Capítulo 124

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Por Dulce Maria

– Alfonso? – Pergunto curiosa.

– Sim, Alfonso. Por quê? – Ele me pergunta.

– Não... É que... Meu melhor amigo se chamava Alfonso. Só isso. – Digo e começo a andar em direção a um banco que há na praça para me sentar e ele me segue. Percebo que em sua mão há um skate. Um esqueitista.

– Se chamava? Por quê? Não são mais amigos?

– Ele faleceu.

– Oh... – Ele faz uma cara de surpreso como se tivesse dito algo errado. – Me desculpe, eu...

– Não há problema! Já faz um tempo. – Forço um sorriso e abaixo a cabeça.

– Qual o seu nome ruiva? – Ele me pergunta.

– Dulce María.

– Nossa! Perfeito! – Ele exclama e senta-se ao meu lado.

– Como? – Pergunto surpresa.

– Você é linda. Esse nome é perfeito para você. Não me leve a mal, mas você parece ser doce também. – Ele diz sem pudor nenhum e eu sinto um arrepio subir em minha nuca. Só senti isso apenas com uma pessoa, que é Christopher. Engulo a seco e pergunto...

– O que disse?

– Com todo respeito. Não quis ser grosseiro. Digo doce em um bom sentido... Você aparenta ser carinhosa, meiga, e sensível... – Agora ele olha nos meu olhos, que eu acredito ainda estarem umedecidos devido as lágrimas de alguns minutos atrás.

– Tudo bem... Obrigada. – Respondo voltando meus olhos para minhas mãos e baixando a cabeça novamente.

– É... Você está melhor? – Ele me pergunta – É que eu estou indo para a lanchonete que há ali na frente, se quiser trago um lanche para você, ou você pode me acompanhar...

– Não, pode ir... Não precisa se preocupar comigo.

– Que isso? Uma bela moça sozinha, chorando, não vai dos meus princípios deixa-la aqui sozinha. – Sorrio agora, olhando para ele e percebo que ele aparenta ser bem mais jovem do que eu.

– Ah vamos Dulce! – Arqueio uma sobrancelha para ele...

– Que intimidade é essa? Já me chamando de Dulce?

– Comigo não tem essa de formalidade. Vamos? – Ele se levanta e estende a mão para que eu também levante.

Olho para ele por um instante hesitando se devo ou não devo acompanha-lo, mas ah... Acho que não tem nada de mais em acompanhar o garotão até a lanchonete, afinal Christopher e eu nem chegamos a comer porque saímos as pressas da sorveteria, então estou com um pouco de fome. Pego em sua mãe e apenas respondo sorrindo: – Vamos!

Aquele Olhar - VONDYOnde histórias criam vida. Descubra agora