Por Christopher Uckermann
Decido que ir morar com meu pai, será o melhor para mim. Longe de Dulce não farei mal para ela e assim ela poderá reiniciar sua vida sem mim como sempre deveria ter sido. Antes de ligar para Dulce já havia contado a minha mãe sobre a minha decisão e que não voltaria atrás sobre ela. Morar com o meu pai talvez seja o melhor para mim mesmo, talvez seja o certo. Dois homens que não prestam. Talvez ao lado dele seja mesmo o meu lugar, o lugar dos sujos, dos errados, dos traidores. Onde eu estava com a cabeça quando pensei que podia recomeçar e ter uma nova vida com Dulce? Eu não a mereço e nunca vou me perdoar por todas as coisas que eu a fiz passar. Por todas as lágrimas que eu a fiz derramar. Nunca vou me perdoar.
Terminando de arrumar minhas, poucas, mas importantes coisas em minha mochila, como documentos, algumas roupas que gosto, alguns objetos e 2 porta-retratos de Dulce comigo. Em uma delas estamos abraçados e sorrindo como duas crianças felizes numa praça. Lembro-me desse dia como se fossem ontem. Annie quem bateu a foto. Tínhamos combinado de sair em casal para curtir o fim da tarde de sábado tomando sorvete e comer outras baboseiras. Isso foi bem no início de meu namoro com Dulce e ela ainda não sabia que eu era o assaltante do banco e o assassino que matou seu melhor amigo. Nesse dia após essa foto Dulce caiu do balanço e bateu com a bunda no chão - Sorrio ao lembrar-me - À noite quando fizemos amor sua bunda ainda estava vermelha devido a batida e enchi de beijos como se ela fosse um bebê - Fecho os olhos lembrando-me da cena e de como eu estava feliz, de como Dulce estava feliz e de como nós dois nos completávamos. - Pego a outra foto, e mirando-a, lembro-me que tiramos essa selfie juntos no meu antigo quarto, de quando era pequeno, onde contei a ela sobre minha história. Levei a foto para junto de meu peito e abracei forte, sentido que uma lágrima queria descer de meus olhos, mas limpei antes que ela o fizesse.
Ouço o barulho da porta de meu quarto ranger e quando levanto o olhar, vejo minha mãe encostada nela mirando-me com um olhar apreensivo, cauteloso e... Triste.
– Está doendo não é? – Ela me pergunta e eu não consigo respondê-la, somente balanço a cabeça em sinal de afirmação. Se eu confessar isso com meus lábios, acho que estou capaz de entrar em erupção e de mim não sairia chamas, mas rios de lágrimas – Filho... – Ela entra em meu quarto afastando-se da porta fazendo-a ranger novamente, e finalmente a maldita lágrima cai do meu olhar pingando em minha calça devido eu estar de cabeça baixa. Sei que essa conversa partirá mais ainda meu coração. E o dela também – Você não precisa fugir, filho, não precisa ir...
– Mãe lá é meu lugar. – Digo baixo e viro o lado para o oposto de onde minha mãe está.
– Filho, você não suporta seu pai. – Minha mãe põe uma de suas mãos em minhas costas em sinal de consolo.
– Mãe – Finalmente olho em seus olhos e vejo que os olhos dela estão tristes e vazios, talvez igual ou pior que o meu – eu não me suporto mais. Não aguento mais fazer Dulce sofrer. Já fiz você sofrer bastante e agora estou voltando a fazer isso. Não quero ser um peso. Devo ficar longe, perto de pessoas podres e indesejáveis como eu e meu pai.
– Não filho! Não diga isso. Você não é um peso. Posso ter chorando por você, mas nunca que ficar longe de você vai ser melhor do que tê-lo perto. – Ela diz abraçando-me e é quando novamente derramo minhas lágrimas sobre seus ombros enquanto retribuo seu abraço aconchegante e carinhoso. Ela também chora e isso corta mais ainda o meu coração, fazendo-me ter certeza de minha decisão.
– Mãe – Digo afastando-me dela para olha-la nos olhos – Minha decisão está tomada porque acho que esse é o melhor para nós.
