Tyler's POV:
Dan nunca se importou muito com sua frequência nas aulas, mas haviam algumas matérias que ele jamais deixaria de presenciar, como poções, mas ele não havia aparecido em lugar algum na última semana, nem mesmo nas refeições e por isso eu estava nas masmorras, prestes a entrar na sala comunal da Sonserina.
Tinha observado os alunos da casa por, pelo menos, duas horas, mas ainda não tinha dado nem um passo em direção a porta, mas estava sem sinal de Dan, então resolvi tomar coragem e entrar.
Me esguiei pelos cantos tentando não ser visto pelos poucos alunos na sala, subi algumas escadas até uma porta de metal. Minhas mãos estavam tremulas de nervoso, se algum dos colgas de casa do Dan me pegasse ali, eu viraria uma caixinha de fósforos.
Segurei a maçaneta firmimente e assim que abria a passagem entrei apressado fechando-a atrás de de mim imediatamente.
Varri o lugar com o olhar, a maioria das camas estava bagunçada, mas não havia ninguém ali, exeto quem estava procurando. Andei até a cama de Dan me sentei ao seu lado e pus sua varinha sobre as cobertas em sua frente, ele estava acordado, mas fingiu não ter me visto.
— Bom dia flor do dia. — Ele me ignorou, não mexeu um musculo — Dan o que te deu?
Como ele não fazia caso as minhas perguntas gentis comecei a sacudi-lo intensamente até que perdesse a paciência, o que demorou mais do que eu esperava.
— O que você quer? — ele gritou, tirando meu braço de seu corpo.
— Você não sai desse quarto já faz praticamente uma semana, o que você tem? — Ele me encarou por um tempo e depois virou para outro lado como se eu tivesse ido embora. — Dan?
O silêncio se instaurou por um tempo, alguns alunos da Sonserina entraram e sairam e fingiram que não estavamos ali e eu não sabia se Dan estava apenas me fazendo esperar ou se relmente queria que eu o deixasse sozinho, mas o que quer que fosse, eu não iria a lugar nenhum até saber o que havia acontecido.
— Acho que você estava certo. — Ele susurrou.
— Sobre o que? — Perguntei, mas ele não disse mais nada.
O dia foi passando e eu continuei esperando, o dia foi passando e Dan não queria conversar comigo, o dia foi passando e eu fui embora.Durante o jantar não conseguia parar de pensar no que poderia ter acontecido para que Dan ficasse daquele jeito e o que poderia fazer pra que ele se sentisse melhor.
Troye sentou ao meu lado sorrindo, meio distânte, sorri de volta, mas ele percebeu que alguma coisa tinha acontecido. Pensou que pudesse ser Connor, minhas notas, as NIEM'S, meus pais, mas eu disse não para todas as opções.
— Tilly, o que você tem? — Ele segurou minha mão, que segurava um talher distraidamente.
— Eu só... — Eu não sabia como explicar — Dan está... Acho que aconteceu alguma coisa e ele não está querendo me contar.
— Talvez ele só precise de tempo. — Agora a mão de Troye acariciava minhas costas.
— Ele não aparece em nenhuma aula a uma semana. — Eu senti meu olhos encherem de lágrimas, Dan era meu melhor amigo, era o irmão que eu nunca tive.
— Calma Tyler, vai ficar tudo bem. — Ele soou tranquilo, não despreocupado, mas tranquilo.
A idéia de algo ter deixado Dan assim me fazia sentir devastado e não poder fazer nada me fazia sentir impotente. Uma lágrima escorreu em meu rosto e caiu no meu cachecol, Troye secou a segunda e disse que ficaria tudo bem. Beijou minha testa e deixou chorasse em seus braços.Dan's POV:
Já havia um tempo desde que Tyler saira e eu não havia me mexido.
Era tarde e o jantar já estava sendo servido, por isso não se podia ouvir som algum em toda sala comunal. Sentei no sofá em frente à lareira e deixei o calor aquecer minhas extremidades gélidas.
Minha varinha estava agora em meu bolso e com tudo que estava acontecendo eu nem me lembrava que a tinha perdido.
Durante aquele tempo de sala vazia tentei organizar meus pensamentos:
"1. Meu presente de natal fora uma carta de meus pais expressando seu desgosto pela minha detenção e uma longa e detalhada explicação de como eu deveria viver a minha vida, como eu deveria ser e de como eles eram bons país, como me aceitaram 'apesar de ser gay' e como eu era ingrato e não me esforçava para deixá-los orgulhosos.
