Esse é um daqueles claros momentos em que aquela famosa frase pode ser muito bem aplicada e, muito bem comprovada, "não há nada ruim que não possa piorar", se eu ainda tinha dúvidas não as tenho mais.
_Você não me ouviu Alexia? -era o pesadelo, o terror em forma de gente, era ela, Silvinha, batendo seus saltos freneticamente- o que você está fazendo aqui?
_Sil, -disse me virando lentamente, eu estava em apuros- querida, queridíssima, amada, amadíssima, calma, calmis...
_Ferrada, ferradíssima, isso que você está- falou me interrompendo ao cruzar os braços em um gesto de impaciência- vamos logo com isso e pare de me enrolar.
_Silvinha, é o seguinte -comecei dando um passo para trás, era bom me proteger de alguma forma- eu estava apenas procurando a Dra. Cris para perguntar sobre minha nova medicação, nada mais.
_Depois do toque de recolher? -seus olhos me analisavam como se ela suspeitasse que eu estivesse mentindo, o que por um milagre eu não estava fazendo- e estava parada na porta porque? Até onde sei quando se procura uma pessoa você não fica esperando que ela apareça em um passe de mágica.
_Bem, sobre isso... -ok, eu tinha cerca de dez segundos para elaborar uma desculpa tão bem feita que Silvinha desistiria de saber o que eu estava fazendo escutando a conversa alheia, talvez somente enrolar ela resolvesse- Sil eu já comentei com você sobre minha medicação, eu preciso tomá-la agora, será que você poderia me arrumar um pouco de água? Sabe como é essa coisa de horário né, dá o maior trabalhão e tudo mais.
_Tem um bebedor no fim do corredor, a gente pode ir lá pra você tomar seu... espera um momento mocinha -Silvinha parou no caminho que estava fazendo até o bebedor, droga, estava tão perto- acho que você ainda não esclareceu alguns pontos pra mim, e essa história tá mal contada, sem falar que você tá estranha -ela deu seus pequenos e rápidos passos até a porta enquanto eu seguia no seu encalço rezando para que mudasse de ideia e saísse logo dali- afinal de contas você encontrou a Dra. Cris ou não?
_Sobre isso... -disso torcendo as mãos, o que só provava o que já sabia, eu estava nervosa, muito nervosa
_Silvinha? E Alexia? -Dra. Cris nos encarava surpresa enquanto Benjamin logo atrás me olhava branco como papel- O que fazem aqui? Precisam de algo? -perguntou prestativa, eu tive de me controlar para não dizer que sim, eu precisava de algo, um milagre mais precisamente
_Acredito que Alexia, sim, ela estava a sua procura -Silvinha olhou de canto pra mim como se pensasse se ia ou não me entregar- na verdade quando cheguei estava na porta como um poste, você pode ajudar? Deve ser algo relacionado a curiosidade excessiva -ela havia me entregado sem dó nem piedade, eu só não sabia se era castigo ou carma, acho que um pouco do dois
_Atrás da porta é? -eu não sabia se ela estava brava ou preocupada já que seu olhar ia de mim a Benjamin diversas vezes, já o garoto me encarava ainda mais pálido e preocupado agora que sabia que as chances de eu ter ouvido algo eram ainda maiores- Você estava escutando a nossa conversa Alexia? -perguntou se decidindo por mim
_Eu? Claro que não, que absurdo, imagina, eu escutando conversa alheia -murmurei me passando por indignada, uma descoberta que fiz um tempo atrás era sobre minha atuação, eu já interpretava tão bem que daqui um tempo podia ser atriz- Por falar em conversas, pessoas e tudo mais, vocês ouviram isso? -todos me olharam confusos- É Valentina me chamando, tadinha, disse a ela que ia ser rápido, acho melhor voltar para não causar mais transtornos.
_Alexia -Silvinha me repreendeu ao ver meu pés se movimentarem para trás
_Foi bom ver vocês, até amanhã e boa noite pra todo mundo -falei antes de sair correndo o mais rápido dali, ainda pude ver Benjamin dar um passo a frente antes de ser impedido por Cris de me seguir, e Silvinha balançando a cabeça de forma negativa com a minha desculpa mais que esfarrapada
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Minha geração problema
TeenfikceAlexia era uma garota normal, ou pelo menos queria ser. Ela não se lembrava exatamente quando começou a se sentir diferente, mas se lembrava de quando teve certeza que não era como as outras pessoas. Agora ela precisa provar que não tem um problema...