– Eram os últimos segundos do jogo. Peeta tinha acabado de roubar a bola do time adversário, e não tinha mais ninguém por perto. O placar estava com a diferença de dois pontos. Eu estava tão nervoso, que não tinha mais unhas para roer – confessou Thomas, me fazendo dar um pequeno sorriso. – Então, Peeta olhou ao redor mais uma vez, enquanto quicava a bola no chão, mantendo os outros jogadores longe, usando o próprio corpo. Foram os segundos mais longos da minha vida, e pareceu ir mais devagar, quando Peeta ergueu a cabeça, e encarou a cesta, que estava, praticamente, do outro lado da quadra. Ele girou, e saiu do meio dos jogadores com tanta facilidade, que foi inacreditável. No segundo seguinte, ele lançou a bola, que foi direto pra cesta. A bola bateu no aro, e caiu pra dentro. Uma cesta de três pontos, Katniss! – disse Thomas, com animação, e os olhos brilhando, dando um tapinha em meu braço. – Peeta ganhou o campeonato escolar, em sua primeira temporada com o time do colégio, com uma cesta de três pontos, do outro lado da quadra!
– Ele quase enfartou – informou Abby, chamando a minha atenção pra ela.
Soltei uma risadinha.
– Ele está quase enfartando agora – comentei, e meu sogro riu.
– Mas foi um belo jogo. Peeta foi extraordinário – disse ele, dando um sorriso orgulhoso.
– Realmente foi – concordou Abby. O forno elétrico fez "plim", anunciando que havia desligado. – Agora – ela saiu da cadeira onde estava – chega de conversa. Preciso de ajuda para arrumar a mesa de jantar – disse ela, cutucando as costas de Thomas. – Levanta, homem – ordenou.
– Estou levantando, mulher – ele se colocou de pé, deixando de lado sua garrafa de cerveja vazia. – Mas antes, me dê um beijinho – pediu, se aproximando da esposa.
– Não, senhor. Depois que você terminar o que eu pedi, podemos conversar – disse Abby.
Thomas resmungou algo, enquanto caminhava até o armário de louças.
Sorri, observando a cena.
– Ei, Katniss. Não me deixe na mão – reclamou Thomas. – Pode tratar de me ajudar. E chame os outros. Eles só sabem falar e falar. Trabalhar que é bom, nada.
Ri baixo, e levantei da minha cadeira, para pegar de sua mão, uma travessa de salada.
– Pode deixar, que os farei vir aqui – afirmei, já caminhando em direção a saída.
A conversa na sala de estar, fluía bem, mas eu ainda não ouvia a voz de Peeta, que não tinha aparecido, desde que subiu com o sobrinho.
A explicação a Pietro, estava demorando mais do que eu imaginava que poderia.
Entrei na sala de jantar, e coloquei a vasilha sobre a mesa. Depois, com passos silenciosos, caminhei até a sala de estar, e parei embaixo do arco de entrada.
– Eu vim anunciar que, quem não ajudar a arrumar a mesa, ficará sem comer – dito isso, dei as costas aos outros, que tinham ficado em silêncio, para me ouvir.
– Eu estou grande demais pra andar! – exclamou Madge, me fazendo rir, já na cozinha.
Logo a movimentação começou pela casa, enquanto nós carregávamos travessas, panelas, pratos, talheres, e outros itens que faziam parte da arrumação da mesa de jantar.
Eu acabava de repousar a quarta travessa sobre a superfície de madeira, coberta por uma toalha de renda branca, quando mãos se apossaram da minha cintura, e me puxaram com vontade pra trás, fazendo minhas costas se chocarem contra um tronco forte, e que eu conhecia muito bem.
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O Sol em meio à tempestade
FanfictionKatniss Everdeen. Uma garota fechada para o mundo e para as pessoas que a cercavam. Uma garota com uma vida difícil. Uma garota com um sonho. E acima de tudo, uma garota que, apesar de todas as barreiras, decidiu seguir o que seu coração mandava. Po...