– Filho, eu vou respeitar sua decisão, meu bem. – Ela passa suas mãos em meu rosto e segura-o com carinho para que eu possa fita-la. – Mas volte quando quiser. Não precisa nem mesmo ligar. Eu amo você e a minha casa é sua casa.
– Eu sei mãe. Obrigado... E... Me perdoe. – Digo beijando sua testa.
– Perdoar de quê meu filho?
– Por tudo. – Arqueio os ombros.
Nos abraçamos novamente e então pego minha mochila e descemos juntos para que eu finalmente pegue meu rumo e siga para a casa de meu pai.
Já havia ligado para o meu patrão para acertar as contas e passaria lá para pegar o dinheiro pelos dias trabalhados do mês antes de ir para a rodoviária. No caminho até o restaurante ligo meu celular, pois havia o desligado assim que terminei de falar com Dulce no telefone. Sabia que ela, ou talvez Annie tentariam me ligar incansavelmente tentando saber sobre minha decisão.
Por incrível que pareça, assim que o meu celular liga, percebo que não há nenhuma chamada perdida, nem de Dulce e nem de Annie. Será que Dulce não se importaria se eu fosse embora? Será que Annie já contou a ela? Será que Dulce está me odiando? Bom, pelo menos enquanto eu falava com ela ao telefone eu tinha certeza de que Dulce não sabia de nada. Sei que Annie não contaria, mas me obrigaria a contar.
Por mais que seja a coisa a certa a se fazer, eu não tenho coragem de olhar nos olhos de Dulce e dizer a ela que a trai, não tenho coragem de olhar nos olhos dela e saber que aquelas lágrimas serão por minha causa, e pior, porque eu pisei na bola com ela. Eu não aguentaria reviver esse momento de novo, não aguentaria ver ódio no olhar de Dulce novamente sabendo que todo o ódio estaria voltado pra mim.
Sei que estando longe Anahí irá contar a ela uma hora e por mais que ela sofra, chore, e sinta ódio de mim eu estarei longe dela, poupando-a de olhar na minha cara e ver que a pessoa que ela confiava de olhos fechados a traiu pelas costas. Sinto-me um lixo. E... É isso que eu sou.Volto-me para o meu celular, afastando esses pensamentos melancólicos, e ligo para Fabrício e após duas chamadas ele me atende...
– E aí Christopher? Vai fazer isso mesmo? – Ele pergunta.
– Sim. Fez o que pedi?
– Sim, seu pai está em Los Angeles e já está te esperando.
– Não tenho dinheiro para ir a uma cidade vizinha, quanto mais a Los Angeles.
– Na rodoviária aqui do México terá um carro te aguardando as 23h30. Há uns caras dele por aqui e eles te levarão até o aeroporto. Sua passagem já está paga e é só dar seu nome e seus documentos.
– Cara, odeio meu pai, mas ele é bom no que faz. – Digo.
– Fica feliz cara. Você está precisando do coroa.
– É... Sou como um cão voltando ao vomito. – Reviro os olhos.
– Não pensa assim cara, mas olha... Ainda acho que você deveria tentar ficar... Sei lá, se não der certo com a ruiva aqui, mulher é o que não falta. Você sabe disso!
– O problema não é esse. Eu quero estar longe dela para que ela nem ao menos tenha a oportunidade de esbarrar comigo. Ela não merece olhar para mim novamente, ela não merece sofrer.
– Você é muito dramático cara.
– Eu a amo, só isso.
– Tudo bem, então é isso Christopher! Já avisou a Christian?
– Não. Quanto menos pessoas souberem melhor.
– Christian vai te odiar também.
– Um a mais um a menos...
– Christopher, pensa bem...
– Tá bom Fabrício, obrigada pela ajuda. Caso você visite o Christian, avise a ele por mim. Diz que foi uma decisão de ultima hora – O que não é mentira – E diz que sentirei saudade e que ele pode ir para lá se quiser, que estarei esperando por ele.
– Tudo bem Christopher. Até mais.
– Até Fabrício. – Desligo.
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Aquele Olhar - VONDY
FanfictionVocê acredita em amor a primeira vista? Acredita que um simples olhar possa mudar todo o rumo de uma vida? Acredita que exista um tempo e um lugar certo para se apaixonar? Nessa história, Dulce Maria, uma jovem muito bem sucedida em sua vida tanto...