Capítulo 12 - 25/07/2010 - Ao acaso.

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25/07/2010

Gabriela tinha o hábito de se pesar sempre que terminava de comer. Como sonhava em ser modelo, precisava manter-se em forma para poder ser atraente para as agências, em relação ao peso e as medidas. Dessa vez, a pesagem foi decepcionante.

A menina loira trancou a porta do banheiro, retirou todas as peças de roupa e subiu em cima da balança eletrônica, que apitou assim que calculou o peso certo de Gabi: 52 Kg.
Gabriela arregalou os olhos, que ficaram instantaneamente cheios de água ao constar que havia engordado três quilos.
- Não acredito! - Saiu de cima daquela balança e com lágrimas nos olhos apoiou-se com os dois braços na pia de mármore, e em frente ao espelho começou a ofender-se devido ao ganho de peso desnecessário.
- Sua vaca gorda! Nojenta! Você nunca vai deixar de ser uma fracassada! - Gabriela chorava com o coração, soluçando forte, como se estivesse sentindo dor ao falar aquelas palavras e olhar seu peso naquele instrumento que era mais seu inimigo que amigo.
Gabi pegou sua escova de dente amarela, e enfiou dentro da garganta, e com os reflexos da invasão daquele objeto no local, viu a comida que havia lanchado sair por sua boca e cair dentro da pia. Parou com aquele tipo de flagelo quando sentiu seu estômago vazio outra vez, ainda que só tivesse se alimentado de uma garrafa de chá mate e dois biscoitos de cream cracker.
Escovou os dentes e vestiu sua roupa, saindo do banheiro e indo em direção ao quarto chorar.


- Pai, você já bebeu demais. - Comentou Vicente, que após o primeiro copo de cerveja parou e trocou o álcool por refrigerante, mas seu pai não o acompanhou, e continuou bebendo e bebendo.
- Ah, vai à merda! - Falou João, ficando de pé sem qualquer equilíbrio.
- Não me manda ir à merda, hein! - Falou o filho, com autoridade. - Vamos, você não tem condições de ir pra casa hoje. - Vicente foi pegar no braço do pai, que ao se desvincilhar, acabou indo pra trás e caindo em cima de uma mesa de vidro daquele estabelecimento. A mesa quebrou e o homem acabou se cortando.
Várias pessoas que estavam naquele local levantaram de suas mesas para poder ver o que tinha acontecido, já que o barulho daquele homem caindo em cima do vidro foi estrondoso. Um garçom e o gerente ofereceram-se para levantar João, que por sorte não cortou nenhuma artéria ou coisa do tipo, mas havia um pedaço de vidro pendurado no antebraço do pai de Vicente, e aquele local sangrava loucamente.
- Pontos novamente... ninguém merece. - Vicente respirou fundo, e enquanto o pai bêbado resmungava, ele e o garçom levaram o homem até o carro de Vicente para que ele pudesse levar seu pai para tomar ponto.


- Não acredito, que merda! - Esbravejou Nadine, ao fuçar sua bolsa e ver que não havia nenhum maço de cigarro ali.
- O que aconteceu? - Perguntou Alex, dando uma colherada em sua sobremesa.
- Esqueci a porra do meu cigarro! - Falou Nadine, nervosa. Alex olhou para as meninas gêmeas que comiam quietas, repreendendo-a por falar palavrão perto das filhas.
- Que se foda, Alex! Vamos embora, não vou ficar sem meu cigarro. - Nadine levantou e caminhou sozinha em direção à porta do restaurante. Alex, que não havia terminado de comer o que havia pedido, levantou o braço para chamar o garçom e pediu a conta. Deu duzentos reais, ainda que não fosse isso tudo o valor, e não esperou o troco, pegou a mão das meninas e caminhou para fora, indo atrás de Nadine.
O marido abriu as portas do carro, e todas entraram. Nadine era obcecada por cigarros e podia arriscar dizer que amava mais seu vício que as próprias filhas e o marido. Começou a fumar na adolescência, e mesmo com trinta e tantos anos, continuava sentindo o mesmo amor irracional pelo cigarro.
- Você devia deixar alguns aqui no porta-luvas. - Comentou Nadine, frustrada por não encontrar nenhum maço de cigarros no porta-luvas do carro do marido.
- Eu vou colocar quando chegarmos em casa.
Nadine, que estava usando uma blusa de alcinha, começou a arranhar seus braços com suas enormes unhas vermelhas, por não conseguir segurar sua abstinência, ainda que ela estivesse algumas horas sem o fumo. Alex olhava preocupado para a mulher, ele já havia sugerido a ela tratamento, e parar de fumar, afinal o cigarro trazia mais malefícios que benefícios, e a resposta da esposa foi curta e grossa: Ou você me aceita com o cigarro, ou a gente se separa. Posso viver sem você, mas não sem o cigarro.
Não havia nenhuma resposta que Alex pudesse dar que chegasse a altura desse fora.

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