Capítulo 24

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Dia 13- reflexão 

  Querido documento sem nome, Benjamin se abriu comigo sobre seu passado, eu não sei bem porque estou escrevendo isso, mas se a Dra. Cris acredita que me abrir com alguém vai ajudar que seja com você, até porque o que ele me contou vai ficar entre nós enquanto ele desejar, não contaria isso pra ninguém, exceto você, mas você não tem vida então... Ok, sem ficar enrolando, o ponto é, acho que ele ter me contado a pior experiência da própria vida é uma grande avanço para nós dois, significa que ele confia em mim assim como eu sinto que confio nele, e isso é bom certo? Qualquer relação que se preze começa com confiança, olha só eu dizendo relação, parece até que estamos em algo que termine em um namoro -o que não seria uma má ideia- Mas isso nunca aconteceria comigo, primeiro porque ele é Benjamin, e eu... Eu sou eu e isso é o suficiente.

  Fecho o meu pequeno caderno de nome indeterminado enquanto suspiro. Namoro, onde já se viu, e porque eu pensei nisso? Eu o via como amigo certo? Bem, ele era legal, muito legal, e sempre se preocupava comigo, era bonito, e gentil, e carinhoso, e não havia como não gostar dele. Era isso? Eu estava gostando dele? Benjamin? Bem, existiam grandes possibilidades de isso estar acontecendo mas eu preferia não pensar nisso por agora, afinal de contas eu só ia quebrar minha cara criando esperanças que morreriam assim como meu sonhos. Dramática eu sei, mas é a realidade, em um mundo real um garoto como Benjamin, que pode ter uma garota como Valentina, não se interessa por outra problemática como eu, uma Alexia.

  Passei as mãos pelos cabelos exausta,  pra piorar ele estava insistindo na ideia de descobrir o por que de eu estar na sala da Dra. Cris, ao que parece era fundamental saber minhas razões por mais que eu fugisse disso. Eu não tinha a obrigação de contar, ele também não me disse o motivo de estar lá, sei que falou da própria síndrome e tudo mais porém isso ainda não explicou o porquê de Silvinha ter agido com tanta naturalidade diante da presença dele, até porque até onde sei a Dra. Cris não é sua psiquiatra no que diz respeito a consultas particulares, motivos? Não faço a mínima idéia,  só sei que ainda tem coisa escondida ai. De qualquer forma eu teria de dar conta disso depois afinal de contas ainda tinha horários para cumprir, isso incluía uma aula de música agora.

   Pra que alguém internado em uma clínica psiquiátrica precisa de aula de música? Eu nem me interesso por nenhum instrumento mesmo, sem necessidade, mas se eu fizesse essa pergunta provavelmente receberia como resposta um: "É importante para desenvolver diversas áreas do seu corpo como, por exemplo, sua paciência, integridade e autocontrole". Tudo bem, algo como isso mas em palavras técnicas de um especialista, em resumo nada que eu realmente valorizasse. Mas não havia outra escolha e em dez minutos aqui estou eu na sala de música que é mais um quarto desse enorme mausoléu.

_Eu sou o Rock, e não, isso não é nenhum tipo de encarnação do nome de um ritmo musical, é mais algo como pais nada criativos que te registram com o nome de um ritmo musical -um homem esguio e magricela falava com excesso de gestos corporais para todos os seus pupilos, no caso nós- meu nome é Carlos Rock, mas podem me chamar só de Rock mesmo.

_Posso te chamar de Samba? -LG elevou a mão enquanto Rock o examinava se perguntando o que era essa indagação- Ou pagode, tanto faz, se preferir até funk, só pra ficar mais brasileiro mesmo, já que é pra ter nome de ritmo musical né -é, ele tinha mesmo perguntado isso

_Qual o seu nome rapazinho? -Rock perguntou dividido entre a curiosidade e a feição séria

_Luis Gustavo, mas prefiro LG -falou cruzando os braços ao competir o olhar com o professor

Minha geração problemaOnde histórias criam vida. Descubra agora