2. Eu tinha detenção.
3. Fui totalmente humilhado dois dias atrás com aquele acidente ridículo na vassoura."
Mas ainda assim algo parecia errado, ainda tinha a sensação de que havia mais alguma coisa gritando dentro de mim e eu não conseguia ouvir. De qualquer maneira não importava, minha família tinha vergonha de mim e isso já era motivo suficiente para o isolamento.
Lembrar do ocorrido da detenção fazia meu coração subir a gataganta e bater forte, fazia com que meu sangue esquentasse e meu rosto pálido se avermellhasse. Lembrar se como Phil me agarrou quando eu achei que ia cair e como, naquele momento, uma onda de calor percorreu me braço, fazia-se desejar sumir e afinal de contas talvez fosse isso. Talvez eu estivesse mal por simplesmente não conseguir aceitar que estava feliz de que fora Phil, entre todos os alunos da escola, que me salvara, que me destruía lembrar que ele fora ferido, mesmo que tenha sido alguns meses atrás, e não porque eu era descente, mas porque eu não podia suportar a ideia de vê-lo ferido e apenas queria protegê-lo.
"4. Eu estava apaixonado por Phil Lester".Amanhecera, o sol invadiu o quarto me acordando, olhei em volta e vi todos ainda dormiam e foi só nesse momento que lembrei. Era sábado.
Desci as escadas e vi a lareira apagada, considerei voltar pra cama ou me jogar no sofá, mas minha conclusão da noite anterior me fez pensar que era hora de enfrentar a vida ou fingir que nada estava acontecendo.O salão estava vazio, Tyler e Troye estavam de mãos dadas em uma mesa qualquer e Phil parecia pensativo frente a seu copo de suco.
— Dan — levei um susto ao ouvir a voz me chamar.
Em um segundo eu estava apenas observando Phil não estar realmente ali e tentando descobrir para onde seus pensamentos haviam ido e no seguinte Tyler corria em minha direção com uma mistura de alegria e preocupação. Ele me abraçou e disparou uma série de perguntas que não pude compreender.
— Dan por que você sumiu? — foi a única coisa que consegui compreender, pois foi a última que disse.
Acompanhou meu olhar até a mesa onde encontrava o de Phil e sorriu cutucando-me com seu ombro maliciosamente. Olhei pra ele ainda distânte e segui caminho em direção aos bancos, sentei em frente à um prato e comecei a tomar meu desjejum sem responder nenhuma pergunta.
— Então, — puxei a conversa para calar o silêncio pesado — como está aquilo que você me contou sobre o natal? — Por um instante Tyler pareceu confuso e Troye sobressaltado — Sobre Connor?
— Ah, — tive um segundo de certeza de que uma leve mágoa passou por seu olhos — isso.
— Não soubemos de mais nada. — foi Troye quem respondeu — Porque?
— Ouvi coisas, — todos me olharam como se eu fosse louco — pessoas falando sobre a família dele.
— Como assim? — Phil parecia tentar entender, as apenas o ignorei e deu um gole do meu suco de abóbora.
— Os pais dele eram comensais e perderam as varinhas após a queda de você-sabe-quem. — Tyler revirou os olhos depois que o corrigi, "Voldemort", não "você-sabe-quem".
Todos me olharam esperando que eu dissesse o que tinha ouvido.
— Faz vinte anos, as pessoas dizem que estão buscando vingança. — Tyler pareceu incomodado. — conheço essa cara de "isso coisa da Sonserina", mas estão todos falando, além disso, professor Slughorn passou no dormitório para reclamar que alguém havia roubado itens perigosos de seu armário.
— Você sabe o que? — Tyler parecia preocupado e curioso.
— Sei, mas não sei o que fazem juntos.
A verdade era que eu tinha procurando em alguns livros de poções que colecionava, mas não achei nada.
Enquanto conversamos o salão foi se enchendo e quando o relógio bateu oito horas nos esgueiramos pela escola buscando um lugar silencioso, acabando na sala precisa.
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Wandless
FanfictionUma parceria de MadMaxF, PriscianK e karlaboca, a fanfic Wandless conta a história de um grupo estudantes do sexto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts que enfrentam um pequeno bruxo com grandes planos, além de sua adolescência, sexualidade...