Capítulo 1

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Dar aula era um sonho que eu tinha desde menina, e apesar do problema financeiro que tínhamos há anos, foi algo que minha família sempre me apoiou para concretiza-lo. Porém eu estava amedrontada demais para comemorar essa conquista.

Mais ainda pelo fato de estar falando há mais de meia hora sobre literatura e sua origem, e a classe toda parecer não estar no mesmo lugar que eu. Eu realmente não sabia como lidar com meus alunos, e eles não pareciam querer aprender a lidar comigo.

Suspirei ao ouvir o sinal avisando o término da aula, agradecendo mentalmente por poder sair daquela sala.

Eu não tinha certeza se era para minha sorte ou azar, mas eu só daria a primeira aula da segunda feira, o que me permitiria ir para casa mais cedo. Sorte por não ter que enfrentar outra turma no meu primeiro dia. Azar pelo fato de receber meu salário conforme a quantidade de aulas que eu daria.

Respirei fundo ao sentar no banco do motorista, jogando minhas coisas no banco de trás.

Eu me sentia péssima.

Agarrei no volante com força, encostando a testa sobre o mesmo com os olhos fechados.

Com certeza meu pai gostaria de ter detalhes sobre o meu dia, e eu não tinha certeza se gostaria de dizer a ele que cheguei a beirar o fracasso.

Duas batidas no vidro me fizeram erguer a cabeça e olhar para o lado, dando de cara com Cato, que sorria abertamente pra mim.

Franzi as sobrancelhas estranhando sua simpatia, mas decidi falar com ele.

Abri a janela com dificuldade, usando a manivela que vivia emperrada por culpa da velhice do carro.

– Já tá indo embora? – perguntou curvando-se ligeiramente em minha direção.

– Sim. Só tenho uma aula hoje. – respondi apreensiva.

– É uma pena, senhorita Everdeen. Eu queria te mostrar a escola. – Cato sorrio novamente, fazendo-me retribuir o sorriso.

– Quem sabe amanhã.

– Claro. Por que não? – ele manteve o sorriso em seus lábios. – Foi mal pelo pessoal hoje. Eu gostei da sua aula.

– Obrigada. – meu corpo pareceu relaxar instantaneamente ao ouvi-lo dizer aquilo. – Estava indo embora achando que fui horrível.

– É que você é muito delicada. As pessoas não acreditam que você possa ser uma professora má como tentou mostrar quando chegou. – comentou, e eu juro que senti minhas bochechas esquentarem. – Mas isso não te faz ser uma professora ruim. Com o tempo eles te respeitam.

Sorri pra ele, e olhei pra frente.

– Achei que você seria um dos que me traria problemas, apenas por me olhar daquele jeito quando te fiz ler o quadro. – disse sinceramente, ouvindo-o rir.

Voltei a olha-lo, notando que Cato havia se afastado do carro.

– Às vezes eu dou. – ele sorrio. – Mas não acho que você precise de mais um aluno para dar problemas, senhorita Everdeen.

– Realmente não preciso. – soltei um riso baixo. – Eu preciso ir, Cato. E acho que você deveria estar em outra aula agora. – falei colocando a chave no contato.

– Quem se importa com a outra aula? – pude vê-lo dar de ombros. – Tenha um bom dia.

Neguei com a cabeça, dando um pequeno sorriso.

– Você também. – dei a partida. – E vá assistir aula.

– A senhora quem manda. – Cato bateu continência pra mim, e ergueu a sobrancelha esquerda, dando um sorrisinho.

O Sol em meio à tempestadeOnde histórias criam vida. Descubra agora