Capítulo I: Guido

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Estava andando a quase 10 minutos, já tava cansado de olhar para o verde da grama, ou para as costas daqueles 2 homens a minha frente, usavam ternos pretos, camisa branca por baixo, óculos preto e um fio que sai de baixo do seu terno e vai até o ouvido direito deles, deve ser aqueles fones que eles usam pra se comunicar.

Estamos indo em direção ao barco
que vai me levar pro teste, eu me inscrevi no site mês passado, não achei que ia ganhar, mas fiquei feliz quando mandaram mensagem no email do meu pai, mas meu pai não ficou feliz, nem minha mãe, eles não cansaram de dizer - Um garoto de 14 anos não devia ir para aquele lugar! -Mas eu queria ir, eu gosto de viver na fazenda com eles, gosto muito de verdade, mas eu quero conhecer novos animais, quero muito ver o Palitrus, naquele livro da viagem á Terra Nova, falava sobre esse tipo de ave, parece que tem o tamanho de um cavalo quando atinge a idade adulta, os ovos são iguais a uma bola de futebol e é possível montar nessa ave, é por causa dela que eu quero ir pro novo continente, não só quero ver ela como também vou trazer um pra nossa fazenda. 

- Chegamos - Falou com pressa o homem da esquerda, - Sério? - Eu perguntei. Corri até eles e chegando entre os 2 que estavam parados, eu vejo, lá estava o barco que ia me levar para o teste, era incrivel, enorme, não parecia um barco, parecia um avião, mas tava na água, tem a aparência de um pato com as asas estendidas para cada lado, e é amarelo. Agora eu entendi por quê tiveram que deixar esse barco aqui, ele não ia caber em outro lugar.

- Quantas pessoas cabem nele? - Eu perguntei animado com a resposta
- Mil pessoas - Num tom grosso e rápido igual antes. Mesmo com àqueles dois robôs, eu tava empolgado pra viajar no pato gigante.

Descemos até a beira do rio, onde tava o barco, - Estamos muito embaixo do barco, como vamos subir? - Pensei. uma ponte desce e cai sobre a terra, subimos por ela até entrar no barco.

Os 2 homens de preto pararam de me seguir lá atrás, mandaram eu seguir por esse corredor branco. Por algum motivo eu comecei a pensar se aquilo já era o teste, o corredor era muito longo, meu coração começou a bater mais rápido, era um pouco de medo misturado com empolgação, quando os homens de preto chegaram na minha casa, eles conversaram com meus pais e mandaram nós 3 assinar um papel que dizia que eles não se responsabilizavam por quem participasse do teste, essa foi a única coisa que eu prestei atenção daquele encontro deles com meus pais, já dizia aquilo no site, mas eu pensei que não se responsabilizavam pelas pessoas que iam para a Terra Nova, mas até no teste? Deve ser perigoso - Eu não tô com medo - Repeti pra mim mesmo.

Vejo um garoto moreninho que usa a jaqueta jeans mas sem camisa por baixo, ele deve ter minha idade,
- Acho que cheguei! -  Pensei enquanto sorria sem perceber, eu corro como se tivesse correndo atrás de alguma galinha da fazenda, chego em uma sala gigantesca, da mesma cor daquele corredor, ela é branca, machuca meus olhos aquela claridade, no teto é cheio de quadrados que iluminam a sala toda, eu olho pro garoto e ele tava olhando pra mim, olhei para os lados e várias pessoas estavam olhando pra mim. - Deve ser o último participante que estavamos esperando - Disse um homem de cabelos negros, arrumados para os lados com gel firme, ele usava óculos e tava com ternos iguais aos dos homens de preto, mas ele não era um deles. - Eu vim fazer o teste, todos daqui também vão fazer? - Perguntei
- Todos - Uma voz forte respondeu, o homem alto falou, ele era o mais alto e mais forte daquela sala, tinha cabelos de samurai, amarrados pra trás,
- Quanta gente - Digo surpreso e começo a contar - Têm 1... 2... - Ele falou - Estamos em 20 - Parando minha contagem, ele estendeu a mão pra mim - Sou o Luís - Disse com um sorriso no rosto, eu vi naquela hora que o Luís era um cara legal, fiquei feliz. - Eu sou Guido Oliv... - Alguém me interrompeu falando - Não seja tolo - Uma voz rígida, aquelas eram as palavras do garoto pálido que tava no fundo, ele tava olhando pra mim e pro Luís.
- Não precisam se comprimentar falando seus nomes, isso é irrelevante aqui, todos estamos em uma entrevista de emprego praticamente, e só 1 de nós vai conseguir esse emprego - Não ouve som algum depois dessas palavras, mas eu pude sentir que todos ali compartilhavam do mesmo pensamento do garoto pálido
- Ei, como é seu nome? - Perguntou o Luís
- Não ouviu o quê eu falei? - O garoto pálido que vestia só preto não estava nervoso, mas sua voz soava como se estivesse irritado com a pergunta do Luís
- Eu ouvi, mas acho desnecessário da sua parte, se estamos dizendo nossos nomes, é problema nosso - O garoto pálido tava olhando pra ele e aponta o dedo pra mim, meu corpo foi um pouco pra trás e minha cabeça também, como se o dedo dele estivesse na minha testa
- Ele ia dizer o sobrenome, por isso impedi - Eu forcei as sombrancelhas sem entender porquê não podia dizer o sobrenome
- Qual o problema em dizer meu sobrenome? - Não quero irritar ele, mas quero entender, vi na cara do Luis que ele também não tinha entendido
- Vocês 2 ainda não entenderam né? Nossos sobrenomes não importam, em nenhum momento àqueles seguranças nos chamaram pelo nome completo, ou tô errado? Só nos chamaram pelo nome, nem no papel que tivemos que assinar tinha nosso nome completo - Eu ainda não entendi, nem o Luís pelo visto, ele tava coçando a cabeça fazendo uma cara de quem tinha feito algo errado
- Eu ainda não entendi, eles não nos chamaram pelo nome completo, então devemos ir na deles? - O garoto pálido olha pra todos da sala e volta a olhar pra mim e pro Luís
- É questão de segurança, alguns anos atrás quando o testo foi para os EUA, um dos participantes era um criminoso fugitivo, ele se inscreveu no teste e foi aceito pelos responsáveis, mas parece que ele perdeu e saiu, depois de sair ele foi atrás da família de um dos participamtes e matou todos da casa - Garoto para como se quisesse estudar nossas reações, mas não demora muito pra continuar - A questão é que ele deve ter conseguido informações pessoais do outro participante, mas o que chama atenção é que o teste do EUA não foi o primeiro a acontecer, se fosse o primeiro, ia fazer sentido eles terem errado em tomar menos segurança com tais informações, aquele foi o quinto teste, se isso não aconteceu nos 4 países antes, sendo que eramais perigosos, é que as informações estavam bem guardadas, então como o criminoso conseguiu as informações necessárias? Não tô dizendo que tem alguém aqui desse jeito, mas é melhor não arriscarmos de jeito nenhum, eles não vão se responsabilizar por nós - O Garoto ta parado olhando pra nós, agora eu entendo o porquê - É... Não tinha reparado nisso, e eu vi essa notícia no jornal - Garoto ta olhando pra ele com um olhar parecendo de arrependido, quase, - Meu nome é Ariel... Você tinha perguntado - Luis sorri pra ele,
- Obrigado Ariel! Você foi muito gentil por nos alertar - Parece que ele ficou sem graça com o quê eu falei, ele abaixa a cabeça escondendo os olhos atrás da franja loira, eu posso ver um sorriso leve e seus olhos se encontram com os meus - Obrigado Guido - Eu sorrio pra ele de volta.
- Meu nome é Rodrigo - Diz o homem de terno, enquanto mexe nos óculos, ele parece que quer se enturmar, eu sorrio pra ele também.

