CAPÍTULO 5: Acidente

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— Então Vítor, é verdade?

— O que você 'tá' fazendo aqui? -— Carlos perguntou a Pablo.

— Eu vim buscar o Vítor.

— Ah então é verdade! — Carlos falou de uma forma perturbada, me fez tremer.

— É sim, ele é meu namorado, e você nunca mais toque nele. —  Pablo me puxou pelo braço e me levou pra longe. Eu olhei pra trás, foi um movimento involuntário, vi Carlos colocar as mãos no rosto, senti uma pontada de culpa.

— Está me machucando Pablo. —  Reclamei quando estávamos longe o suficiente de Carlos.

— Desculpa. — Ele me soltou. — Era difícil saber o que ele estava pensando, seu rosto não tinha nenhuma expressão.

— O que você faz aqui?

— Fui na sua casa, mais seus pais falaram que você veio se encontrar com aquele playboy, eu sabia que vocês estavam na praça.

— Ah, muito obrigado, me livrou de uma barra. — Eu estava sendo verdadeiro.

— Então, aquilo que você falou é serio?

Eu não sabia como dizer para ele que eu estava morrendo de amores por ele, não queria levar um fora do meu próprio primo.

— Não, aquilo foi uma desculpa que tive pra dar um fora no Carlos. — Dei de ombros, sempre fui um péssimo mentiroso.

— Ah, uma desculpa! — Ele sorriu como se soubesse que eu estava mentindo.

— É, você acha mesmo que eu ia gostar de você? Logo de você! —  Comecei a rir.

— Também não precisa humilhar, não sou tão feio assim!

— Na verdade não é nem um pouco feio. — Falei em voz alta, tenho que parar de falar tudo que penso. Me arrependi de ter dito, eu estava me entregando com certeza.

— Então você me acha bonito? — Ele mordeu o lábio.

— Claro, não sou cego sabia, mesmo você sendo tudo o que é, devo admitir, você é muito lindo. — Ele foi chegando perto de mim, ficando tão perto quanto o espaço entre nós permitia, eu fiquei ofegante e parei de respirar.

— Sabe o que eu acho? Que você gosta de mim o tanto quanto eu gosto de você.

— Do que você está falando?

— Olha pra você, está todo nervoso porque eu estou perto de você.

— É que tenho medo de cometer uma loucura.

— Ah Vítor cometa. —  Ele tocou meu rosto com a sua mão, sua pele estava muito quente. —  Eu deixaria você cometer todas as loucuras comigo. — Então em um movimento sem pensar eu o beijei, a adrenalina correu por todo o meu corpo, junto com uma corrente elétrica. Sentia tudo naquele momento, e ao mesmo tempo não sentia nada, era uma sensação estranha, que me deixava fora de mim. Ele passou seu braço pela minha cintura e me puxou para mais perto dele, Pablo era maior que eu, agora eu pude tirar a prova, fiquei quase que nas pontas dos pés. Eu mordi seus lábios acho que um pouco forte demais, foi quando ele se afastou, eu me senti vazio, completamente vazio.

— Uau. — Ele estava ofegante. — Faz tanto tempo que eu não ganhava um beijo assim. — Eu podia ouvir as batidas do seu coração em sincronia com o meu.

— Eu te amo. — Confessei, mais uma vez falei sem pensar, esperei a reação dele, eu lia cada sinal do seu rosto, e ele sorriu pra minha surpresa.

— Eu também te amo Vítor, eu sempre te amei desde que a gente era criança, eu estive longe de você esse tempo todo. Eu sonho a noite que você vai ser meu e nunca vai me deixar. E quando eu não vejo você eu tenho vontade de não existir. —  Aquelas palavras soaram tão clichê, mas eu não liguei, enquanto ele falava seu rosto ficava vermelho.

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