2 Semana depois... Sábado.
Sábado passado foi à visita que a Anahí e Maite fizeram à Dulce. Daqui a pouco Annie deve chegar para me contar como foi a viagem e me mostrar as fotos de Dulce. Fiz a barba, me penteei. Fui ao barbeiro daqui do presídio e agora estou com o cabelo baixo cortadinho. Estou impecável só que continuo parecendo um marginal sem minhas roupas de grife que eu tinha o costume de usar. Também, olha o lugar que agora chamo de casa, ou que pelo menos tenho que chamar por um longo tempo.
Chega a hora da minha visita e o guarda me buscar para me levar para a sala de visitas. Assim que chego lá Anahí está sentada a minha frente, mas o sorriso que eu estava esperando me receber não está lá. E sim um olhar triste e cabisbaixo.
– Annie o que houve com a Dulce? – Pergunto assim que me sento em sua frente.
– Ai Christopher... – Ela hesita.
– O que aconteceu?
– Você cortou o cabelo e fez a barba! Está tão diferente! – Annie tenta disfarçar.
– Anahí, não me enrola. – Digo.
– Tudo bem. – Ela respira fundo – Não trago boas notícias.
– Ela está com outro? – Pergunto.
– Pior. – Ela diz.
– Para com esse suspense po**a! – Começo a me alterar.
– Calma, Christopher. – Diz Annie assustada com a minha reação.
– Ok – Respiro fundo – Desculpa Annie! Mas me diz o que aconteceu com a Dulce?
– A Dul... – Ela faz a porcaria do suspense de novo.
– Anahí, é sério. Eu não tenho sangue frio.
– Ok. A Dul mudou muito. Chegamos lá e... Nossa, Christopher!
– Tá! Ela mudou, mas mudou como? Ela está com algum namorado?
– Vou te explicar, mas primeiro você só me escuta ok?
– Ok. – Digo curioso.
– A Dulce se tornou dependente alcoólica. E...
– O que? – Pergunto perplexo com o que Annie diz.
– Falei pra você só me escutar.
– Ok, mas... – Não concluo e deixo que Annie fale.
– A mãe dela nos contou que quando ela chegou lá. Ela só chorava, chorava e chorava, e quase entrou em uma depressão avançada. Passava noites sonhando e chamando seu nome Christopher. Ela chegou um dia a ficar com 40º de febre e delirando. Tudo emocionalmente. Quando ela começou a ir a um psicólogo ela foi melhorando, mas continuava triste. Até que então, um dia ela conheceu umas meninas em um bar que ela foi com Max quando ainda estava se recuperando da depressão e começou a sair com elas. Começou a beber, chegar tarde e as vezes ficava 2 dias sem dar as caras em casa. Ela ainda não está trabalhando em um emprego fixo, mas todo o dinheirinho que ela ganha trabalhando na loja da mãe ela gasta com bebidas nas saídas com essas amigas. A Dulce parou de ir ao psicólogo, mas a mãe dela começou a ir para saber como lidar com ela e a psicóloga disse que a única forma de esconder a dor pela falta que você faz nela é bebendo. Por fim, nós chegamos lá no sábado e a Dulce não estava. Como a mãe dela disse, tem dias que ela some. E a mãe dela disse que tentou impedi-la de sair na sexta, lembrou-a de que eu e Maite iríamos chegar no sábado, mas ela disse que viria nem que fosse sábado de manhã. E pra acabar, Dulce só chegou no domingo de manhã em um estado decadente, Christopher. Você tinha que ver.
Annie termina de falar em prantos. E eu também estou chorando. Minha Dulce, minha ruiva dependente alcoólica.
– É tudo culpa minha Annie – Digo entre lágrimas – Eu estraguei a vida da Dulce, Annie. Ela não merecia estar assim.
– Calma Christopher. Eu e a May vamos tentar ajudar a ela.
– Eu sou o único culpado. – Digo balançando a cabeça.
– Christopher se acalma... – Annie nem tem tempo de terminar a frase quando o guarda entra na sala dizendo que tenho mais uma visita.
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Aquele Olhar - VONDY
FanfictionVocê acredita em amor a primeira vista? Acredita que um simples olhar possa mudar todo o rumo de uma vida? Acredita que exista um tempo e um lugar certo para se apaixonar? Nessa história, Dulce Maria, uma jovem muito bem sucedida em sua vida tanto...