Ariel— Tô morrendo de saudades de vocês. Se esse ano eu ainda não conseguir passar pelo menos um dia com vocês, acho que não vou aguentar, Papai — eu disse triste.
Do outro lado da linha meu pai suspirou. Devieria estar sendo difícil para ele também, mas eu acho que para mim é mais. Eu odeio isso. Nossa, como eu odeio! E odeio ainda mais o motivo de eu ter praticamente fugido do Rio, na onde estava minha família, para vim me esconder aqui nessa cidade.
— Eu sei minha filha, aqui a saudade também é grande — ele riu, e meu peito se apertou de saudade. — Falando nisso, sua irmã mandou te avisar que vai ir pra Campo Grande semana que vem. Acho que ela vai fazer uma matéria pro jornal, não sei muito bem.
— Ah é? Por quê a Janni não falou ela mesma pra mim? — eu disse contente por rever alguém da minha família.
— Ela perdeu o celular outra vez. Sabe como ela é, puxou sua mãe até nisso — ouvi minha mãe retrucar do outro lado da linha e dei risada.
Janni, minha irmã mais nova, era a cópia perfeita da minha mãe. Desde o modo de pensar até o jeito de ser. A única diferença entre as duas era que minha mãe é loira, enquanto a Janni é morena. Tirando isso, as duas são iguaizinhas.
— Pai, coloca no viva-voz, quero falar com a mamãe também — eu pedi, vendo um cara demorar um século para estacionar seu carro.
Eu estava no estacionamento da superintendência, sentada no banco de motorista do meu carro. O horário de almoço já tinha começado fazia 10 minutos, e eu estava pronta para ir me encontrar com a Ângela no seu restaurante, mas meu celular tocou e quando vi que era meu pai, atendi sem pensar duas vezes. Passei a mão sobre o volante e sorri, meus pais me deram esse carro quando eu me mudei para Mato Grosso Do Sul. Junto com inúmeros presentes caros, para tentar me animar para uma nova vida que eu mesma escolhi.
— Mamãe? Tenho uma coisa pra te contar... — eu disse toda empolgada, mas segurando o riso.
— Então conta logo! — a voz dela soou mais entusiasmada que a minha.
— Vou casar! Encontrei o amor da minha vida e estou completamente apaixonada por ele!
Do outro lado da linha se fez silêncio. Meu pai também não disse nada. Fiz uma careta para controlar a gargalhada.
— Ariel Garcês Rodrigues Lopes! Acha que me engana? Por que você não vai mentir pra sua mãe?
Não aguentei e explodi em gargalhadas. Sim. Minha mãe me conhecia muito bem. Bem até de mais para meu gosto. Em meio aos risos, me bateu uma tristeza e eu suspirei.
— Tô com saudade, mãe...
— Minha filha, vai me fazer chorar outra vez? — só de ouvir a voz dela, meu peito se desmanchava. — Olha só, se você não consegui vim pra cá esse final de ano, pode ter certeza que nós vamos pra Campo Grande!
Quando o final do ano chegava, eu e a Ângela tirávamos férias no trabalho, compravamos duas passagens de avião e íamos para o Rio de Janeiro o mais rápido possível. Ficávamos lá até nossas férias acabarem e voltavamos ainda com o coração partido. Mas nos últimos dois anos, não tivemos tanta sorte assim. Na verdade eu não tive tanta sorte assim pois a Ângela podia tirar férias quando bem entendesse, já eu... Bem, digamos que eu não sou minha própria chefe no trabalho, tem cargos muito mais altos que o meu.
— Acho que não vai precisar... — eu disse ainda na esperança.
— Tomara que não! — meu pai retrucou. — Queremos você em casa, não a quilômetros de distância.
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Duas Semanas De Puro Prazer
RomanceATENÇÃO, CONTEÚDO NÃO INDICADO PRA MENORES DE 18 ANOS! Uma carioca da gema escolheu Campo Grande, capital de Mato Grosso Do Sul, para se refugiar de um trauma. Sem nem mesmo suportar ter a lembrança do mar, ela se vê mergulhando nos olhos azuis de...