Capítulo 63

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Katniss

Minha respiração estava tão densa, que eu sentia dificuldade em fazer o oxigênio circular por meus pulmões. Meu coração batia alto, e parecia que a qualquer momento estouraria meus tímpanos. Meus passos, apesar de firmes, eram lentos, apenas para evitar que eu tropeçasse, e fizesse papel de idiota na frente da mulher, que me dissecava com os olhos, a poucos metros de mim.

Johanna me observava com extrema atenção, enquanto eu me aproximava, e eu conseguia distinguir uma ponta de tédio, pela forma que ela me olhava.

Toda a confiança que eu havia sentido, quando a enxerguei no gramado dos Mellarks, havia ruído... Ou ido embora com Peeta, para dentro da casa.

A verdade, é que eu não fazia nem ideia, de por onde deveria começar aquela conversa, e talvez, esse também fosse um dos motivos da minha caminhada demorada.

Eu poderia muito bem desistir, correr pra dentro, e deixar que Peeta resolvesse esse assunto, mas uma pequena parte de mim, continuava a me empurrar para aquela direção, como se fosse uma obrigação minha. E eu não costumava deixar de lado, as minhas obrigações.

Quando parei em frente a Johanna Mason, eu sentia meu interior apertado, como se o nervosismo comprimisse meus órgãos.

Respirei fundo, e soltei o ar pela boca lentamente, torcendo para que aquele ato me acalmasse de alguma forma.

Porém, aquilo serviu apenas para me deixar mais inquieta.

Johanna me analisou mais uma vez, depois da minha longa inspirada, com um sorriso debochado no rosto, como se pudesse ler cada pensamento inseguro, que se passava por minha cabeça.

– Por que está tão nervosa? – questionou ela. – Sua primeira conversa com um adulto? – cutucou, ainda sorrindo.

Eu sentia uma pequena pressão na cabeça, e meu rosto fervia, com certeza, corado. A pulsação estava forte em todos os pontos principais do meu corpo, e era como se meu coração estivesse na garganta, pronto para pular para fora.

Definitivamente, eu estava pronta para entrar em pânico.

Engoli a saliva, com certa dificuldade, sacudi levemente a cabeça, tentando espantar meus pensamentos vacilantes, e acabei sorrindo de volta, da melhor maneira possível.

– Antes que comecemos essa conversa, quero dizer que você não me ofende, ao se referir a mim, como uma adolescente – falei, sentindo o coração mais acelerado. – Você ofende a si mesma, por dizer, mesmo sem perceber, que apesar da pouca diferença de idade, pareço bem mais jovem. Isso significa que estou bem melhor do que você – retruquei.

– Tem certeza que quer revidar? – perguntou Johanna. – Porque, não sei se você percebeu, sou ótima em trocar farpas.

– Sim. Eu notei. Seu veneno ficou evidente – dei um meio sorriso. – E, não sei se você percebeu, mas eu apenas fiz um comentário, sobre sua tentativa de insulto. Eu estou aqui para ter uma conversa séria. Não para perder tempo.

A testa de Johanna estava mais franzida, quando terminei de falar, mas logo ela ergueu a sobrancelha direita, e sorriu.

– Interessante. Você me parece menos sonsa agora – comentou ela. – E então. O que quer conversar comigo?

– Certo – respirei devagar, e elevei levemente o rosto, fazendo meu nariz empinar, quase imperceptivelmente. – O que você quer para acabar com essa palhaçada?

– Você veio aqui para negociar comigo? – Johanna riu.

– Sim – soltei, com seriedade. – Me diga o que você quer para deixar Peeta, em paz.

O Sol em meio à tempestadeOnde histórias criam vida. Descubra agora