É errado querer beijar-te?

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Após uma demora, que para Allison mas pareceu uma eternidade, pois está muito ansiosa, eles chegam ao vale. Deixam a carruagem aos cuidados de um camponês e Allison lhe dá algumas moedas de ouro, que o deixa muito contente.
— Eu irei procurar Jasmim. — Ele começa. — Qualquer coisa é só me chamar. — Avisa.
— Vá lá e aproveite bastante. — Pede. Ele assente com um sorriso e se afasta. Ela vai em direção ao banco da praça e o vê sentado ali. Ele parece distraído, observando a beleza do lugar que nem sequer percebe sua presença.
— Olá senhorita. — Deposita um beijo nas costas de sua mão.
— Allison, não precisa ser tão formal. — O lembra.
— Ah sim, desulpe-me. — Sorrir. Tira algo de trás dele. É uma pequena caixa de vidro com pedrinhas brilhantes, que a deixa ainda mais bonita.
— Não precisava. — Ele a entrega. Ela hesita mas acaba pegando-a.
— Apenas aceite meu presente. — Ele a encara. Ela desvia o olhar, um pouco envergonhada. Não sabe bem o motivo, mas ele causa um efeito estranho nela. Ela abre a caixa e fica boquiaberta. É um lindo colar e isso são... Brilhantes? Pensou, mas não ousou perguntar isso a ele pois talvez ele entenderia mal.
— Deve estar estranhando o fato de eu ser um camponês e lhe dar um presente assim. — Se adianta. — Mas  ele era de minha mãe, herança de família e ela pediu que eu desse para alguém especial.
— Não posso aceitar. — Ela diz, o devolvendo. Este colar realmente era de sua mãe e não sabe bem o motivo, mas sente que ele deve pertencer a Allison.
— Por favor, não faça essa desfeita. — Insiste.
— Está bem. — Suspira, se dando por vencida. Ele o tira da caixa.
— Posso? — Estende a mão, segurando o colar. A jovem assente com a cabeça e vira-se, para que ele ponha o colar. Se sente estranha ao seu toque.
Com o colar no pescoço, ela o encara e ele também a olha nos olhos. Ficam encarando-se por um tempo, mas logo ela a quebra o contato visual.
— An, você quer dançar? — Ergue a mão.
— Mas... — Ela é interrompida pela música, que os mesmos músicos do dia anterior estavam tocando.
— Como você...? — Ergue a sombrancelha.
— Eu não sabia. — Levanta os braços em sinal de redenção. — Acho que foi sorte. — Explicou. Mas a verdade é que ele mesmo tinha pagado para que os músicos viessem.
— Pensei que eles só viessem uma vez por semana e a semana não acabou. — Segura em sua mão estendida.
— Como eu disse, foi sorte. — Lhe dá uma piscadela. Eles dançam a bela música do dia anterior em perfeita harmonia.
— Para um camponês, você dança muito bem. — Admite.
— Aprendi com meu pai. — Mente. Ele havia aprendido nas aulas de dança. Ele segura em seu queixo, fazendo-a encará-lo.
— Perdoe o atrevimento mas você é linda. — Elogia.
— Obrigada. — Fica um pouco desconcertada. Eles continuam se encarando até que finalmente ele acaba com o espaço entre o os dois, selando seus lábios em um beijo. A princípio ela corresponde mas no mesmo instante em que lembra-se de Austin, se afasta. Não seria justo com ele traí-lo embora aquele beijo fosse muito bom.
— An... Vamos dar um passeio para conhecer o lugar? — Ela propõe.
— O que foi? — Ergue a sombrancelha. — Não... — Engole em seco. — Gostou? Eu fiz algo errado?
— Não eu gostei. — Admite, mas no mesmo instante se arrepende. — É só que... — Suspira, encarando suas mãos, esfregando-as umas nas outras. Ela sempre faz isso quando está com vergonha e ele já percebeu também.
— Você gosta de outro? — Passa a mão na cabeça, também envergonhado. Ele pensou em admitir isso, mas lembrou-se que as mulheres não podem gostar de outros homens a não ser de seus maridos, mas que não os amem. Se apaixonarem por outros era quase como cometer um crime.
— Não, não é isso. — Mente. — É que... — Precisava de uma desculpa rápida. — Nós mal nos conhecemos e...
— Ah sim, entendo. Fomos muito rápidos. Perdoe-me, é que...
— Tudo bem. — O interrompe antes que ele faça qualquer tipo de declaração. Não quer dar esperanças a ele, mas não ousa falar de Austin. Mesmo que ele entenda, ela não tem certeza de que ele é confiável.
— Vamos? — Estende o braço. Ela assente com a cabeça e segura em seu braço. Eles dão uma volta pelo vale, até que encontram uma pequena cachoeira.
— Venha! — A chama, entrando no pequeno lago de águas cristalinas que se forma no fim da cachoeira. É um lugar realmente muito lindo. As pedras que se contrastam perfeitamente com a água. As grutas que se formam ao redor, dar um toque ainda mais especial ao lugar.
— Não sei se é uma boa ideia. — Hesita.
— Ora vamos, este lugar é incrível! — Aproxima-se dela. — Não acha que seria um desperdício, não desfrutar daqui um pouco?
— Talvez. — Sorrir de lado. Ele estende a mão, que a princípio ela hesita mas acaba segurando-a. Ele tira os sapatos e entra na água sem nem se importar com a roupa que está e no fato de que sairá ensopado dali. Ela tira seu vestido, ficando com um mais fino que usava por baixo daquele, tira o folar que acabara de ganhar, o coloca de volta na caixinha e se joga na água também. Eles jogam água um no outro. Vão para perto da cachoeira e se permitem deixar levar pela tranquilidade que o lugar trás e escutam somente o barulho da cachoeira. Brincam de correr um atrás do outro, mas toda vez que ele tenta qualquer outra aproximação ela se afasta e sorrir e ele vai atrás e continuam sua brincadeira. Por um momento sentem-se como crianças que estão se descobrindo.
— Acho melhor voltarmos. — Vai até a beira do lago. Ele apenas assente com a cabeça, a acompanhando. Ambos estavam exaustos. Ela veste seu vestido, que acaba molhando por consequência do outro que ela está usando e que está encharcado. Voltam para a praça, onde Algustus está lhe esperando. Pela sua expressão ele está ali a um bom tempo e pelo visto aconteceu algo.
— Por que estão assim? — Franze a sombrancelha.

Hum... Quer saber o que vem a seguir, então não perca os próximos capítulos!
Hehe

Até que A Vingança Nos SepareOnde histórias criam vida. Descubra agora