Por aqui é raro ver os gémeos chorarem ao mesmo tempo e mesmo dormindo todos juntos, os choros nunca se atropelam nem atrapalham, nunca nenhum acordou pelo choro do outro.
No entanto, têm acontecido alguns momentos que me dão vontade de rir, de tão queridos que eles são.
Nesta fase em que estão os dois sempre a correr de um lado para o outro e a querer mexer em tudo, no que podem e no que não podem, a palavra não, tem sido muito dita aqui em casa, para que eles a entendam e percebam que, não é não. Apesar de ainda não entenderem bem, já começam a perceber que não podem fazer isto ou aquilo e esta semana aconteceu uma novidade que achei piada.
Ao ralhar ao Sérgio e dizer não, não, ele automaticamente começa a chorar, e fica todo ofendido, o Rui fica a olhar, triste por ver o irmão chorar, pelo que fica solidário e desata também a chorar.
Fico a olhar para eles cheio de pena e muitas vezes com vontade de rir, fazem um beicinho que é a coisa mais querida. Acabo sempre por abraçar os dois, a dar miminhos e a explicar o que não se deve fazer.
É curioso que o Rui e o Sérgio, mesmo estando sempre a defenderem-se um ao outro, nunca choraram assim em solidariedade, pelo menos em casa não. Sempre muito amigos um do outro, a partilharem tudo, mas chorar por isto nunca os vi.
É engraçado ver as diferenças que vou sentindo de um para o outro. Também gosto de ver que a cada dia que passa o Sérgio é mais protetor, no entanto, rapaz que é, o mimo dele às vezes acaba por ser bruto. Não mede a força.
O Rui e o Sérgio estão naquela fase em que nos desafiam e testam os nossos limites, muitas vezes com graça mas outras já sem piada nenhuma. Quando são coisas perigosas ficamos assustados e temos de lhes ralhar a sério.
Eles começam já a perceber quando estamos zangados de verdade e quando passaram os limites. Somos apologistas de dar um ralhete quando é preciso, e logo na hora, para fazer com que eles percebam o que está certo e errado. Por vezes assustam-nos de verdade e às vezes até lhes passamos sustos que não queríamos. Na verdade, isso sou mais eu, já que o Simão nessas coisas não lhes passa stress.
Estava eu sozinho, com os dois, quando me deparei com um episódio muito divertido.
Estava na cozinha, enquanto o Sérgio e o Rui, brincavam alegremente no meu quarto. A porta de casa estava fechada para ninguém desaparecer ou poder acontecer algo perigoso, estava tudo controlado entre as quatro paredes do meu quarto. Pelo menos foi o que pensei.
Ora que a brincadeira começou, e Rui e o Sérgio desataram a abrir e fechar os armários, a abrir e fechar gavetas. Mas até aí tudo bem. Pedi-lhes que parassem e eles riam às gargalhadas todos contentes, sem me prestar "cavaco" nenhum.
Eu só dizia: já chega meus amores, brinquem com o coelhinho, brinquem com os carros.
Mas eles não me ligavam nenhuma, era como se eu não estivesse a dizer nada. Vinham de vez em quando, a correr, como quem diz estamos aqui!
Até que depois a brincadeira dos armários e gavetas começou a aquecer. E começaram a tirar tudo para o chão e a rir sem parar, como quem sabe que está a fazer asneira.
Toda a roupa vinha para o chão, eles andavam a "varrer o chão" com a roupa e a dar um ao outro, como se de uma grande brincadeira se tratasse.
Ora, eu dizia: Parem, parem, já chega!
Mas eles riam-se e continuavam a mandar a roupa toda para o chão.
No fim, era roupa por todo o lado, uma feira só. Eu só tinha vontade de rir, mas não podia.
Foi o primeiro episódio em que me senti pai de dois filhos pequenos e em que não chegava para tudo! Ahaha!
Mas, como podem ver, tudo se vai fazendo, com a casa mais ou menos arrumada, tudo vai rolando! E diversão não falta!
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Amor sem limite
LosoweMinha história podia ser como tantas outras, mas começou de uma forma muito diferente. Me casei com um homem, que já fora mulher, e mudou para me fazer feliz e ser feliz. Com ele tive 2 filhos gémeos, 100% nossos. Mas filhos, não é só coisas boas...