Carta 10 - O passado, passou.

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Quarta 28 de Dezembro

Às vezes me pergunto qual o sentido de escrever-te estas cartas, se e por mero desejo de redenção, ou por puramente desabafo. Entendo perfeitamente tudo que se sucedeu, e levo comigo marcas não somente deste passado como dos demais. Tento me abdicar dos efeitos, dos medos, dos receios, dos traumas a fim de viver não somente o  presente, mas de um futuro melhor.

O passado não deve ser "revivido" ou relembrado freqüentemente, para que o mesmo não nos traga dores e lembranças desagradáveis, para que não interfira no presente impedindo-o de ocorrer deforma harmônica e natural, sem que o passado o sabote, o pese o estraguem com suas dores, medos e receios de um mesmo resultado. E  preciso se libertar do mesmo, não to dizendo em apagar ou fingir que não existiu, e sim aceita-lo como ele é, e focar no presente, e no futuro, pegando do passado apenas os ensinamentos, os conhecimentos, sabedorias, e aprender com os erros o que não se deve repetir.

O passado e algo que não muda, pois "já aconteceu", e por ser algo "imutável", devemos deixá-lo estagnado afim de que não influencie, atrapalhe o presente, nem o futuro. Devemos apenas analisá-lo, e aprendendo com ele o que devemos evitar, para que os mesmos erros não ocorram novamente, ou favorecer as oportunidades dos momentos bons voltem a ocorrer. E preciso compreender o passado, aceita-lo e seguir em frente com uma nova didática.

Assim como todas as coisas da vida, o passado tem seu lado bom e ruim, devemos priorizar o lado bom, o lado que nos traz felicidade, paz, e deixar com o passado ruim a função de nos ensinar o que não se deve fazer. Não e necessário fingir que o mesmo não exista, e preciso apenas aceitar que já se passara, e que não há nada a ser feito sobre o mesmo a não ser evitar que se repita.

Para "viver" e preciso coragem, e se jogar, arriscar, não ter medo, e preciso deixar todo impedimento e barreira de lado, e se abdicar do medo de dar errado, e focar-se apenas em tentar, correr atrás, lutar e dar um pulo no escuro na maioria das vezes, mas e preciso. Viver nos leva a uma adrenalina envolvida não só de êxtase, mas de medos e receios, mas sem que os mesmos nos dominem.

Muitas das vezes vivemos trancados em nosso mundo, e vivemos apenas nele, mas e necessário viver no mundo lá fora, e preciso deixar o nosso mundo um pouco de lado e explorar o desconhecido, conhecendo, testando, arriscando, se adaptando ou pelo menos tentando. E preciso sair da zona de conforto para se evoluir, se adaptar, e preciso viver.

O termino do nosso relacionamento embora tenha acarretado alguns traumas, (lidar com a perda e quebra da fantasia), nos trouxe certa paz, pois ao encerrar o ciclo, se extinguiu as cobranças, os pesos, o convívio forçado e levemente sombrio, ainda sim nos deixou feridas abertas, saudade e os desejos que outrora marcaram presença. Conto com o tempo, meu maior aliado, para superar e aprender, "no tempo do tempo" (como tempo), seguir em frente,e a VIVER.

Sei que não lhe "devo satisfação", afinal não somos nada além de conhecidos com um passado, já que pra serem amigos e preciso uma convivência pacifica e harmônica, o que não tem ocorrido a um longo tempo. Espero que isso mude de alguma forma, mesmo que não venhamos conviver, ou nos encontrar novamente, mas que tenhamos pelo menos a paz, a tranquilidade e pensamento leve e bom, ao lembrarmos do  outro.

Não to dizendo que e fácil fazer isso pois já passei longos anos tentando, o processo fica mais fácil quando se e esclarecido todas nossas duvidas a respeito do mesmo, e é isso que tenho tentado fazer ao lhe enviar as cartas, tirando suas duvidas, e esclarecendo os fatos para que você consiga mais facilmente  seguir em frente,  a superar o passado, o nosso passado e que possa  continuar a viver,  sem feridas abertas. Por longos anos tentei superar meu passado, mas ainda tenho muitas duvidas do que aconteceu, e porque aconteceu de tal maneira, e essas lacunas abertas sempre me impediram de seguir em frente, e como uma corda amarrada em meu tornozelo me prendendo no mesmo lugar, não adiantando quanto eu me esforce pra sair,  continuava no mesmo lugar, porem com cicatrizes ainda maiores.

Estou em um processo de aceitação sabe, aceitar meu passado, e me livrar de todo peso, dores, machucados e de pessoas que de alguma forma me fazem mal. Estou sendo meio radical, pois de nada adiantou permanecer do lado de pessoas legais que me machucavam de diversas formas, amizades movidas a interesse, falsos amigos, falsas preocupações. Passei tanto tempo tentando formar laços com diversas pessoas a fim de me encaixar na sociedade que não me preocupei tanto com a qualidade dos mesmo, mas e claro que tenho amigos que sei que posso confiar, e tenho amigos que dizem ser os melhores mas quando na verdade não passam de mentiras afim de manter por perto. Existe pessoas que não querem morrer sozinhas, outras que não querem viver sozinhas, eu prefiro viver em paz.

Dificilmente você me viu correr atras de algum amigo, e dificilmente perdoei um, mas isso aconteceu diversas vezes,  perdoar traições de amigos, perdoar xingamentos, ofensas, e continuar a viver ao lado da pessoa, mantendo-a no  meu ciclo de amigos, mas perdoar não quer dizer que eu vá esquecer ou que tudo voltou a ser como antes, porque nunca volta. A partir do momento que erram comigo as coisas já não são mais as mesmas, outro fator e que estamos em constantes mudanças e seria impossível parar no tempo. Com o tempo nos aproximamos de uns, nos afastamos de outros, fazemos novos amigos, e nos reaproximamos de outros, nossa vida e instável, propensa a mudanças diárias, e isso e algo que sempre tive em mente, tudo pode mudar, porque as pessoas não iriam?  Acredito que possamos mudar a forma como nos comportamos mas jamais iremos mudar quem somos, ou o que somos.

 Eu amo mudanças, e quase que sempre mudo algo em mim, cada foto uma fase diferente minha, uma pessoa diferente, aprendi a me adaptar, a me mudar, a transmutar-me, mas muitas das mudanças os quais me submeti não partiram de mim, e sim da influencia de pessoas próximas, em algum momento dos meus traumas,  passei a colocar as pessoas da minha vida em primeiro lugar, me submetendo a elas, aos desejos delas e gostos delas. Algo que partira do meu primeiro coração partido onde passei a fazer tudo que o outro fazia na esperança de que ela voltasse pra mim  e isso ter falhado, talvez ficou pra mim esse desejo não saciado de me fazer "ideal" pras pessoas a minha volta para que os mesmos não me trocassem ou me abandonassem como meu primeiro amor fez.

É, coisas inacabadas sempre voltam pra nos assombrar, de certa forma nos prejudicar, e meu passado, esse me assombra a longos anos, influenciando não somente na minha forma de pensar, mas na forma de agir, imaginar, planejar. Não quero que isso ocorra com você, não quero que nada do que vivemos volte a te atrapalhar, desejo muito que consiga superar isso, que seja diferente de mim, que consiga ser melhor.  


                                                  As vezes só precisamos de respostas para então seguir em frente.


30 Cartas para Elx - Um quase AdeusOnde histórias criam vida. Descubra agora