Capítulo 96

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Dulce María

Fico desesperada pedindo para que eles parem de bater no Christopher. Começo a chorar e a gritar enquanto dois amigos de Ramon me seguram para que eu não defenda Christopher e continuam a bater nele. Começo a ver sangue saindo do rosto de Christopher que já está desacordado.

– PARA RAMON! MANDA ELES PARAREM! VOCÊS VÃO MATAR ELE! PAREM! POR FAVOR! – Grito em prantos.

– Ele não estava querendo te estuprar Dulce? Agora ele está tendo o que merece. – Diz Ramon, um dos onze caras, o qual tenho saído esses dias.

– POR FAVOR RAMON PARA! TE IMPLORO! – Suplico.

– Chega! Ele já teve o que merece. – Diz Ramon para os seus comparsas.

Os homens param de bater em Christopher que está desacordado no chão e os que me seguravam me soltam e corro imediatamente até ele.

– Christopher, amor... – Digo em prantos olhando para seu rosto totalmente ensanguentado. – Acorda por favor!! – Mas Christopher está desmaiado.

– Dulce? – Ramon puxa meu braço me levantando do chão. – Do que você chamou ele?

– Me larga Ramon, você viu como deixaram ele? – Respondo tentando me soltar das mãos de Ramon.

– Quem é esse cara? – Ramon pergunta.

– É um amigo da minha mãe. – Respondo.

– Porque você estava gritando que ele queria te estuprar?

– Era brincadeira.

–  Brincadeira Dulce? – Ele pergunta ainda segurando em meu braço.

– É! Não achei que fossem levar a sério. – Respondo.

– Espero que você não esteja mentindo pra mim – Ramon aperta meu queixo com força para que eu o olhe nos olhos – Se eu ficar sabendo que você está com esse cara, vou te fazer o mesmo que fiz com a Valéria.

Ramon me solta e vai embora com seu grupo de vândalos. Volto-me para Christopher que está totalmente ferido. Olho para todos os lados e não tem ninguém que possa socorrê-lo. Não quero ligar para ambulância se não teremos que prestar queixa e isso pode dar um rolo muito grande. Saio do terreno baldio e vou a um armazém e compro uma garrafa de água. Volto correndo e começo a molhar os ferimentos de Christopher. Beijo sua testa chorando...

– Dulce... – Christopher abre os olhos.

– Christopher, não se mexe.

Ligo para minha mãe, digo o que aconteceu e peço para que ela venha nos buscar. Assim que ela chega ela fica boquiaberta ao ver o estado de Christopher, mas não faz perguntas. Sabe que não é o momento. Ela nos deixa no chalé, pois ela tem que cuidar da loja.

Limpo o rosto de Christopher que estava com muito sangue e percebo que os ferimentos não são tão graves como eu pensei, pois era o sangue que estava cobrindo seu rosto dando a impressão de grandes ferimentos. Faço os devidos curativos e só espero dar um sinal de melhora. Ele está com uns galos na testa e alguns machucadinhos no rosto (O que devem ter sido a causa do sangramento) Christopher fica deitado e eu dou uns analgésicos para ele. Após algumas horas ele começa a reagir.

– Dulce, você conhecia aqueles caras? – Christopher pergunta ainda com a voz cambaleada.

– Sim, amor – Respondo.

– Você me chamou de amor? – Pergunta Christopher

– Não Christopher. 

– Tudo bem, Dul. –  Ele não liga muito para minha resposta e pergunta – Você os conhece de onde?

– São uns amigos. Apenas amigos. – Digo.

– E o Ramon? – Christopher pergunta.

– Você ouviu?

– Sim. Consegui escutar algumas coisas... Você está com ele? – Christopher pergunta.

– É... Ramon é um cara com quem estou... Estava ficando.

– Ele te ameaçou Dulce! – Ele diz me olhando nos olhos.

– Ele não vai me fazer nada. – Digo.

– Não vai mesmo. Porque quando eu me recuperar vou dar duas coças nele. Uma por me agredir com um bando de homens juntos e outra por te ameaçar.

– Christopher? Você desmaiou mesmo? – Pergunto.

– Sim, mas acordei rápido. Eram muitos contra mim eu tive que dar meu jeitinho e ficar na minha. – Ele responde.

– Ainda bem que fez isso! – Digo e sorrio.

– Eu vou me vingar desse cara, você vai ver quando eu pegar ele Dulce... – Christopher diz.

– Christopher, por mais que você já tenha sido um grande assaltante ou algo do tipo, eles só andam de bonde e...

– Não me importo. Só espere eu me recuperar.

– Ai, Christopher... – Reviro os olhos – Como você está se sentindo?

– Estou melhor, mas quero saber uma coisa.

– O quê? – Pergunto.

– Você me perdoa? – Christopher pergunta.

– Bem, Christopher. Acho que agora quem te deve perdão sou eu. Tenho sido muito infantil esse tempo todo e fugido dos meus sentimentos. Posso confessar que quase morri vendo os meninos te baterem? Eu não iria aguentar te perder. perder mais alguém que eu amo. Eu percebi ali que...

– Que...?

– Que eu preciso de você. – Respondo.

Aquele Olhar - VONDYOnde histórias criam vida. Descubra agora