– Ah, Christopher estou mega ansiosa. – Respondo.
– Então vamos. – Ele diz.
Entramos em seu carro e vamos ao tal destino que Christopher preparou. No carro conversamos sobre coisas bobas. Ele pergunta sobre o que eu quero falar, mas prefiro conversar com ele quando estivermos mais a vontade. Tenho que compartilhar com ele o que passei quando houve o assalto no banco. Tenho que dizer a ele que perdi meu melhor amigo lá. Ele sabe que passe por tudo aquilo, mas não sabe dos detalhes. Não sabe que foi horrível.
Penso se é mesmo uma boa contar tudo para Christopher. De como sinto medo, e não queria assumir esse posto novamente no banco, pois ele pode ficar apreensivo por mim e ficar preocupado. Mas ele também é a única pessoa com quem posso conversar que talvez me entenda e me dê bons conselhos. Já disse que ele tem sido como o Poncho era para mim.
Finalmente chegamos a um lugar não muito bonito. Parece uma rua abandonada. Olho pela janela do carro e fico assustada. "Que diacho de lugar é esse?" me pergunto. Christopher para o carro e desce. Faço o mesmo. Quando desço ele para em minha frente e apoia o braço no carro impedindo minha locomoção.
– E ai? O que achou? – Christopher pergunta.
– Quero saber onde estamos.
– Bem... – Ele hesita – Aqui é uma pequena vila onde eu morava quando era criança com os meus pais.
– E por que... Por que está assim? Tudo abandonado?
– Nós morávamos naquela casa ali ó – Ele diz apontando para uma casa linda de dois andares. Não muito grande, porém linda. – Mas, disseram que iam construir uma fábrica de veículos aqui e aí deram a vila um mês para sairmos de nossa casa porque seriam demolidas. Algumas pessoas tinham dinheiro e conseguiram se mudar, outras simplesmente não tiveram para onde ir.
Fico branca a cada palavra que Christopher solta. Não posso imaginar que Christopher tenha passado por algo assim. No mínimo ele foi uma das pessoas que conseguiram comprar outras casas. Do jeito que ele tem dinheiro.
– E vocês compraram outra casa? – Pergunto.
– Não. – Ele balança a cabeça em sinal de negativo. – Nós não tínhamos para onde ir. E nem família.
– Ai meu Deus Christopher! – Fico pasma, sem ação.
– Não precisa ficar assim. Moramos na rua por um tempo, mas depois meu pai... – Christopher pestaneja – meu pai deu um jeito. E depois a gente se reergueu.
– Ai Christopher, eu sinto muito. – Digo com o coração partido.
– Dulce, não há porque se desculpar. Eu na verdade não trouxe você aqui por causa da história triste. Mas sim, porque aqui me trás boas recordações.
– Como assim?
– Meus tempos de menino. Eu não tinha maldade.
– Que fofo Christopher, mas... Eles não demoliram as casas. Então porque vocês não voltaram?
– Eles tiraram um direito que era nosso. Houve uma grande confusão e no final a empresa que iria construir a fábrica desistiu, passou do prazo e ficamos na rua e as casas abandonadas. Tudo ficou por isso mesmo.
– Nossa, Christopher!
– Tudo bem Dulce. Vamos entrar? – Diz levando-me a caminho de sua antiga casa.
– Espera! – Paro.
– O que?
– Você vai entrar nessa casa?
– Sim.
– Não, Christopher. Deve estar cheio de ratos e baratas e... – Christopher me corta.
– Não tem não. Eu prometo.
– Christopher eu... – Ele me corta novamente.
– Confia em mim? – Ele pergunta.
– Tudo bem – Respiro fundo e entro na casa com ele.
Quando vamos entrando na casa, o primeiro corredor está cheio de teias de aranha totalmente abandonado. Muita poeira e sujeira. Começo a sentir medo do Christopher e imagino que ele possa ser algum tipo de louco maníaco. "Depois de me contar uma história horrível daquelas, ele quer me levar para dentro de uma casa abandonada? Se eu já não tivesse feito amor com ele juraria que ele iria me estuprar." Penso.
Balanço a cabeça com os meus pensamentos ridículos. Claro que Christopher não é nenhum louco. Passamos pela sala de sua antiga casa. Os móveis velhos permanecem no mesmo lugar. Christopher começa a subir as escadas que estão cheias de poeira e teias de aranha. Quando chegamos a um corredor do segundo andar eu paro...
– Christopher, aquilo é um morcego? – Aponto para um cantinho no teto.
– É... sim – Ele diz – Mas não se preocupe, eu estou aqui.
– Christopher eu quero voltar.
– Ah, Dulce. Falta pouquinho. Vamos.
– Por ali não passo nem morta.
– Dulce, por favor.
– Christopher, odeio morcego.
– Ele não vai sair dali enquanto não escurecer.
– Mas já está quase escurecendo.
– Mas ainda não escureceu. Vamos! – Ele me diz.
– Christopher, acho bom valer a pena você me fazer passar por isso.
– Vai valer.
Quando passamos pelo morcego ele nem ao menos se move. Fico mais tranquila. Christopher para em frente a uma porta e a abre. Quando entramos fico surpreendida com o que vejo...
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Aquele Olhar - VONDY
FanfictionVocê acredita em amor a primeira vista? Acredita que um simples olhar possa mudar todo o rumo de uma vida? Acredita que exista um tempo e um lugar certo para se apaixonar? Nessa história, Dulce Maria, uma jovem muito bem sucedida em sua vida tanto...