Hufflepuff x Gryffindor

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Troye's POV:

Acordei cedo na manhã que seguiu ao jantar constrangedor com o professor Slughorn, esfreguei meus olhos e encarei a parte da cama que ficava sobre a minha cabeça, pisquei forte e me sentei. Enquanto levantava, observei o quarto e notei que Phil não estava lá, pensei que talvez ele tivesse se levantado mais cedo, mas desisti da ideia, porque, afinal de contas, era o Phil.
Me arrumei para a aula de herbologia e desci para o salão comunal, ainda não tinha nenhum sinal do outro rapaz, imaginei que pudera ter acontecido alguma coisa ontem depois que eu o deixei na sala do professor Slughorn, mas, se tivesse acontecido, não seria minha culpa, seria? Quer dizer, ele me fez chegar atrasado, por causa dele passei vergonha. Não havia visto problema em te-lo deixado, não era de se pensar que eu o esperasse.
Saí do salão e dei de cara com a Louise esbravejando, sacudia suas vestes azuis enquanto gesticulava grandiosamente e falava tão alto e rápido que eu quase não compreendia uma palavra. Apenas entendi que se tratava de Phil. Mesmo gritando e acelerando a fala ela não perdia o fôlego, sua voz soava cada vez mais alta e ecoante no corredor quase vazio, atraindo olhares dos alunos que passavam.
— Louise. — Chamei, mas ela não estava ouvindo. — Louise. — Falei mais alto, mas ainda nada. — Louise! — Consegui sua atenção ao gritar. — Do que você está falando?
Ela me contou uma história um tanto complicada sobre o que tinha acontecido na noite anterior, sobre alunos da Sonserina jogando feitiços em Phil e um tal de Dan salvando ele. No final das contas ele estava bem, mas, ainda assim, Louise conseguiu me fazer sentir culpado e ir até a enfermaria.
Segui para o salão principal, tomei meu desjejum e fui às pressas para conseguir ver Phil antes do jogo de quadribol.

— Oi Phil — ele se sentou, como se tentasse mostrar que estava bem, e sorriu, sentei perto do pé da cama hesitante.
— Oi — podia-se dizer que não estava em um bom humor, por isso me apressei em pedir desculpas e dizer que jamais ia querer que algo assim acontecesse com ele.
— Não é culpa sua, — Phil sorriu amarelo e pediu — mas será que poderia avisar a Nathalia Beilickov que não vou poder jogar contra a Grifinória hoje?!
Respondi positivamente, não podia deixar de me sentir culpado, se eu não o tivesse deixado, talvez, isso não tivesse acontecido, ou talvez tivesse, não sei o que pensar. Perguntei como ele estava e ficamos conversando por um tempo, até madame Pomfray chegar e me mandar ir embora. Levantei e me desculpei novamente e, novamente, ele disse que não fora minha culpa, acenei e deixei a enfermaria a caminho do campo de quadribol em busca de Nathalia Belickov.

Algum tempo havia se passado e nem sinal de Nathalia, olhei no salão principal, na tenda da Lufa-Lufa e até procurei no nossa sala comunal. Enquanto buscava pelos arredores do campo de quadribol vi um menino baixinho de cabelos verdes cor-de-menta andando, era a única pessoa que não estava correndo ou gritando por causa do jogo, apertei o passo para alcançá-lo.
— Com licença. — Ele se virou e eu pude ver que era o menino com quem Phil havia trombado no dia anterior à caminho do jantar, o qual eu prefiro esquecer.
— Sim? — ele respondeu simpático e sorridente enquanto se virava para mim.
— Você conhece Nathalia Belickov? — ele assentiu — Sabe onde ela pode estar? Realmente preciso falar com ela.
— Acho que devo te-la visto a caminho das estufas, — então o menino franziu o cenho e perguntou — está tudo bem? — eu sabia que o desespero estava estampado na minha cara, precisaríamos achar um substituto para Phil ou não haveria jogo.
— Acho que sim, — cocei a nuca pensativo, tentando descobrir porque Belickov iria para as estufas e para qual delas estava indo — quer dizer... Hmm, na verdade deixa pra lá.
O garoto insistiu algumas vezes para que eu lhe contasse o que se passava e acabei cedendo, ele foi bem simpático e ofereceu ajuda, mas eu apenas pedi para que ele avisasse Nathalia que eu estava procurando por ela caso a visse por ali, ele sorriu em concordância enquanto mexia a mão frente ao corpo como quem diz "não se preocupe", sorri de volta e começei a me afastar.
— Sou Tyler a propósito — ele disse me fazendo virar.
— Troye, — estendi a mão para que apertasse e ele o fez — bom te conhecer.
— O prazer é meu. — Disse ainda sorrindo.
Assim que deixei Tyler fui procurar Nathalia, pensei que talvez pudesse ter ido atrás da professora Sprout para perguntar sobre Phil e não errei. Ao encontrá-la, perguntou se eu sabia dele e eu lhe comuniquei que estava ferido e que não poderia jogar, ela quase me estuporou por causa da notícia, metralhando-me com perguntas a respeito do ocorrido, do tipo porquê e como ele se machucara. Depois de te-la respondido ficou ainda mais zangada e começou a surtar sobre o que fazer, eu sugeri que buscasse por um substituto e ela me fuzilou com o olhar, que logo viraram doces e pedintes.
— Não, — respondi antes que ela pudesse perguntar — tenho responsabilidades de monitor para cuidar. — O que não era totalmente mentira.
— Tá... — Ela bufou revirando os olhos. — E aquela sua amiga Zoe? — a ideia não estava entre as piores, mas eu sabia que Zoe não ia gostar, contudo não via melhor alternativa, portanto assenti e disse que ela estaria na arquibancada para ver o jogo.
Deixei Belickov para trás e comecei a ir a enfermaria para ver Phil, mas mudei de ideia no meio do caminho e fui aproveitar o silêncio da biblioteca para estudar história da magia. Um dia eu ainda ia matar aquele fantasma maluco. Eu odeio essa aula!

