34. KATHERINE

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Pensei que nunca mais colocaria os pés nesta casa e parte minha se incomodava muito com isso. Não pelo local em si, mas pelo lar que criei ao lado de Benjamin neste lugar; por cada momento vivido; pelas lágrimas derramadas e pelas gargalhadas que estas paredes presenciaram. Este lugar viu nosso amor nascer.

Enquanto dirigia até aqui, planejei um discurso longo para dizer o que sinto, para explicar o que senti e contar minhas expectativas para o futuro. Porém, quando o contemplei no jardim com os olhos vermelhos e inchados, como um menino rendido ao Pai, entendi que não precisava de um discurso longo e ensaiado, principalmente depois do que enfrentamos. Tudo o que eu precisava era dizer a Benjamin que eu também nunca deixei de amá-lo e que o desejo de passar o resto da vida ao seu lado permaneceu intacto, apesar de algumas vezes eu tentar tirá-lo de meu peito.

— Ainda estou tentando decifrar se você voltou porque me ama ou se foi pela comida da Judith — Ben chama minha atenção, enquanto como minha segunda fatia de bolo de chocolate.

— Um pouco dos dois — pondero, fazendo-o rir.

— Lauren e papai mandaram mensagem e disseram que vêm tomar café comigo, acredito que sua mãe e Bruce também virão. O Will também disse que está a caminho, o que tornará o momento perfeito para contar que estamos juntos.

— Senti falta da nossa família — seguro sua mão sobre a mesa — Como tem sido sua recuperação? Você sente dor?

— Estou tomando algumas medicações que o médico prescreveu, mas a cirurgia foi um sucesso. Às vezes sinto algum desconforto, nada que não seja normal. Vou demorar algum tempo para voltar a correr — ele acaricia minha mão — Como andam as coisas com o Robert? Meu pai comentou que vocês estão convivendo.

— É estranho, sabe? Eu não o vejo como o via quando ele retornou, está mais fácil de lidar. Ainda assim, sei que não o perdoei por completo.

— E o trabalho na cafeteria? Pretende voltar para o ateliê?

— Se Lauren me aceitar — dou de ombros — Gosto de trabalhar na cafeteria, mas era muito mais divertido trabalhar com a sua irmã — confesso, sorrindo em seguida.

O Underwood revira os olhos e fecha a cara ao ver Jeff entrando – novamente – na sala de jantar. O mordomo, Olga e Judith não esconderam a felicidade quando nos viram juntos na cozinha, há alguns minutos. Eles foram os primeiros a saber da nossa volta e Jeff, sem dúvida, foi o que mais demonstrou sua alegria, seja em gritos — contidos e animados — seguido de lágrimas. Após isso, o homem apareceu duas vezes na sala de jantar para ratificar o que sentia. Eu acho fofo, muito fofo. Além de ser nobre da parte de Jeff demonstrar que se importa conosco de verdade. Por outro lado, Benjamin já disse que queria um momento a sós comigo para recuperar o tempo perdido.

— Jeffrey, o que você quer?

— Para um homem que recuperou o amor da sua vida, o senhor está muito estressado — o mordomo o provoca em meio à sua sinceridade, luto para segurar o riso. Definitivamente, senti falta de tudo isso — Só vim avisar que o resto da família está chegando e é claro que eu quero ver a expressão de surpresa de cada um deles quando os vir juntos.

— Senti falta da sua alegria, Jeff.

— Nós todos sentimos sua falta também, Katherine. Fico feliz que as coisas tenham terminado bem.

Os próximos minutos seguiram com Jeff tagarelando e contando em detalhes como Benjamin agiu em minha ausência. Até o Underwood se obrigou a rir e rendeu-se a contagiante alegria de Jeff.

O silêncio reina no instante seguinte, enquanto um sorriso bobo brinca em meus lábios, à medida que minha mãe, Rick, Lauren, Bruce, Lucy e Will nos encaram com a surpresa estampada em suas testas.

Primeiro Amor • Livro 1 | Série Por AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora