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- Jimin?

Eu conseguia ouvir a sua respiração ofegante batendo na minha pele suada. Ele ficava tão lindo daquele jeito. Com os olhos fechados, a boca entreaberta e a expressão de cansaço. Não era para menos, eu estava exausto e os meus pulsos começavam a ficar roxos.

- Se você não me desamarrar, eu vou acabar perdendo as minhas mãos. Jimin?

Ele abriu os olhos, olhou para mim, sorriu e depois me deu um beijo na testa. Que fofo, para alguém que me torturou por quase uma hora, mas foi a primeira vez que eu notei como o dentinho torto dele era lindo. Segurou meus pulsos, desatando o nó do cinto e desprendendo a fivela. Eu levantei, procurando pelas minhas roupas, ele fez o mesmo.

- Você quer ir para minha casa, Taehyung?

Eu assenti, não queria ir para minha casa mesmo. Andei com ele lado a lado até a esquina que ele havia deixado o carro. Era um pouco longe e as ruas estavam todas desertas e pouco iluminadas. Eu caminhava enquanto abraçava meus próprios braços, estava cansado e as minhas costas, doloridas por causa do ferro que bateu constantemente contra elas. Jimin ficava tão bonito com aquela jaqueta de couro, eu me afastei um pouco para que pudesse vê-lo andando de costas. Poderia ser a minha segunda visão favorita se houvesse mais luz, mas a primeira continuaria sendo ele em cima de mim.

Ele abriu a porta do carro para mim. Por algum motivo, estava sendo mais gentil comigo agora. Até chegarmos no apartamento dele, ficava me encarando, como se analisasse o meu estado. Quando entramos no elevador, ele se encostou em um canto e eu em outro. Aquele olhar pesava sobre mim, mas eu gostava de ser notado. Mal sabia ele quantas horas eu gastei olhando para si.

Evitei me olhar no espelho, não tinha boas lembranças daquele elevador, para ser sincero. E sabia que a minha aparência estava uma tragédia, não queria sentir mais vergonha de mim mesmo. Como se fosse humanamente possível sentir mais, naquela hora eu queria eu fosse cientificamente possível poder virar uma planta.

- O que você procurando?

Perguntei com um tom de ironia, abaixando a cabeça, que já estava escondida debaixo do capuz do meu moletom. Jimin não respondeu nada, apenas desviou o olhar e sorriu de canto. Eu detestava quando ele fazia aquilo. Eu não era emocionalmente maduro o suficiente para lidar com os sorrisos dele.

Quando chegamos no andar, ele abriu a porta, fez sinal para eu entrar primeiro e a fechou logo atrás de nós. Não provinha luz de lugar algum e eu forçava a visão para me acostumar com a escuridão. Ele me abraçou por trás e enfiou o rosto entre meu ombro e pescoço.

- Você é terrivelmente adorável, Taehyung. Terrivelmente.

A voz rouca e o hálito quente batendo diretamente no meu ouvido fizeram as minhas pernas tremerem, mas só um pouco. Fechei os olhos quando ele disse aquelas palavras. Eu não entendia o porquê de me provocar sem aviso prévio desse jeito. Ele se afastou, no escuro eu já podia ver a sombra sua indo para outro cômodo e acendendo a luz.

- Você quer tomar um banho?

Ele disse enquanto jogava uma toalha na minha direção. Eu assenti e ele me apontou a porta do banheiro.

-Ah, eu não preciso mostrar a casa para você, não é? Acho que você já sabe bem onde ficam as coisas.

Eu jurei para mim mesmo que da próxima vez que ele me dirigisse aquele sorriso dissimulado, eu iria quebrar todos os seus dentes perfeitamente brancos.

Virei as costas e entrei no banheiro, pensei em trancar a porta, mas no fim a deixei aberta. Comecei a tirar a roupa e corei quando me olhei no espelho. O sangue que havia escorrido do meu rosto quando Jimin me deu o soco já estava seco e com uma aparência suja, alguns farelos grudavam na minha franja. Haviam manchas vermelhas no meu pescoço, arranhões nas minhas coxas e cintura e meus pulsos ficaram totalmente marcados. Eu teria que conviver com as recordações daquela noite por alguns dias ainda, não que isso fosse algo ruim, desde que ficasse entre nós dois. Ou nós três. Quando lembrei de Jeongguk, senti meu rosto ficar quente. Não sabia como iria olhar para ele no dia seguinte.

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