Tyler's POV:

Estava quase na hora do jogo e Lufa-Lufa ainda não estava em campo, lembrei-me do menino que conversará mais cedo, Troye. Ele havia dito que estavam sem apanhador, o rapaz, Phil Lester, estava na enfermaria devido à algo feito por alunos da Sonserina na noite anterior. Se a memória não me falha, acredito que Dan tenha me contado sobre isso nessa manhã.
Eu já havia tomado meu posto e anunciado o atraso do jogo quando os times entraram em campo, Lufa-Lufa havia substituído seu apanhador por uma menina não muito alta com cabelos escuros que não estava nada feliz com a situação. Espremi os olhos para vê-la e, quando a reconheci, compreendi imediatamente o mau humor, era Zoe Sugg, uma amiga próxima, ela odiava quadribol.
Voltei-me para os espectadores anunciando que a goles fora lançada, naquele instante os batedores voam como raios em direção aos balaços e sem muita espera um artilheiro lufano é derrubado de sua vassoura caindo inconsciente na areia macia. O jogo não ia bem para a casa amarela e eu já havia anunciado ao público. A Grifinória já havia marcado setenta pontos e a Lufa-Lufa apenas dez nos primeiros quinze minutos de jogo. Zoe era melhor que Phil como apanhadora e isso era claro, portanto a disputa pelo pomo estava difícil. Um balaço quase acertou em cheio a cabeça da menina, mas ela se abaixou em um brilhante desvio, no entanto, a bola voltou, chocando-se contra um dos pés do apanhador da Grifinória, causado um estalo alto e um urro de dor e, isso, deu a srt. Sugg a vantagem que precisava. Será que a vitória seria da Lufa-Lufa? Sua mão estava a centímetros do pequenina esfera dourada quando o apanhador nas vestes vermelhas de sua casa, passou voando frente a ela, agarrando o pomo e garantindo a vitória a Grifinória, com o jogo terminado em 250 a 50 pontos.

Fui ao banheiro a caminho da comemoração  no salão comunal de minha casa onde encontrei Troye. Ele parecia preocupado enquanto esfregava o rosto com nada mais que uma boa quantidade de água.
— Está tudo bem? — ele me olhou sem demonstrar sentimento algum me fazendo questionar se eu deveria ou não tê-lo perguntado.
— Só estou um pouco... — Ele pareceu pensar enquanto secava o rosto em sua capa radiante. — chateado, sabe, por causa do jogo.
Sorri torto e passei a mão pelo meu cabelo pensativo.
— Acho que tem mais alguma coisa te incomodando. — Foi um comentário arriscado, pensei que pudesse ter invadido demais sua privacidade, mas já era tarde pois a preocupação falou mais alto. — Você pode me contar, se quiser.
— Não se preocupe, estou bem. — Troye sorriu forçadamente e seguiu a caminho da porta enquanto eu lavava as minhas mãos. O silêncio pousou por instante antes que eu as secasse.
— Você que sabe — tentei ser o mais sítio possível — estou aqui, se precisar. — Olhei para o lado tentando ter certeza de que ele ainda estava ali, mas havia saído do banheiro.
Estava sentado no chão ao lado da porta com o as pernas cruzadas e as mãos brincando com os entalhos da varinha. Sentei-me ao lado do batente oposto e comecei a observar o chão entre meus pés, Troye foi quem falou primeiro.
— Só estou preocupado. — Ele me olhou por um instante, mas, antes que eu pudesse fazer o mesmo, voltou sua atenção a varinha. — O que aqueles alunos fizeram com Phil só por ele ser nascido trouxa me fez perguntar se eu posso ser... — ele hesitou por uma momento — Hmmm... Eu mesmo.
— Sabe, também sou diferente da maioria dos outros meninos, — olhei pra o lado e naquele instante ele desviou o olhar. — e quando eu contei para as pessoas que sou gay nada aconteceu comigo. Eu não estava sozinho, isso era importante e você também não vai estar. Eu vou estar aqui pra você. — Ele sorriu pra mim. — Quem é "você mesmo"?
Um momento de silêncio se seguiu antes que ele decidisse se responderia.
— Como você. — O silêncio se instaurou novamente antes que ele começasse a rir.
— O que? — Perguntei.
Ainda rindo Troye disse que finalmente dizer que era gay alto para alguém que não fossem seus pais era bom. Ele se sentia mais leve. Disse que dava vontade de gritar quem era para que o eco respondesse. E nós dois começamos a fazê-lo repetidamente e depois de algum tempo paramos por causa das risadas que não nos permitiam falar. Já sem fôlego, repousamos a cabeça pesadamente na parede e apenas sorrimos um para o outro.

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