— Ben! — sacudo-o pela terceira vez — Nosso filho nascerá com cara de pizza e a culpa é sua.
— São dez da noite, amor — murmura, ainda com os olhos fechados — Posso preparar qualquer outra coisa para você.
— Mas eu quero a melhor pizza de Boston — minha voz manhosa soa pelo quarto pouco iluminado.
— Eu posso fazer macarrão...
— Ben, pizza, por favor.
Em um suspiro, meu marido senta-se na cama e acende o abajur. Vislumbro seu rosto sonolento e amassado, sem conseguir conter um sorriso vitorioso nos lábios. Benjamin veste sua camiseta e a calça de moletom e se põe de pé.
— Aonde vai? — encara-me com o cenho franzido.
— Eu vou com você — dou de ombros, vestindo seu moletom e uma calça jeans.
— Está frio. Volte para a cama, ok? Eu volto rápido.
— Eu vou com você — deixo um selinho em seus lábios.
Estou com três meses de gestação e tem pouquíssimo tempo que descobrimos a gravidez. A reação de nossos familiares foi a melhor possível. Nosso bebê nem nasceu e já é muito mimado e amado. Benjamin tem sido a melhor parte da minha gravidez até o momento. Meu marido tem sido cuidadoso ao extremo e feito todas as minhas vontades. Talvez eu esteja me aproveitando um pouco da sua boa vontade? Talvez. Mas eu estou grávida.
Agora é um exemplo. Estou com uma vontade enorme de comer a melhor pizza de Boston. O chamei várias vezes e só ouvi resmungos, porém, depois de algumas sacudidas aqui estamos nós: rumo a minha pizzaria favorita. Eu os chamei no Instagram e me informaram que o motoboy se machucou esta noite e estavam sem delivery.
— Você vai querer comer lá?
— Pode ser — dou de ombros — Desculpe tirá-lo da cama a essa hora.
— Tudo por você e nosso bebê — responde-me entre um bocejo, fazendo-me rir.
— Eu acho que é um menino — encaro seus olhos azuis.
— Tenho certeza que será tão bonito quanto o pai.
Reviro os olhos.
— Então, teremos um bebê muito apresentável.
— Isso não foi fofo, Frozen.
O Underwood finge estar bravo. Rio de sua expressão. Levo minha mão ao seu rosto e deixo um leve carinho em sua barba.
— Você sabe que eu te amo.
— Eu também te amo, Frozen. Muito.
É verídico quando dizem que, quando estamos frente a frente com morte, nossa vida inteira passa diante de nossos olhos. Eu tinha seis anos de novo, vi meu pai sair pelo portão, o ouvi no telefone, vi minha mãe ser forte por mim durante tanto tempo; ouvi seu diagnóstico e me vi diante da porta do escritório de Benjamin, prestes a fazer-lhe uma proposta em troca de um milhão de dólares; vi nosso primeiro casamento, o reencontro com Robert após quinze anos e como Kellan Ferris me atacou; revivi o momento em que me dei conta de que o amava e como foi difícil entregar-me a tal sentimento; vi mamãe descobrir sobre nosso acordo; o fatídico jantar na casa de Robert em Paris e como Benjamin e eu admitimos estar apaixonados; revisitei cada sessão de terapia, cada culto, devocional e corridas matinais, assim como o dia em que me rendi ao Underwood e ele partiu meu coração; nos vi assinando o divórcio, vi-me confrontando ele diante de um lago e sua alegação “eu nunca deixei de te amar”; ouvi o som do monitor cardíaco e minhas súplicas a Deus pela sua vida; vi Camile Potter revelando a verdade e Robert incentivando-me a dar uma chance ao amor. Deparei-me com o jardim, um pedido mágico e um casamento perfeito, junto do anúncio da chegada do nosso filho.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Primeiro Amor • Livro 1 | Série Por Amor
RomanceKatherine Coleman vê sua rotina monótona dar uma reviravolta quando sua mãe é diagnosticada com uma rara doença crônica, fazendo-a caminhar sobre a linha tênue que há entre a vida e a morte. Com uma situação financeira delicada e mais exames e trata...