BELLANNE
Depois de deixar a aliviada Ana Maria na portaria do jornal Diário, segui para a Drakkar. Fui recepcionada por um segurança na entrada do estacionamento que, após verificar a minha identidade, me encaminhou para uma vaga VIP e eu não pude deixar de notar que esta ficava na mesma área do Maserati de Erik Lars — só soube a marca do carro porque dei uma boa olhada na passagem, já que não entendo nadica sobre carros.
Estacionei meu humilde Kia e optei por retocar a maquiagem ali mesmo, para não correr o risco de topar com alguém sem estar ao menos com um batom.
Entrei no elevador e apertei o décimo segundo andar. Conferi o visual no espelho e fiquei satisfeita. Usava a calça jeans — daquelas que caem tão bem, que faz a gente revirar o mundo atrás de mais calças do mesmo modelo —, sandálias altas e uma blusa branca chique, com alcinhas: leve, elegante e sexy.
Ah! Quem eu queria enganar? Eu estava nervosa, sim. Estava até tendo leves espasmos no diafragma, mas meu nervosismo era porque receava dar de cara novamente com Eric e, mais uma vez, termos aquelas indisposições. Era isso.
A porta do elevador se abriu, e eu caminhei, distribuindo segurança e simpatia. Precisava acreditar nisso para não falar ou fazer besteira. A verdade é que eu estava revivendo uma sensação que há anos não sentia e já nem me lembrava como era: eu estava insegura.
Senti as cabeças virando para mim e, como eu não estava com uma melancia na cabeça, supus que era por admiração. Sorri internamente, me sentindo um pouco melhor.
— Boa tarde.
A garota "irritante de tão bela" ergueu os olhos e, assim que me viu, levantou imediatamente.
— Senhora Bellanne. — E estendeu a mão, me cumprimentando sem muito entusiasmo. — Como tem passado?
— Bem. — Estreitei os olhos com graça, tentando me lembrar o nome dela. — Flávia, não é?
— Isso mesmo. — O primeiro impacto havia passado, e agora ela começava a adotar a mesma prepotência que vi em nosso primeiro encontro. — A reunião está marcada para às 15h, mas a senhora já é aguardada.
Ela levantou e eu a segui. Sentia o coração acelerar e praguejei Lucien. Se ele estivesse ali, eu estaria mil vezes mais tranquila.
Flávia abriu uma porta larga e luxuosa, dando-me passagem. O ar condicionado era bem mais forte ali e eu senti a lufada gelada antes mesmo de entrar. Era uma sala completamente decorada em tons de nude e dourado, mega requintada e, assim como a sala de reuniões, com a parede oposta à entrada completamente envidraçada, parcialmente encoberta por uma cortina que ia do teto ao chão. De costas para mim e de frente para janela, apoiando uma das mãos no vidro, estava ele. Falava ao telefone e a cabeça estava baixa.
Flávia fechou a porta atrás de mim e não me atrevi a interromper o telefonema de Erik. Apenas aguardei. E o observei, claro.
Apesar dele falar em alto e bom som, eu não conseguia compreender uma só palavra. Certamente, falava dinamarquês, porque se fosse em inglês eu compreenderia. Falava com calma, mas era possível sentir a autoridade no seu tom de voz.
Usava uma calça branca — eu não saberia dizer se era brim ou jeans — e uma camisa social azul, com as mangas dobradas. Me surpreendi. Achei que homens como ele usassem apenas ternos no ambiente de trabalho.
Erik passou a mão pelos cabelos e ergueu a cabeça, ainda olhando pela janela. Deus do céu, não havia reparado o quanto era alto. Tinha os ombros largos, os braços fortes e o quadril, apesar de estreito, era proporcional. Ele era todo proporcional. E eu estava tão absorta na contemplação daquele bumbum divino, que fui pega de surpresa, quando ele se virou e me encarou, ficando tão constrangido quanto eu. Eu acho.
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Bellanne-se! - DEGUSTAÇÃO
Literatura FemininaEste é o livro 1 da duologia "Bellanne-se!". SINOPSE: Bellanne Fraise sempre foi tida como a transgressora, o "ovo azul" em meio à dúzia perfeitamente alva. Fotógrafa de sucesso, Inteligente, com a autoestima elevadíssima e bem resolvida com suas cu...