Capítulo 5 - Coração apertado nas férias -2º Susto

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10 meses depois do Rui e o Sérgio terem nascido. Estávamos na primeira semana de uma viagem de férias em Orlando com os filhos. Fomos preparados para um frio enorme, afinal de contas, era inverno.

Chegamos e estava muito calor. Todos os casacos ficaram guardados na mala.

Fomos a semana toda de short e regata passear, parecia verão...

De repente, de um dia pro outro, acordamos e estava 2 graus! Isso mesmo! A temperatura caiu completamente e de repente.

Se a gente sente uma coisa dessas, imaginem as crianças. No mesmo momento começou uma tosse e um mal-estar em todo mundo que estava na viagem com a gente.

Mas o que mais sentiu foi o Rui, nosso filho.

Ele começou a respirar estranho e a tossir com um barulho que parecia um cachorro latindo. Não era uma tosse normal, seca ou com secreção. A gente conhece tosse! Era uma coisa muito estranha. Eu fiquei intrigado, mas até ai tudo bem.

Não levamos ele para passear nesse dia, pois pensei ser uma gripe e achamos melhor deixá-lo em casa.

Mas o coração de pai não falha e eu comecei a ficar preocupado com ele e resolvi voltar para casa.

Quando chegamos ele tinha piorado muito, a tosse aumentando, e de repente começou a ter falta de ar. Ele respirava e o ar não vinha.

Que desespero!

Sete meses depois do primeiro susto, ali estava ele de novo, nos querendo matar do coração.

Liguei para uma amiga que mora em Orlando e tem três filhos e ela me indicou ir num hospital de crianças. Um pouco distante, mas que seria mais eficiente.

Lá fomos nós, muito nervosos com o bichinho sem ar dentro do carro.

Chegamos no hospital 40 minutos depois, e ele já estava roxo.

Entrei desesperado com ele no colo enquanto o Simão estacionava o carro.

Não vinha uma palavra em inglês na minha cabeça! Um bloqueio de nervoso que nunca imaginei ser possível!

Não falo inglês fluente, mas me viro bem! Nesse momento não vinha nenhuma palavrinha...nó completo no cérebro.

A moça da receção me deu um papel e eu escrevi o nome do Rui e a data de nascimento. Só.

Rapidamente já fomos atendidos por uma enfermeira que começou os primeiros socorros, depois nos encaminharam para um quarto, explicamos tudo para a médica, o Rui foi se acalmando, nós também.

A médica já no início da conversa nos disse que ele tinha "Croup" . Sem nem examinar muito. Ou seja, desde o início já descobri que era uma coisa comum aqui esse tal de "Croup".

Fizeram uma nebulização com algum tipo de remédio, ele foi voltando ao normal, recuperando o ar e nós o nosso.

Eles nos explicaram o que seria o tal do Croup, uma inflamação nas vias respiratórias, que normalmente se dá por vírus. Isso gera uma dificuldade na laringe. Eles falavam os termos em inglês e nós íamos no tradutor para tentar entender melhor as palavras.

Se já é difícil ver seu filho nessa situação no seu país, imagina num outro com as pessoas explicando as coisas em outra língua?

Continuando, eles fizeram a inalação com epinefrina e deram um remédio. E um para a febre, muita febre. Tipo 40 graus.

Com tudo mais calmo, umas 3 horas depois, a médica veio e disse:
- Bom , o Rui já está melhor, podem voltar para casa. Ok? Bye.

Aí o Simão perguntou:

- Mas...moça, pelo amor de deus! E um remédio para isso que ele tem? Não?

E ela respondeu:

- Não. Aqui não damos remédio para dar em casa. Vai embora e coloca ele no "fresh air", do lado de fora de casa mesmo ou abre a porta da geladeira/freezer e deixa ele respirando um pouco lá! É virose, tem um ciclo, vai passar. Se ele piorar você volta. Entendeu?

Gente, que desespero!

Fomos embora tensos com o bebé com muita dificuldade de respirar e com aquela tosse bizarra.

Amor sem limiteOnde histórias criam vida. Descubra agora