Capítulo 25 16/01/2012 As provas

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16/01/2012

Cléo estava embaixo do chuveiro, ensaboando se corpo inteiro. Deslizava aquele sabonete roxo, cujo aroma era de lavanda, pelos braços, pelo tórax, pelas partes íntimas, pelas pernas, pelos pés e depois deixava que a água do chuveiro retirasse toda espuma. A menina, ao perceber que estava apenas com as gotículas que tiraram todo sabão de sua pele, desligou a torneira e pegou uma toalha que estava em cima da tampa do vaso. Secou-se e enrolou-se naquele tecido felpudo, caminhando até o quarto para escolher uma roupa. Estava fazendo muito calor naquele dia, mas ela nem podia afirmar isso de fato, já que da janela da sala só podia ver o sol de longe, mas este esquentava o vidro, ela sentia todo abafamento da casa, e nem mesmo o ventilador dava conta de resfriar.

A menina de longos cabelos cacheados, sempre presos em um rabo de cavalo ou em um coque, colocou um vestido de rosa com estampas de flores em cor brança que tinha alças, e foi para a sala assistir qualquer porcaria que estivesse passando no momento. Enquanto caminhava para o sofá, olhou no relógio e viu que ali marcava 5:20, eram 5:20 da tarde, e ela percebeu que o sol estava se amenizando, mas ainda se fazia bem presente, e a luminosidade que entrava pelo vidro da janela invadia a sala a todo vapor, dispensando qualquer luminosidade artificial. Cléo sentou no sofá e ligou a televisão, passava uma novela adolescente no momento, e nos demais canais qualquer jornalismo sensacionalista, que ela costumava assistir para ver se era mencionada, mas nunca presenciou isso. Preferiu deixar na novela adolescente, e foi olhando para a tela, tentando se prender naquele enredo que até o momento não sabia qual era.

Cléo deitou no sofá e foi assistindo. Fazia bastante tempo que ela não via Vicente, a última vez que o viu foi no ano novo, quando ele buscou João de lá para levá-lo para casa, já que a vontade do homem foi passar o aniversário e as festas de final de ano junto de Cléo. Vicente só pôde passar o ano novo, já que agora que seria pai, estava muito atarefado em cuidar dos preparativos do nascimento de sua filha, que seria em fevereiro.

Enquanto Cléo e João ficaram sozinhos na casa, planos de fuga foram planejados pelos dois. Como sendo ex-marinheiro, João garantia-se em pular da janela junto de Cléo e nadar com ela até a superfície, mas houve um empecilho maior: quebrar o vidro. Nada que foi usado para quebrar aquele vidro temperado deu certo. Puderam arriscar que aquilo foi blindado, até, mas ambos terminaram exaustos e às lágrimas. O mais velho estava prestes a ir até a polícia denunciar aquilo, mas Cléo implorava para que João fosse paciente e não fizesse nada pelo menos até a criança nascer.

E lá estava a menina, deitada no sofá, apenas fitando aquelas pessoas na televisão, mas não conseguia parar de pensar nem um minuto. Fazia 16 dias que Vicente não aparecia, e não que ela tivesse saudades dele, muito pelo contrário, preferia distância, mas não naquela situação, onde infelizmente precisava dele. Cléo ficou de pé e olhou o calendário, era uma segunda-feira calorenta, e depois de certificasse qual dia da semana era, foi para a dispensa e viu que demoraria para que qualquer coisa viesse a faltar. A adolescente respirou fundo fechou a porta da dispensa com raiva. Voltou para o sofá apenas sentou, esfregando os olhos. Não queria chorar, não iria chorar. Como odiava Vicente! Odiava por ele ter feito aquilo com ela e por ter lhe trocado pela filha dele, não que a criança não tivesse o direito de estar perto do pai, mas por que ela ainda continuava ali se ele já havia encontrado outra coisa para preenchê-lo? Se visse João naquele dia, mandaria ele para a delegacia o mais rápido possível para denunciar Vicente. Cléo estava irada, só queria cravar suas unhas nele, bater nele e machucá-lo o máximo que pudesse. Mas como ele era filho da puta!


Mônica nadava de um lado a outro na piscina do clube onde foi passar o dia com Omer, a filha dele e Gabriela, já que Soraia e a menina viviam juntas. Omer e Mônica estavam oficialmente namorando, e o pedido aconteceu no natal, que foi celebrado na casa de Vitória. Desde então os dois estavam morando juntos na casa de Mônica. Não que ela não tenha recebido o convite de ir morar com ele no apartamento dele em um bairro mais chique, mas a mulher recusou, afinal, a casa era a única presença de sua filha que poderia ter, e sair de lá seria como se tivesse cortado totalmente qualquer lembrança de Cléo, e Omer concordou, e resolveu mudar-se para a casa da namorada.

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