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Quanto mais eu andava, mais aquelas vozes iam se acumulando na minha mente. Então resolvi ir para casa de Scott para me destrair.

Chegando lá, contei para ele sobre o acidente, sobre ter visto a Lydia após ter desmaiado e ter acordado no meio da floresta sem saber como cheguei lá e ele disse:

- Você foi em alguma festa recentemente?

- Festa? - Perguntei confuso.

- Sim, festa. Você foi em alguma festa ou tomou algo que nunca tinha tomado antes?

- Eu não estou bêbado, Scott. Essas coisas realmente aconteceram.

- Então...vamos dizer que isso tenha acontecido, você realmente acredita que exista algo que você precise lembrar? Acha que essa tal Lydia está falando a verdade?

- Eu não sei. Eu só sei que ela é louca. Loucamente linda, mais louca da cabeça também!

Meu pai me mandou uma mensagem avisando que teria que ficar a noite inteira no trabalho, pois uma casa tinha pegado fogo e ele teria que resolver o caso.

Quando a noite caiu, fui para casa na esperança de que Lydia já tivesse ido em bora. Mais quando entrei em casa, ela estava na sala assistindo TV. Tentei não fazer barulho, mais ela me viu chegar:

- Ah...Oi?

- Oi, Lydia.

- Alguma novidade?

- Sobre? - Eu estava sendo frio com ela e isso não era algo que me deixava feliz.

- Não sei. Alguma coisa sobre seus amigos ou alguma memória nova. Você sabe, nossa mente pode nos surpreender fazendo a gente lembrar de coisas que nunca pensamos ter passado na vida.

- Nada de novo.

- Eu tenho algo de novo. - Ela disse se levantando do sofá. - Vou morar aqui na sua casa.

Aquelas palavras ecoaram pela minha cabeça, era como um sonho dentro de um pesadelo.

- O que? - Perguntei surpreso. Só podia ser brincadeira.

- A minha casa pegou fogo. E me parece que é o seu pai quem está cuidando do caso.

- Ele me disse que ia passar a noite trabalhando em um caso e essas eram as informações. Mais ele não disse que a casa era sua.

- Isso é porque ele não sabe que é minha. Mais ele logo vai descobrir e acho que vai me deixar ficar aqui.

- O que foi que você fez?

- Você precisa se lembrar, Stiles e eu vou continuar repetindo isso mil vezes se for preciso. Para te ajudar a se lembrar, eu queimei a minha casa. Mais eu não moro lá, não mais. Eu e meus pais nos mudamos mais continuamos com a casa. Nós não alugamos e não vendemos. Ela continua sendo nossa.

- Continuava. De qualquer jeito, você não pode ficar...

Não pude terminar a frase, pois neste momento os sussurros voltaram dentro da minha cabeça e eu não conseguia me concentrar em nada e não podia ouvir nada.

Comecei a ficar tonto, aquelas vozes estavam me deixando louco. Podia perceber a preocupação de Lydia a minha frente. Comecei a subir as escadas, entrei no meu quarto e fechei a porta. As vozes continuavam na minha cabeça. Comecei a ver vultos, sombradas de pessoas correndo pelo meu quarto, correndo ao meu redor. Todas falando algo que eu não pude ouvir. Até que eu desmaiei.

Acordei com a Lydia batendo na minha cara. Quando ela percebeu que eu abri meus olhos, ela ficou aliviada:

- Ainda bem! Meu Deus, que susto!

- O que aconteceu?

- Me diz você. Estava tudo indo bem até que você começou a ficar estranho. - Se a Lydia estava confusa, eu estava mais confuso ainda.

- Eram vozes na minha mente. Vozes que sussurravam, mais eu não conseguia entender o que elas falavam.

- STILES! ESTÁ ACONTECENDO! - Ela parecia estar desesperada. - VOCÊ PRECISA SE LEMBRAR, RÁPIDO!!!

- Por que eu preciso me lembrar? Do que eu preciso me lembrar?

- EU NÃO POSSO TE DIZER!!! VOCÊ PRECISA DESCOBRIR ISSO SOZINHO. PORFAVOR SE LEMBRE!

Ao terminar suas ultimas palavras, Lydia deu um tapa na minha cara. Uma luz forte veio em minha direção. Eu consegui lembrar de como eu e Lydia nos conhecemos:

Eu estáva entrando na recepção de uma Biblioteca e Lydia estava saindo. Eu estava bravo com Scott por ele ter perdido o meu trabalho de História sobre a Bélgica e por não estar prestando atenção em nada ao meu redor, esbarrei em Lydia. Seu livro caiu no chão e eu me abaixei para pegar. O livro era "Se eu ficar". Entreguei o livro para ela e ela simplesmente riu para mim e saiu.

Eu voltei ao meu eu e levantei do chão. Eu tinha lembrado! Eu realmente tinha lembrado de algo:

- Lydia! Eu te conheci na Biblioteca!

- Quando nos encontramos no Moonlight Hotel pela primeira vez, eu não deixei meu livro cair por acaso. Eu fiz isso de propósito para ver se você lembrava se algo.

- Isso é ótimo! - Eu estava animado

- Espera... - O tom com que Lydia disse essa palavra me desanimou - Do que mais você se lembrou?

- De mais nada. Só me lembrei de como nos conhecemos.

- Isso é ruim. Muito ruim. Mais já é o começo.

- Então quer dizer que isso não é tudo que eu precisava lembrar?

- Claro que não. Mais podemos fazer você lembrar de mais coisas. Eu te dei um tapa na cara e você se lembrou, não é?

- Eu vou ter que levar um tapa toda vez que você quiser que eu me lembre de alguma coisa agora?

- Com certeza!

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Lydia avançou em cima de mim e bateu 5 vezes seguidas na minha cara:

- Está se lembrando de alguma coisa?

- Como posso pensar com a minha cara sendo estapiada?

- Talvez eu não esteja batendo forte o suficiente.

- O que??

Lydia iria me dar outro tapa, e dessa vez deixaria a marca de todos os seus dedos no meu rosto.

Antes dela conseguir me atingir, consegui segurar a sua mão. Era tão macia, nunca tinha percebido que ela era tão linda. Eu olhei bem no fundo dos seus olhos e disse:

- Se. Acalma.

A menina da recepção [Stydia]Onde histórias criam vida. Descubra agora