31. BENJAMIN

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Tentava me concentrar nas cláusulas do contrato. Acho que não dormia há mais ou menos quarenta e oito horas e sabia que a quantidade de café que estava ingerindo não ajudava.

É claro que o problema não era apenas a cafeína em excesso no meu organismo. Minhas últimas ações também me privavam do sono.

Eu fiz em pedaços o coração da mulher que eu amo, contemplei sua ruína e eu fui o motivo. Há dois dias não a via. Há dois dias Katherine tinha saído da minha vida e, infelizmente, sentia que ela não voltaria mais.

Eu queria que as coisas fossem diferentes. Queria não ter sido um tremendo covarde. No entanto, quando vi armas apontadas para a mulher que amo e minha família, senti-me impotente e fraco. Não iria arriscar suas vidas apenas por amá-la. Jamais faria isso.

Mantive meus olhos sobre o notebook quando a porta se abriu e alguém entrou na minha sala.

— Desembucha! — A voz de Will soou em meus ouvidos.

Encarei-o por um instante, erguendo as sobrancelhas, logo voltando minha atenção ao contrato.

— Vai fingir que eu não estou aqui? — puxou a cadeira, sentando-se à minha frente — Você sabe muito bem que eu sei que alguma coisa aconteceu e você vai me contar.

— Estou trabalhando — soei ríspido.

— Então para de trabalhar.

Fuzilei-o com o olhar quando ele fechou o notebook, obrigando-me a encará-lo. Juntei as mãos sobre a mesa e permaneci sério.

— Saia! — ordenei, sem sequer me importar em ser grosseiro.

— Por que você foi um filho da mãe com a Katherine? — recostou-se na cadeira, paciente.

— William, saia, ou eu chamo a segurança — forcei um sorriso com sua parcela de ameaça.

— Você ama aquela mulher, Benjamin! Até ontem você era cadelinha da Katherine e sorria pelos cantos como um idiota. Você quer mesmo que eu acredite que você é tão mau caráter ao ponto de usá-la e simplesmente descartá-la como se nada tivesse acontecido? Não! — balançou a cabeça em negação, rindo com escárnio — Para cima de mim, essa sua pose de macho alfa não funciona. Na verdade, eu te conheço muito bem e consigo perceber que você está com o rabo entre as pernas. Então, trate de me contar o que aconteceu porque eu não vou te deixar em paz.

— Foi um excelente monólogo — desdenhei, colocando-me de pé e indo servir mais uma xícara de café.

— Benjamin, eu sou seu melhor amigo. Só quero te ajudar, seu babaca — bufou, frustrado.

— Se quer me ajudar, saia daqui, e não me faça mais perguntas, ok?

Encarei seus olhos e, por um instante, fui incapaz de não deixar a vulnerabilidade transparecer.

— Ontem eu fui ver a Lucy e a Katherine estava lá. Ela disfarçou quando eu cheguei, mas ela está quebrada. Quero saber o porquê — colocou-se de pé, aproximando-se — Se não quer me contar por você, vai ter que me contar por ela. Afinal, Katherine também é minha amiga e eu quero saber por que você foi um cretino com ela?

— Will — suspirei pesadamente, desviando o olhar — Saia daqui, por favor.

— Não, não saio. Seja homem e olhe nos meus olhos, Benjamin — ele me empurrou, pegando-me de surpresa — Por que você está agindo dessa forma? Por que você traiu a Katherine? Quero saber o que aconteceu!

O segundo empurrão foi suficiente para fazer meu limite ser ultrapassado. As últimas quarenta e oito horas foram as piores da minha vida e eu guardei tudo. Ergui meus frágeis muros e impedi que todas as minhas emoções saíssem. Foi como se os empurrões de Will fossem o suficiente para abalar minhas estruturas e fazê-las ruir.

Primeiro Amor • Livro 1 | Série Por AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora