Capítulo 16 - 03/12/2010 - 09/10/2009 Virgem

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03/12/2010
- Sente-se, Mônica. - Pediu doutor Omar, abrindo a janela de seu consultório para iluminar bem o ambiente. O dia estava chuvoso, e nublado, consequentemente frio, mas como aquela sala ficou dias trancada, dava uma impressão de abafamento.
- Eu estou ficando louca, doutor.- Disse Mônica, olhando de forma perdida para a mesa branca onde o psicólogo trabalhava.
- É a segunda vez que você fala isso. Mas qual é a razão para você achar isso agora?
- Eu estou convicta de que a Vitória, a mãe dela, o pai dela sabem que o Vicente está prendendo a Cléo em algum lugar. Isso está me enlouquecendo, porque eu não consigo falar nada com eles, eu não consigo chegar e abrir minha boca para acusá-los, mas eu sei que eles estão sim por trás disso. Sabe o que eu sinto? Angústia. - O psicólogo olhava com atenção para a mulher a sua frente. - Você já pensou se deve ou não falar tudo isso aí para a Vitória? Acha que isso abalaria sua amizade? - Mônica deu um riso sarcástico.
- Se eles souberem onde minha filha está, e o pior, estiverem compactuando com a loucura do Vicente, é sinal de que nunca houve amizade, doutor.
- Concordo. Hoje, Mônica, eu vou fazer diferente. - A mulher franziu o cenho- Vamos parar de falar do seu presente, e ir lá no seu passado. Como foi sua infância?
Mônica apenas falava sobre Cléo, sempre era ela as pautas de seus assuntos, e falar disso a fez, sem perceber, esquecer de si mesma. Seus cabelos estavam grisalhos na raiz, as unhas que outrora estavam sempre bem pintadas e cuticuladas, agora encontravam-se descascadas e ruídas, super curtas.
- Foi feliz, eu acho. Meus pais eram religiosos conservadores, e eu fui criada na igreja, mas me afastei na adolescência. Meu pai já havia se casado antes da minha mãe, e eu tenho uma meia-irmã mais velha, chamada Simone, e dois irmãos mais novos, o José e a Márcia.
- E onde estão seus irmãos agora?
- Não sei... Quando eu engravidei da Cléo, fui expulsa de casa. Perdemos o contato.
- Perdeu o contato com seus pais também?
- Sim. Não nos falamos há mais de dezessete anos. É uma ferida aberta, porque nesse momento eu preciso muito deles, e não sei se posso contar com eles.
- E ninguém foi te procurar? - O psicólogo estranhou o fato da família de Mônica ter penalizado-a por um deslize em um momento que ela mais precisava deles. A mulher balançou a cabeça de um lado para o outro, respondendo silenciosamente um ''não''.



Vicente e Ana Mel conviviam pacificamente, ambos conversavam sobre vários assuntos, e não havia espaços para grosseria entre os dois, apenas uma relação harmoniosa entre um professor e uma estagiária. Entretanto, Brenda não simpatizava com a relação tão amigável com os dois, resumindo, ela sentia imenso ciúme de Vicente, por uma menina quem ele mal conhecia, ter virado uma amiga quase íntima, se já não fosse.
- Vicente? - Chamou Brenda, ao entrar na sala dos professores, e encontrar o rapaz corrigindo algumas provas. Vicente levantou o olhar para ver quem lhe chamava, já que estava tão absorto naquelas correções, que nem identificou a autora da voz.
- Oi. - Respondeu ele, breve.
- Você já está sabendo da formatura? - Perguntou a moça, puxando uma cadeira ao lado do homem.
- Não... Deveria saber? Ninguém vai me querer nessa formatura.
- Bem, eu vou te querer. - Brenda abriu sua bolsa e retirou dois convites grandes, impressos em um papel amarelo com grandes letras pretas. - Comprei um ingresso pra você. - Vicente franziu o cenho. Não havia necessidade para aquela compra.
- Por que você me comprou um convite? Não sabe se eu vou querer ir...
- Eu sei que se eu já tivesse o convite em mãos, você iria de um jeito ou de outro. - Brenda deu uma risadinha. - Ah, como é que é, Vicente. Vamos se divertir! - Vicente respirou fundo.
- Quando vai ser?
- Dia 18 de dezembro. - Vicente sentiu um estalo na cabeça. Dia dezoito de dezembro era o aniversário de sua Cléo, e ele já havia planejado viajar para lá e passar suas férias inteiras ao lado de sua menina, mas um lado racional, o mesmo que o direcionou para o lado das exatas ressurgiu, e lhe indicou que ele não estar praticando atividades rotineiras justo no dia do aniversário de Cléo, quem todos suspeitam que seu desaparecimento tenha algo relacionado a ele, seria dar carta branca para confirmação de todas as dúvidas.
- Eu vou querer ir sim. - Brenda deu um sorriso largo. Mesmo que tivesse namorando com Iago, era difícil não assumir que gostava de Vicente, mesmo que não houvesse motivos para isso.
- Bem, vamos juntos e aproveitamos a noite para fazer um programa de amigos. - Vicente deu um sorriso para Brenda, um sorriso sincero. Ele sabia que ela gostava dele, e como dizia o ditado, mantenha seus amigos perto e os inimigos mais perto ainda, era isso que ele iria fazer com aquela mulher, a manteria por perto para poder manipulá-la, usando sua paixão platônica como moeda. - E sua estagiária, não veio hoje? - Alfinetou Brenda.
- Não, parece que ela foi levar a irmã dela em uma agência de modelos. Eu permiti que ela faltasse hoje, ela é uma ótima estagiária, não tenho porque não deixá-la não vir hoje.
- Hm... Que horas vai sair daqui? Podemos almoçar juntos hoje. - Sugeriu Brenda. - Vicente olhou seu relógio de pulso e respondeu.
- São 11:50, acho que 12:30, por aí.
- Eu te espero pra gente almoçar juntos, tá?
- Você quem sabe... - Vicente deu um sorriso amarelo.

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