O Cérebro

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23 de outubro de 2016

Caro Xavier,

Ainda estou me recuperando do dia de hoje. Aconteceram coisas que mudaram a minha vida! Mas bem, vamos começar pelo início.

Tudo começou normal, tivemos aula de História com o professor Fera, e ele nos falou sobre Napoleão Bonaparte e uma teoria de que ele seria um mutante mas não acredito muito. Eu e Dick nadamos um pouco na piscina e decidimos lutar um contra o outro. Absorvi a pedra da borda da piscina, mas esqueci que pedra não boia, então caí no fundo da piscina. Dick, que estava em seus domínios, a água, me remexeu para lá e para cá controlando a água apenas para me sacanear, e durante um momento em que ele sem querer me aproximou dele mesmo, eu quase acertei um soco de pedra em sua cara, mas ele escapou e acabou me derrotando.

Mas a verdadeira aventura começou quando eu estava indo para o dormitório, no fim do dia, para escrever justamente nesse lindo diário com o qual estou falando agora. De repente, a voz de Lilian soou, atrás de mim:

- Jack! Quero te mostrar uma coisa!

Me virei lentamente, quase petrificado pela emoção. Um calafrio de entusiasmo percorreu meu corpo. Não era todo dia que Lilian me chamava no corredor vazio e falava que queria me mostrar alguma coisa. O que poderia ser?

Ela estava linda como sempre, os olhos verdes penetrantes e espertos enxergando todo o meu interior, porém agora eles possuíam um brilho de entusiasmo, ao invés do olhar que nos analisava completamente que Lilian costumava usar.

- E o que seria? - Perguntei.

- Venha! - Falou ela, e puxou minha mão. Admito que perdi o fôlego com o toque. 

Ela correu comigo pelos corredores, mas eu só conseguia olhar os seus brilhantes cabelos ruivos, e nem prestava atenção no local aonde estávamos indo.

É aqui. - Falou ela, parando de repente.

Olhei para frente e vi que o corredor acabava ali, não havia mais saídas. E à minha frente estava uma porta com um "X" de metal incrustado. Admirei a porta, e descobri que havia um reconhecimento por íris para entrar.

- Meu avô sempre tenta manter essa sala escondida dos alunos. - Falou ela. - Mas ele abre uma exceção para mim.

Ela colocou o olho em frente ao dispositivo de reconhecimento, que escaneou o olho dela, e então uma voz soou:

- Bem-Vinda, Lilian Xavier.

A porta se abriu e lá dentro havia um corredor, comprido, que terminava em uma plataforma onde estava uma cadeira virada para um painel. As luzes do corredor e o painel se ascenderam quando a porta abriu.

- O que é isso? - Perguntei, surpreso.

Ela sorriu para mim.

- Isso, Jack, é o Cérebro. Venha. - E eu a segui.

Ao redor da plataforma havia apenas um abismo, que parecia não ter fim, e estremeci ao passar. Chegamos à cadeira e ao painel, e em cima do painel havia um acessório que lembrava um capacete, porém repleto de fios e um pouco diferente.

- Por meio dessa sala - Disse Lilian, animada - o Professor Xavier pode ver todos os mutantes do mundo. Todos os cérebros deles podem ser acessados aqui, por isso se chama o "Cérebro".

"E deve ser assim que o Professor me encontrou", pensei, me lembrando de quando os X-Men haviam me resgatado, junto com outros mutantes incluindo o meu maior inimigo, o Dragão, do maligno Doutor Hors. Porém, pelo que eu sabia, o Dragão não quisera ir embora, pois aparentemente Hors o tratava bem. A aliança dos maus. Estremeci e tentei esquecer aquela época infeliz, e olhei ao redor a sala, admirado.

- Você quer ver como funciona? - Perguntou ela, com um brilho de desafio nos olhos.

Me senti tentado a concordar, só para deixá-la feliz, mas eu, ironicamente precisava botar algum juízo naquela cabeça genial.

- Lilian. - Falei. - Não sei se isso vai dar certo. Não é muito arriscado?

Ela descartou a possibilidade.

- Eu possuo telepatia e telecinese. - Disse ela. - E sou neta do Professor Xavier, e já vi ele fazendo isso. Eu acho que consigo.

- Você já fez isso antes?

- Não. - Admitiu ela, dando de ombros, mas pegou o acessório que parecia um capacete.

- Cuidado. - Falei.

- Pode deixar. - Falou ela, e colocou o acessório na cabeça.

Eu acho que ela estava confiante demais, por isso colocou. Mas a princípio ela soltou um grito, e pensei que a cabeça dela fosse explodir. Porém, ela acabou se controlando, e ao nosso redor, de repente, estavam todas as mentes de todo o mundo. Não havia como descrever. Elas passavam ao nosso redor, milhares de pessoas, cada um com seus pensamentos e sentimentos, e entre eles haviam vários "vermelhos", que eram os mutantes. Lilian sorriu para mim, para mostrar que estava controlando o poder.

Mas um segundo depois, algo parecia errado. Eram muitas mentes, muitas vozes ao mesmo tempo, o rosto de Lilian começou a se contorcer de dor. Ela não estava mais aguentando as vozes, e de repente começou a gritar de verdade. Me adiantei, nervoso, tentando retirar o equipamento da cabeça dela sem machucá-la, e foi difícil sair, mas acabou saindo, junto com várias faíscas de eletricidade. Lilian caiu para trás, pois havia acontecido uma mini-explosão, e ela havia sido jogada para trás. Custei a segurá-la para não cairmos no abismo, mas segurei.

Ela abriu os olhos lentamente.

- O que aconteceu? - Perguntou.

- Quase morremos. - Respondi, rindo de nossa sorte.

Ela riu também, e então, de súbito, se ergueu e me beijou.

Foi um dos melhores momentos da minha vida, e foi bastante rápido, mas pareceu durar vários minutos para mim. No fim eu estava meio atordoado com o beijo e ainda a bela visão de seu rosto sobre os meus braços.

Foi quando uma voz veio da porta:

- Tsc Tsc. Aqui não é um lugar adequado para beijar garotos, Lilian.

Era o Professor X. 

Nós tentamos justificar tudo para ele, mas ele proibiu Lilian de voltar até a sala, cortando o acesso por íris dela. Ele olhou de cara feia para mim, e acho que o Professor Xavier considerou ter me deixado com o Doutor Hors naquele momento, mas eu não ligo. Tudo o que liga é que eu beijei Lilian. Ainda estou pensando naquilo, e vou continuar pensando até dormir, para então sonhar com isso. E depois, o terceiro desafio. Mas estou pronto pra qualquer coisa!

Jack Mason

A Vida de um Mutante no Instituto XavierWhere stories live. Discover now