Not gonna happen, Dude

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Meu domingo foi bem... domingo.

Sabe quando você não sente realmente vontade de fazer nada? Só dormir? Mas minha mãe acabou fazendo uma das coisas que eu sequer sabia que ela conseguia fazer tão bem: Torta de chocolate com pedaços de morango e cereja. Mas não era qualquer torta, porque, além de ser minha mãe que fez, ela era coberta de pedaços de chocolate quebrados e muitos pedaços cortados Sonho de Valsa© entre as áreas vazias. Eu não gosto muito de comida de sal a não ser que se chame: lasanha, escondidinho, pizza, torta de frango, sanduíche, hambúrguer, batata frita e afins. Só o que não presta. Mas c*r*lh*, isso é muito bom.

Passei a tarde toda indo da cozinha pro quarto e do quarto pra cozinha, comendo doce que nem um louco, e o melhor disso tudo, é que, aparentemente, não tinha nenhum motivo pra ela ter feito o bolo. E as pessoas em casa não são formigas como eu, então o bolo era praticamente só meu. Todo meu. Exclusivamente meu. Até que provem o contrário.

A noite passou e eu dormi como um coala abraçando meu travesseiro. É uma mania desde... desde que reparei que não gosto de ter minha cabeça apoiada em nada a não ser que eu esteja lendo. Tive o mesmo sonho, mas dessa vez completo, e agora sabia que Martin era - incrível e indentica -mente parecido com o adolescente do meu sonho. Porém mais... sombrio, digamos assim.

So wake me up when it's all over, when I'm wiser and I'm older. All this time I was finding myself and I didn't know I was lost - Abri os olhos em milímetros e desliguei o alarme. 6:00, era muito cedo pra mim, apesar de ter que passar na casa de Lara 6:30 ou 6:40, o que nos dava 20min pra andar 2km até a escola. Mas mesmo indo devagar, sempre chegávamos á tempo. - Feel my way to the- - desliguei de novo, 6:10. M*rda. Levantei de olhos fechados e abri pra pegar qualquer roupa. Uniformes ainda não eram obrigatórios. Blusa de frio listrada em preto cinza com capuz, blusa branca por baixo, short folgado, e Vans©. Arrumei o cabelo, o que demorou um pouco, porque além do sono, ele não tava colaborando muito. - Feel my- DEUSES, PASSEI DA HORA. Escovei os dentes apressado, enfiei uma bolacha na mochila, e saí correndo de casa gritando "TO SAINDO, MÃE. BEIJO, TE AMO!"

-

Chegamos na escola e fomos caminhando até a sala. Os únicos dois lugares disponíveis, estavam longes demais. Olhei pra morena em derrota e sentei no que ficava mais na frente. Segunda cadeira da terceira fila contando da porta.

 Sinceramente? Eu acho que as aulas da minha escola são as mais chatas, e ao mesmo tempo, mais interessantes do mundo. Em todas as escolas que tive aula de biologia, eu dormi. Já essa... eu dormi também.

 Tá, mas não vem ao caso, porque acordei do melhor jeito possível.

 - SINTO TRETA NO AR! - disse Marcos, que sentava do meu lado. Ele falou tão alto, que mesmo com o fone no ouvido por baixo do capuz, eu acordei. E realmente teve treta. Tem um garoto que estuda comigo, que é gay. Mas tudo bem, porque (que eu saiba) não tem ninguém homofóbico na sala, mas não bastava ser gay, ele tinha que ser o cara mais chato que eu conheci na minha vida, e ele tentou arrumar briga comigo no primeiro dia de aula. Fiquei assistindo pegarem a mochila dele e imitarem ele andando, mas fiquei com dó.

 - Acho que já deu, né? - tentei me impor contra, mesmo ele tendo mechido comigo(se lê "tentado brigar") nos ultimos dias. Bullying não é legal. Sei porque já sofri porque... eu era um tanto nerd na quinta série. Tinha um menino que se chamava Alex, que sentava na minha frente, mas nunca tive muita conversa (eu não sou do tipo que chega conversando com as pessoas a não ser que esteja bem feliz) que falou que eu não devia me importar, porque quando a professora visse ia parar, mas sei lá... e de repente os três bullies do J.L.(o garoto gay) de alguma forma tropeçaram e cairam. Um desequilibrou o proprio peso por causa da mochila, outro tentou se virar e bateu em uma cadeira, e outro caiu com um simples emporrãozinho do J.L. E sim, fiquei feliz por ele ter se livrado dos bullies, mas logo me arrependi e desejei ser um deles. E aí ele caiu também, o que fez tudo valer á pena.

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 O sino de intervalo tocou e eu acabei conversando um pouco com o Alex, e descobri que temos o gosto por música um tanto parecido. Mas ele foi falar com os amigos e eu acabei ficando sozinho de novo. Procurei por um lugar mais vazio, e vi que os banquinhos do pátio estavam quase vazios, exceto por alguns garotos do terceiro ano que tocavam violão, mas fiquei num intermédio entre perto e longe porque... não queria socializar, mas não queria pagar de excluído.

 Senti um líquido gelado escorrer pelo meu cabelo e comecei a balançar freneticamente as mãos em meio aos cachos, mas o líquido caiu na minha mão também, e percebi que era só água, e quando me virei...

 - FILHO DUMA...- - o garoto de cabelos cacheados. Não me lembrava se ele tinha falado o nome dele, mas não queria saber muito. Me levantei do banco enquanto ele ria de mim, mas acabei sendo puxado de volta pro banco e ele se sentou de joelhos levantados ainda rindo.

 - Cuidado antes de terminar a frase! Vai que minha mãe é advogada? Pode te processar por danos morais.

 - E ela é? - perguntei por interesse mas com certo descaso

 - Não.

 - Filho duma puta. - me levantei de novo, mas no meio do caminho me puxou de novo.

 - Calma, o recreio nem acabou - e o sinal anunciando o fim do recreio tocou

 - Agora acabou, tchau - me levantei mais rapido antes de ele conseguir me segurar e fui pra sala rápido.

SalvationOnde histórias criam vida. Descubra agora