- Estão ouvindo? - Tum Tum - Estão ouvindo? -  Uma voz de vovô vêm do teto, mas não tem nada naquele teto capaz de reproduzir aquele som
- Bom... Eu sou um dos responsáveis pela viagem á Terra Nova e pelo teste, irei explicar as regras pra vocês -Quando eu percebo, todos estão focados no que a voz diz, alguns olhando pro teto como eu tava agora pouco, outros olhando pra frente mas é como se não estivessem vendo nada e apenas focando na voz, a voz volta a falar - Esse teste, assim como todos os anteriores, será dividido por algumas fases - Suspirou como se estivesse cansado de falar, e continuou - Não vou revelar quantas fases serão, por enquanto, mas cada fase será feita de forma diferente, uma pessoa passa por fase, as vezes 2 podem passar, essas são as suas informações jovens participantes, agora se preparem, a Fase 1 vai começar em questão de minutos, vão até onde tem os X vermelhos no chão, não briguem, tem X pra todos - Em um tom brincando - E esperem pisando neles - Deixamos de ouvir aquela voz, - Cadê os X? Não tô vendo nada! - Essa voz vêm de uma mulher alta, não muito alta igual o Luís, mas quase do mesmo tamanho tamanho que o Ariel, pouco maior, mas diferente do Ariel que era calmo, ela parecia muito irritada com nada, tinha cabelo castanho amarrado tudo pra trás, seu par de olhos eram negros, com lápis bem preto envolta dos olhos também, eu olho pro chão e vê luzes aparecendo nos cantos da sala, elas formam os X que o velho falou, todos vão andando até os X, eu vejo um e vou até ele.

Alguns minutos se passaram e nada aconteceu, to vendo que algumas pessoas estão impacientes, aquela mulher quê tava gritando agora, ela é uma, - Por quê será que ela ta fazendo o teste? E o Ariel e o Luís? Qual pode ser o objetivo deles? - Penso. Eu olho pro chão e vê alguma coisa em pé perto de onde eu tô, vejo que têm isso em cada X marcado na sala, algumas pessoas não pegam - Elas estão com medo? - Eu pego aquela coisa e vejo que é uma carta, com um número em cima XIII - 13? Ou 12? Nunca fui bom com números romanos, essa não! Será que já é o primeiro teste? - Estou assustado em pensar que posso ser iliminado logo no começo, a carta não tem só esse número, no centro dela tem um desenho, é um homem loiro segurando uma foice vermelha, embaixo do desenho ta escrito "Morte" Não entendo.

A voz do vovô volta - Quase esqueci de falar das Cartas de Tarô - Forço as sombrancelhas sem entender o quê é "Cartas de Tarô" - Por agora elas não vão ser úteis, mas guardem, sabemos quem está com qual carta, chamaremos vocês pelos números de suas cartas, não podem trocar com outros participantes - Depois dessas palavras a voz volta a sumir, algumas pessoas estão olhando suas cartas tentando esconder dos outros.

O Teste Para a Terra Nova [Concluído] Onde histórias criam vida. Descubra agora