19º Capítulo

1K 74 10
                                    

LOUIS P.O.V

'' Dorme bem, boa noite ''

Após ter deitado a Vick, que já dormia, fui de novo para a sala onde fiquei a ver o resto do documentário e a organizar uns quantos relatórios sobre as aulas. No meio das folhas encontro o pafleto onde é enunciado o baile da escola organizado pela associação de alunos internacionais e este ano, o baile seria sobre o Carnaval, um feriado muito festejado pelos portugueses. 

Aqui, em Inglaterra, nunca festejamos o Carnaval, nunca demos muita importância, a não ser ao Halloween. Muitos dos alunos, acharam que seria interessante organizarem um baile diversificado e diferente de todos os outros onde os alunos como professores seriam convidados para participar com a condição de irem disfarçados.

Tenho acerteza que Vick já escolheu o seu fato mas nunca me mostrou. Que pena, eu queria ver do que ela ia-se disfarçar e talves tirar-lhe algumas fotos e mandar à Sara, a sua mãe. Estou com tantas saudades dela, dos seus abraços, das suas palavras amigas e dos seus beijos. Sinto saudades dos seus beijos mais calmos e dos mais intensos, do seu corpo, de tudo dela. 

Eu já sei que na noite do baile vou ficar em casa a preparar aulas, corrigir testes e pensar nas notas intercalares dos alunos. Ser professor de representão não é assim tão fácil como parece, aliás ser professor não é fácil, ás vezes apanhamos com cada aluno que só apetece manda-lo pela janela fora.

Reparo que o documentário já tinha acabado e segundo o relógio da sala já eram 2:15 da manhã. O melhor a fazer é ir deitar-me e descançar, pois amanhã, ou melhor hoje,  tenho que levantar-me ás 7.

Organizo toda a papelada que deixei espalhada em cima da mesa e guardo-a numa pasta dividida pelas duas turmas de décimo e as outras 3 de décimo primeiro. Assim que acabo de arrumar tudo, desligo a Tv e subo as escadas, lavo os dentes e, finalmente, deito-me. Sabe tão bem estar deitado, pronto a deixar-me levar pelo sono. Fecho os olhos por um instante e de repente ouço gritos desesperados vindos do quarto da Victória. Volto a abrir os olhos e salto da cama indo a correr para o seu quarto onde encontro-lhe a contorcer-se gritando e chorando como se algo tivesse passado por cima dela. Um desespero apoderou-se de mim ao ver-lhe naquele estado e aproximo-me rapidamente, sento-me ao seu lado abanando-lhe.

- Victória! Acorda, por favor! - assim que tento acordar-lhe é notável a calmeza que se apodera do corpo dela e consigo notar na sua pesada respiração quando abre os olhos preenchidos de lágrimas.

- Pai, pai... - ela chamava o seu pai, quase como em choque, olhando o seu quarto a tentar perceber onde acordou.

- Calma Vick, foi só um sonho.- desviu a sua cara para que ela me encara-se - Shh, já passou Vick. - acareciu a sua bochecha com o polegar e ofereço-lhe um sorriso a tentar transmitir-lhe segurança. Parece que piorei tudo pois ela começou a chorar, então mordo o lábio ao tentar pensar em alguma coisa para tentar acalmar-lhe e é então que a abraço sussurando-lhe palavras amigas.

- William... - Victória pronunciou o meu nome entre soluços contínuos apertanto com toda a sua força a minha camisola.

- Sim?

- Faz com que esta dor desapareça... Por favor.

Eu não sabia o que lhe dizer ou o que fazer, nunca passei por nada disto. Não sabia o que dizer a uma adolescente saudosa da sua figura paterna, era algo tão doloroso para mim porque ela já se tinha tornado importante e não gosto mesmo nada de ver alguém a chorar.

- Desculpa mas vais ter que viver com essa dor para o resto da tua vida - neste momento apercebo-me o quão direto fui e o quão posso a ter magoado mas prossigo - Mas eu estou aqui para ajudar-te a ultrapassa-la, não vais ter que vive-la sozinha. Estou aqui Vick, para ajudar-te em tudo. 

o nosso erro || l.tOnde histórias criam vida. Descubra agora