e com isso vamos fortalecer a minha também.

Balanço a cabeça em negação, rindo em seguida.

— Eu tenho escolha?

— Não mesmo, Senhor Underwood.

Levanto-me e pego o casaco em cima da cadeira.

— Vou almoçar no escritório, tenho algumas coisas para pôr em dia. Tudo bem?

— Claro. Eu tenho que resolver umas coisas também e acho que vou dar uma volta no shopping na hora do almoço — dá de ombros.

— O que vai resolver?

Katherine me encara por alguns instantes, como se estivesse buscando uma resposta que fosse me convencer.

— Promete que não vai rir de mim?

— Prometo — respondo-a com um sorriso ladino.

— Não me convenceu, mas... Vou pedir ajuda à sua irmã. Dicas de moda.

— Vai pedir dicas de moda à Lauren? — ergo as sobrancelhas, sem acreditar.

— Eu tenho um closet temporário cheio de roupas lindas e não sei combiná-las.

Primeiro Amor • Livro 1 | Série Por AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora