Capítulo 49

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Peeta

- Vamos pra dentro. - disse andando em direção a Johanna.

- Eu não acho que seria uma boa ideia eu entrar. - ela disse quando eu me aproximei.

- Você vai entrar sim. - falei entre dentes, e a segurei pelo braço. - Você veio até aqui atrás de mim. Agora nós vamos conversar. - sai arrastando-a em direção a minha casa, ouvindo-a protestar com palavrões.

Quando já estávamos no meio da sala, eu a soltei.

- Como você achou meu endereço? - foi a primeira pergunta que eu fiz, quando virei para encara-la.

Meu tom de voz era grave e irritado, o que parecia deixar Johanna agitada.

- Te segui ontem, da escola até aqui. - respondeu. - Até vi você com a garota, mas nunca passou pela minha cabeça que ela não sabia de nada. - ela disse com cautela. - Você sempre foi certinho. Não dava nem pra imaginar algo assim.

- O que você quer aqui? - rosnei, fechando as mãos ao lado do corpo, ignorando sua fala.

- Eu vim pedir ajuda. - Johanna soltou a frase, seguida por um suspiro. - Eu estou ferrada, Peeta.

Soltei um riso sem humor.

- Você só pode estar de brincadeira comigo. - fechei os olhos e balancei a cabeça. - Você fodeu com a minha vida, e agora quer ajuda? - questionei entre dentes, erguendo as pálpebras para fita-la. - Acho que a fumaça dos carros de Nova Iorque afetaram seus neurônios. - soltei com sarcasmo.

- Eu sei que fui uma péssima pessoa no tempo em que estivemos juntos. Você nunca mereceu o que eu fiz a você. - Johanna disse sem muita emoção. - Se você me ajudar, podemos dar entrada no divórcio. Com a minha assinatura, e meu depoimento, dizendo como fui uma péssima esposa, você estará livre de mim em um mês ou dois.

- Você está querendo negociar comigo? - perguntei, franzindo o cenho. - Você veio até Detroit, pra pedir minha ajuda, em troca do nosso divórcio? - eu a analisei dos pés à cabeça. - Você acaba de foder com o melhor relacionamento que eu já tive, pra negociar algo que eu estou no meu direito de pedir? - um sorriso sarcástico apareceu em meus lábios. - Você está louca se acha que eu vou concordar com isso.

Ela franziu a testa, e, de repente, algo em sua postura mudou.

- Eu estou de volta a Detroit, Peeta. Os três anos que eu estive fora, podem não significar nada, se eu alegar algumas coisas perante ao juiz. - ela sibilou, não parecendo se importar com o meu olhar incrédulo. - Eu estando aqui, se eu não quiser o divórcio, você ainda estará de mãos atadas. - Johanna disse em tom de ameaça.

Estava claro que toda a cautela fingida havia ido embora, o que deixava nítido que ela realmente precisava de ajuda, por isso havia mudado sua abordagem.

- O que você fez? - perguntei, voltando a segura-la pelo braço. - Ferrou com a vida de alguém em outro estado, e agora estão atrás de você? - pressionei meus dedos contra sua pele. - Ou quem sabe, finalmente temos a polícia na sua cola? - disse em tom provocativo. - Me conta o que você aprontou, Johanna.

Eu me sentia completamente fora de mim, e naquele momento, eu não me importava. Eu estava machucado. Machucado de uma maneira que eu nunca havia estado antes. E a melhor maneira que eu sabia lidar com aquilo, era deixando a raiva tomar conta do meu corpo.

O Sol em meio à tempestadeOnde histórias criam vida. Descubra agora