01/04/2010
Brenda passava despreocupada pelo enorme corredor de piso liso, quando avistou através do visor de vidro seu colega de trabalho apagando o quadro. A moça de cabelos curtos girou a maçaneta e sentou-se na primeira cadeira da fileira, esperando que o professor concentrado olhasse para trás.
-Bu! - Emitiu Brenda, assim que Vicente ficou de frente a ela.
- Não me assustei, Brenda. - Ele comentou, guardando os pilotos dentro de sua pasta.
- Hein, você anda bem sumido das nossas reuniões ultimamente, sabia? Estamos preocupados. - Vicente fechou o zíper da pasta e olhou cético para Brenda. Ele sabia que nenhum professor simpatizava com ele ali, exceto Brenda, que forçava a barra para se tornar amiga dele desde o primeiro dia que ele começou a trabalhar naquela escola. Porém, ele não se incomodava em ser repelido pelos colegas, em toda sua vida não fez amigos, a exceção de Cléo, quem ele não enxergava como amiga, então não se importava se os outros olhavam para ele de cara feia ou se não o encaixavam em confraternizações. - Hoje é um dia de celebração!
- Celebração de quê? - Perguntou ele, indo até o interruptor desligar a luz e o ar-condicionado.
-Hoje é véspera de feriado, dia da mentira, e amanhã e sexta-feira. Sabe o quão importante é um feriado na quinta, Vicente? - Assim que o viu girando a maçaneta para sair da sala, ela o seguiu.
- É que eu já tenho um compromisso,sabe? - Disse ele, andando em direção a sala dos professores.
- Ah não! Você sempre diz que tem compromissos, mas dessa vez não! Por favor, Vicente! - Pediu Brenda, segurando no braço do colega de trabalho. Ele respirou fundo.
- Tá bem, Brenda. Onde então, me fala, vai? - A moça de cabelo pixie preto, e olhos azuis sorriu de orelha a orelha, mostrando o espaço entre seus dois dentes da frente.
- Vamos ao Rei do Chopp. - Brenda abriu com pressa a porta da sala dos professores e disse em alto e bom som: - Ei pessoal, o Vicente vai conosco essa noite, tá?!
Alguns tentaram desfarçar dando um sorriso amarelo, outros nem se esforçaram em esconder o constrangimento. Mas o professor de química, Giovani, levantou-se da cadeira onde estava sentado, e passou seu braço pelo ombro de Vicente, que estava inerte observando as reações.
- Opa, mais um pra dividir a nossa conta! - Todos forçaram uma risada, e Vicente se desvencilhou do braço gordo do professor de origem italiana e retribuiu os sorrisos amarelos dando o seu.
- Você é sempre engraçado assim, ou está de bom-humor? - Perguntou Vicente.
- Ah, que isso, você que deve estar de mal-humor! Cola na gente que vai ser sucesso! - Brenda olhava sorridente pela forçada interação de Vicente em seu grupo de amigos.
- Você vai gostar, Vicente! Vamos fazer uma lista negra de alunos e você pode ir selecionando os seus ''prediletos'' - Falou Brenda, fazendo aspas com os dedos.
20/03/2010
Vicente e Cléo assistiam pela milésima vez o episódio favorito dos Simpsons de Cléo, e ela morria de rir ao ver Homer Simpson enforcando o filho, Bart. Vicente odiava os Simpsons.
- Ai... - ela dava mais uma gargalhada - Eu amo como ele estrangula o Bart, os olhos dele...- ela riu novamente - saem engraçado demais! - Vicente olhava fixamente para o pescoço da ''amiga'', imaginando como seria fazer o mesmo com ela, imaginando se naquela pele café com leite iria ficar alguma marca roxa de seus dedos, imaginando se ela iria gemer pedindo por mais submissão, imaginando...
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Estocolmo
De TodoUm amor obsessivo e uma vítima. Às vezes, a mente promove situações irreais, onde nem sempre o que queremos é o que teremos. Mas, para Vicente, manter Cléo em cárcere durante anos, fazendo-a perder parte da vida dentro de um local onde apenas ele ti...