Capítulo 113

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– E... Eu não quis dizer... E... Não... – May não sabe o que dizer e eu sinceramente não sei também.

– Olha, May... Eu te entendo, a gente nem devia ter te pedido isso. Só pensamos porque você ajudou na liberdade do Christopher. – Anahí diz finalmente acabando com aquele momento constrangedor.

– É May. Não é por eles, é pela gente. – Digo.

– Não sei como eles podem ter sido tão sortudos de conseguir garotas tão legais como vocês e vocês terem sido tão azaradas de gostarem de caras tão idiotas como eles. – May revira os olhos. – Vocês deviam ser mais inteligentes.

– Que? – Pergunto perplexa.

– É verdade Dulce! A verdade dói amiga, eu sei.

– Você fala tanta verdade que deve ser por isso que você deve estar sozinha até hoje não é mesmo? – Rebato, agora tão seria quanto Maite.

– Ei, ei, ei meninas! – Exclama Annie tentando apaziguar a conversa que acabou levando um rumo errado. – Vamos esquecer isso? Deixa pra lá. Pode deixar o Chris onde está e vamos dar um jeito. Não precisamos brigar, ok?

– É e acho que já deu minha hora né? – Maite diz se levantando do sofá e pegando sua bolsa.

– A Dul volta a trabalhar amanhã Maite? – Anahí pergunta sem pudor nenhum enquanto se levanta do sofá. Depois dessa resposta que eu dei a ela vou trabalhar só se for limpando os banheiros.

– Sim! Boa noite meninas! – Diz Maite assentindo apenas com a cabeça e Annie abre a porta para que ela saia, mas antes a abraça e posso ouvir baixinho que ela diz "Tudo bem, sem problemas.".

De nós três a Annie sempre foi a que levou tudo mais na boa. Sempre foi a que se recupera fácil dos relacionamentos, a que não gosta de brigas, a que quer ajudar, a que geralmente consegue tudo o que quer.
Quando Annie fecha a porta ela abre aqueles olhões dela e diz baixinho "Que noite!", eu sorrio com sua expressão e logo em seguida vejo se formar um sorriso em seu rosto também.

– Pensei que você estava a fim de perder o emprego. – Ela me diz sentando-se ao meu lado.

– Annie, para que ela tenha respeito ela precisa nos respeitar também. Sei que ela não disse nenhuma mentira, mas não tinha necessidade de falar daquela forma. – Digo.

– Se mandássemos em quem queremos amar, seria tudo mais fácil. – Annie diz e percebo que ela está referindo-se a Christian.

– Relaxa Annie! Vamos dar um jeito de tirar o Chris de lá. Não se preocupe! Ele vai sair dessa e você vão se curtir muito. – Sorrio.

– Não vejo a hora. – Annie conclui.

Annie e eu fomos dormir, pois no outro dia acordaríamos cedo para estar no Banco Central e devíamos estar apresentáveis. Eu queria voltar ao banco com o mesmo vigor com que eu ia antes de toda a minha vida mudar por completo após o assalto, então me forcei a pegar no sono o mais rápido possível
.
Eu e Anahí acordamos bem cedo, descansadas e dispostas. Nos arrumamos com calma e paciência, pois estávamos com tempo de sobra. Nos sentamos a mesa, já arrumadas para tomarmos o nosso café da manhã e antes de terminarmos Annie sentiu-se mal e foi vomitar. Eu já estava desconfiada de que Annie estava grávida desde o dia em que ela estava com dores lá na casa de minha mãe, mas mesmo desconfiada eu prefiro acreditar que minhas conclusões estão sendo precipitadas sobre isso.
Claro que uma criança é muito melhor do que qualquer doença, mas acho que esse não é o melhor momento para Annie estar grávida e tenho certeza de que se ela estiver ela vai pensar o mesmo e isso não pode acontecer. A criança, mesmo que ainda no ventre ou mesmo que não esteja cem por cento formada ela precisa sentir-se bem vinda, protegida, recebida, amada e eu temo que Annie não sinta-se assim por não ter Christian por perto, ou pior por Christian não querer assumir, não poder sustenta-la.

Aquele Olhar - VONDYOnde histórias criam vida. Descubra agora