Katniss
– Kat. Acorda.
Sentei apressadamente, ao sentir alguém sacudir meu corpo.
Minha respiração estava desregulada, e meu coração batia descompassado no peito. Eu me sentia levemente tonta, e ainda não havia conseguido focar meus olhos agitados em lugar nenhum.
Era como se meu cérebro estivesse por conta própria, sem avisar os outros membros que eles não poderiam fazer nada a respeito.
– Katniss. – a voz insistiu em me chamar, e só então consegui focar em Madge, que parecia preocupada ao me analisar.
– O que você está fazendo aqui?
Perguntei com a voz levemente rouca, quando senti que minha respiração começava a normalizar, depois de passar um tempo em silêncio encarando Mad, que apesar de ainda parecer preocupada, me olhava com paciência.
– Você me disse para tomarmos café. – respondeu. – Eu entrei faz alguns minutos. Estava usando a cafeteira, quando te ouvi gritar. Acho que você estava tendo um pesadelo.
Me movi lentamente, jogando as pernas para fora da cama, e só então senti o quanto o pijama estava grudado em meu corpo.
Passei as mãos pelo rosto, apoiando-as em seguida, na borda do colchão.
Pisquei devagar algumas vezes, tentando me lembrar o que havia me perturbado a ponto de me fazer gritar durante o sono, mas eu não me lembrava de nada, a não ser de muita escuridão, solidão e silêncio.
– É. Deve ter sido. – concordei por fim, e abri um leve sorriso para minha amiga. – Obrigada por ter me acordado. – agradeci, e deixei as solas dos meus pés tocarem o piso.
A frieza do chão, estranhamente subiu por minhas pernas, causando calafrios por todo o meu corpo, mas decidi ignorar.
– Você dormiu bem? – perguntou, enquanto eu já enfiava a cabeça dentro do meu guarda roupa.
– Tirando o pesadelo, dormi sim. – menti, mexendo em meus cabides.
A verdade é que fazia um bom tempo que eu não tinha uma noite tão longa.
Eu tinha desistido de chorar antes mesmo de deitar em minha cama – que a propósito cheirava a Peeta, e eu não havia conseguido me livrar do cheiro, mesmo depois de trocar os lençóis –, porém, nada no mundo me faria deixar de lado a situação.
Eu havia passado quase metade da noite tentando compreender por qual motivo a vida me via como um alvo para coisas do gênero. Na outra metade, eu tentava compreender porque Peeta havia, praticamente, escolhido me magoar.
Com certeza, foi uma soma, que resultou no pesadelo, no pouco tempo de sono que eu tive.
– Vai conseguir trabalhar? – Madge perguntou, no momento que joguei algumas peças de roupa sobre a cama.
– Claro. – eu a encarei. – O que te faz pensar que não? – indaguei, franzindo o cenho.
Madge me analisou, e entortou a cabeça para a esquerda.
– O fato de você parecer doente. – ela se aproximou. – Suas bochechas estão vermelhas, e parece que suou a noite toda.
Ela estendeu a mão para tocar minha testa, mas eu dei um passo pra trás, impedindo-a de me tocar.
– Eu me sinto bem. – falei antes dela, que tinha aberto a boca para protestar. – Deve ser início de uma gripe. A chuva me pegou de jeito ontem. – dei um sorrisinho. – Um banho irá ajudar. – passei por Madge, e caminhei pra fora do quarto.
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O Sol em meio à tempestade
FanfictionKatniss Everdeen. Uma garota fechada para o mundo e para as pessoas que a cercavam. Uma garota com uma vida difícil. Uma garota com um sonho. E acima de tudo, uma garota que, apesar de todas as barreiras, decidiu seguir o que seu coração mandava. Po...