Aquele sorriso de canto que ele me deu antes de sair pareceu até mesmo malicioso, tanto que, levei um tempo para decidir o que fazer. Quando ele desapareceu do meu campo de vista, guardei o mais rápido possível o membro dentro da calça e tirei a camiseta. Corri para o banheiro, tranquei a porta e comecei limpando as mãos e abdômen com uma toalha que estava jogada no chão. Depois que eu terminei, com as costas apoiadas na porta atrás de mim, ofegante, em frente ao espelho.
Não entendia o porquê de sentir tanta vergonha. Não estava triste ou com medo, na verdade, eu gostei, e muito, da forma que ele olhou para mim. Como seu olhar percorreu o meu corpo inteiro. Fiquei relembrando a cena com os olhos fechados por algum tempo, meu coração batia mais rápido cada vez que imaginava o rosto dele. Quando encarei o espelho, não sentia mais vergonha, mas ainda assim, eu era inseguro demais para tentar qualquer tipo de investida. O que eu achava bem triste.
Quando mudei a linha de raciocínio para dar uma reparada na minha aparência, nossa, eu estava um lixo. O curativo sujo colado no couro cabeludo começava a coçar por causa do sangue, que já havia secado na lateral da minha cabeça. Os cabelos bagunçados quase escondiam completamente meus olhos. As olheiras profundas, no entanto, eram visíveis há quilômetros. Meu nariz estava inchado e com um hematoma enorme. As cores variavam entre verde claro, roxo, lilás e vermelho sangue, até que todas elas se misturavam e formavam uma coloração escura e desagradável. Mas por sorte, nenhum dos ossos haviam quebrado. Ah, não tinha jeito mesmo de eu ficar perto dele assim.
Tirei a roupa rápido, abri o chuveiro e entrei debaixo da água quente. Os restos de sangue escorriam junto com a água e iam embora. Deixei com que as gotas caíssem sobre meu rosto, doía um pouco, mas era o único jeito de me sentir um pouco melhor. Até que ouvi a voz dele ecoando da cozinha.
-Você não vai vir, Taehyung? A sopa vai esfriar.
Até parecia que de algum jeito ele estava me testando.
-Eu já vou.
Desliguei o chuveiro e enrolei a toalha na cintura. Fiquei um pouco receoso em abrir a porta e ele estar lá, de novo, me olhando. Girei a maçaneta lentamente e chequei o fim do corredor. Entrei no meu quarto, que ficava do outro lado, por sorte. Tranquei a porta, por precaução, não queria correr o risco de ser visto em outra situação constrangedora.
Depois que me vesti, fui até lá. Ele estava sentando no balcão da cozinha, mexendo no celular, provavelmente, conversando com alguém. Quando percebeu que eu, finalmente, tinha resolvido aparecer, guardou no bolso o celular e me deu um sorriso de satisfação.
- Nossa, demorou tanto que eu guardei a sopa no micro-ondas. Você está com fome, certo? Acho que dormiu por umas cinco horas, espero que esteja se sentindo melhor. Já é quase de manhã.
Ele falava enquanto esquentava o prato e ajeitava o outro banco para mim, no outro lado do balcão, em frente a ele.
-Por que você ficou e o que fez esse tempo todo? Podia ter ido embora, eu já estava bem.
Eu não sei como, mas ele conseguia agir como se absolutamente nada tivesse acontecido, o que era bom, pelo menos para mim. Enquanto isso, eu falava com o rosto queimando.
-Cara, você não parecia nada bem. Mas agora, bom. Acho que você está bem até demais, não é?
Tentei evitar o contato visual quando ele terminou com uma risadinha e sentei no meu lugar à mesa. Enquanto eu comia, ele me olhava, como se estivesse me estudando de algum jeito. Aquele olhar de sempre, que pesava. Até que uma hora resolveu começar uma conversa.
-Você parece ser bem saudável até, sabe, para um jovem que mora sozinho. Você é vegetariano ou algo assim?
Não entendi muito o ponto daquilo. Ele deveria estar se sentindo desconfortável com o meu silêncio e inventou um assunto aleatório.
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CRACKER - DELETE YOUR SEARCH HISTORY
FanficEle me deu um sorriso um pouco sofrido, acenou e foi embora. Eu fiquei parado, encostado na lateral da porta, olhando ele de costas, andando até entrar no elevador e desaparecer. Eu queria vê-lo de novo. Senti uma sensação estranha, que ainda não ha...