Capítulo 3

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A nova namorada do papai era legal. Sabia cozinhar, o que era bom. Ela fez um jantar para a gente e para o filho dela. Esse era estranho.

Seu nome era Park Jimin e tinha 7 anos. Ele era fofo, com as bochechas grandes e os olhos pequenos e puxados. Mas estava usando uma roupa de vaca. O que de uma forma foi legal.

Ele me chamou para brincar e eu fui. Ficamos brincando até tarde. Mas ele não era meu garoto de açúcar.

Papa me levou para nossa nova casa era ainda maior do que a antiga. Quando entrei em meu quarto, mal pude conter as lágrimas. Haviam fotos espalhadas por todo quarto. Algumas minhas com o papa, algumas do Umbreon, mas a maioria era eu e Sugar.

— Gostou, Sereia? — papa perguntou sorrindo

— Muito, Papa — disse me jogando na cama.

— Que bom. — sorriu tristemente — desculpa, minha sereia — ele se deitou ao meu lado.

— Tá tudo bem, papa — tentei sorrir também.

— Vamos fazer assim, — ele me puxa para seu colo — assim que pudermos, te levo pra ver seu amigo.

— Vou poder ver o Sugar? — perguntei me animando. Até Umbreon que estava meio deprimido levantou a cabeça

— Sim, Sereia, prometo — respondeu.

O tempo se passou. Já estávamos na cidade há 6 meses, e nada de irmos para Daegu. Papa estava ocupado com o trabalho e com a nova namorada, Sook.

Comecei a me aproximar do filho dela. Claro que não era meu garoto de açúcar, mas ele era um bom amigo. Descobri que gostava de fazer amigos. Jimin, ou Minie como eu gostava de chamá-lo, era divertido e gostava de Umbreon.

Cada vez meu pai passava mais tempo com eles. Claro que eu ia junto, Sook costumava brincar que éramos 2 em 1, assim como ela e Jimin. Sempre que íamos para a casa deles ou eles para a nossa, Minie fazia questão de me ouvir lendo ou cantando. Passamos bons momentos.

— Kay — Minie gritou — Feliz aniversário!

— Minie! — respondi abraçando o garotinho.

Estávamos em minha casa comemorando meu aniversário de 9 anos com nossa pequena família. Sentia falta de Sugar. Ele sempre foi o segundo a me desejar feliz aniversário.

Sook fez um bolo muito bom. Era azul, minha cor preferida. Queria aprender a cozinhar e ela disse que me ensinaria, junto com Jimin. Seria legal fazer comida para o papa, ele gostaria disso.

De repente o celular do papa toca. Ele dá um sorriso e entrega o celular pra mim.

Modo celular on
— Alô? — digo
— Princesa? — uma vozinha doce fala do outro lado da linha.
— Sugar? — reconheço meu amigo mal contendo as lágrimas. Ele lembrou do meu aniversário.
— Feliz aniversário — ele diz animado — 17 dias com a mesma idade!
— Estou com saudades, Sugar — admito —Umbreon também.
— Também sinto falta de vocês. Muita. — ele fala sinceramente — a escola não é a mesma coisa sem você. E ouvir música não é a mesma coisa se não é você tocando pessoalmente. — dá uma pausa — adorei o vídeo. Ajuda um pouco.
— Sabia que ia gostar
— Agora eu preciso ir, princesa — ele suspira — felicidades. — desliga.
Modo celular off

—Tchau, Sugar...

O tempo passou. Não falei mais com Sugar. Sentia falta dele, e muita. Mas não tinha o que fazer.

Sook e Minie se mudaram para nossa casa. Os dias eram mais felizes, Minie me fazia rir muito, era um garoto legal. A comida melhorou muito, todo dia Sook fazia algo muito bom e me ensinava.

Meus dias passaram a ser cada vez mais ocupados com as aulas de dança, piano e línguas. Minie não entendia pra que eu fazia tudo isso. Algum dia eu ainda o convenceria a fazer aulas de dança, acho que ele tem jeito.

Um dia, meu pai veio até meu quarto enquanto eu praticava piano. Ele parecia bem feliz.

— Filha, preciso te fazer uma pergunta, uma muito importante — ele disse em inglês, o que era raro, já que só falávamos nesse idioma para estudar e manter a pratica, pois nem Sook nem Jimin entendiam muito.

— Fale, papa, está tudo bem?

— Melhor do que imagina — sentou na minha cama batendo a mão ao seu lado. Corri pra seu colo ignorando seu pedido. — melhor ainda agora, sereia — sorriu meu sorriso preferido.

— Fale, estou curiosa.

— O que você acha da Sook ser sua nova mama? — perguntou com cautela.

— E ter o Jimin como irmãozinho? — pergunto animada

— Exatamente

— Seria muito bom mesmo — pego seu rosto com minhas mãos levemente alongadas pelo piano — eu ia adorar ter uma mama como a Sook, ela me ensinou a cozinhar.

— Quero pedir ela em casamento — ele fala — e preciso da sua ajuda

— Claro, papa.

Planejamos tudo naquele dia mesmo. Ele queria que fossa perfeito, e o mais rápido possível.

Duas semanas depois estávamos no jardim de casa, papa colocou meu teclado perto da árvore grande. Estava com um terno, não um de trabalho, um bonito que usava em festas, tinha flores em suas mãos. O anel estava comigo. Era muito bonito, eu ajudei a escolher.

Minie e Sook chegaram e comecei a tocar. Vi os olhos dela brilhar, papa chegou perto deles e puxou ambos para perto da árvore. Ele se abaixou.

— Jimin, eu queria te fazer uma pergunta muito importante — fala para o garotinho — você que é o atual homem da família deixaria que eu te ajudasse a realizar esse trabalho para cuidar de sua Omma para sempre? Deixaria que eu e Kath entrássemos na família?

Jimin inflou o peito, olhou para sua mãe que tentava segurar as lágrimas  e logo em seguida para mim, depois olhou bem fundo para os olhos de meu pai.

— Promete proteger as duas para sempre? E fazê-las felizes? — perguntou com a voz mais séria que podia fazer.

— Com toda minha vida — responde com a mesma seriedade.

— Então, sim — o garotinho sorri

— Entregue essas flores a sua mãe — Papa estende as flores para Jimin, que aceita e entrega para Sook, que nesse momento não consegue mais segurar as lágrimas. — Filha?

Entendo minha deixa, parando de tocar e indo em direção a eles com a caixinha do anel na mão. Paro em frente da bela mulher e abro a caixinha. Seus olhos brilham ainda mais, mas não olhava para o anel cintilante, e sim para mim.

— Sook, você quer ser minha Omma? — pergunto com uma voz fofinha.

— Seria a maior honra da vida, minha linda. — responde me abraçando.

— Sook, eu não sou muito bom com as palavras — papa começa — mas com esse pedido eu quero que você saiba o quanto eu te amo e sinta o quão especial e importante você é pra mim e para minha filha. — ele se ajoelha e pega o anel de minhas mãos — gostaria de ser minha, ou melhor, nossa — olha pra mim e para Jimin — para todo sempre?

— Sim — ela responde em lágrimas pulando em meu pai.

Spring Day - Min YoongiOnde histórias criam vida. Descubra agora