04 ― CONVERSA ENTRE AMIGOS

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―Pronta?

―Sim ― ela respondeu, colocando o batom dentro da bolsa. ― Pedrinho, já vamos!

―Tô pronto, mãe! ― o menino gritou da sala.

―Tem certeza que quer ir?

―Não me diga que está cansado.

Os ombros dela caindo e sua expressão desolada me animaram.

―Tudo por você.

Abracei-a.

―Faz tempo que não saímos os seis juntos.

―Eu sei.

―Será divertido.

―Eu sei.

―Prometo que se ficar chato, voltamos.

―Gostei disso.

Ela beijou a ponta do meu nariz.

―Não diga que fiquei parecendo aquela rena de nariz vermelho!

Valerie riu, passando um pedaço de lenço na ponta do nariz, tirando o batom.

―Pronto, senhor. Bem melhor.

Entrelacei nossos dedos e seguimos para sala, Pedrinho jogava com seu videogame portátil, com a mochila pendurada. Nós três fomos para a casa de Mon, onde Pedrinho dormiria e para ela e Jonas se juntarem a nós.

―Boa noite casal!

―Boa, Mon. Oi, Jonas.

―Adoro o fato de não ser o motorista hoje ― Jonas disse entrando pelo outro lado do carro e dando um tapinha em meu ombro. ― Acho terrível dirigir diariamente, me cansa.

―Obrigado pela parte que me toca amigo, mas eu gosto de dirigir ― falei manobrando o carro. ― E de noite o trânsito do Recife melhora consideravelmente.

Seguimos para o restaurante combinado, Alice e Marcus já nos esperavam, depois dos cumprimentos habituais, fizemos o pedido.

―E então, Jonas. Quantos canalhas que traem suas esposas e pedem o divórcio, você está ajudando esse mês?

―Alice! ― Marcus repreendeu a noiva.

A mesa silenciou e Jonas franziu a testa em direção à loira, que exibia um olhar desafiador. Era só o que faltava, uma noite de troca de farpas. Apertei a mão de Valerie embaixo da mesa, ela me olhou de canto.

―Defendo clientes, não suas ações.

―Isso é bastante cômodo.

―Qual o seu problema com o meu marido, Alice? ― Mon interferiu.

―Com ele nada, mas com o fato dele defender canalhas? Tudo. ― Alice tomou um gole de seu suco. ― Aliás, que eu lembre você também não concordava com isso há algum tempo.

Mon remexeu na cadeira e seu olhar para Alice foi de decepção. O que a loira tinha naquela noite?

―Alice, eu acho que esse encontro é para nos descontrair ― adverti.

―Estou apenas perguntando, engraçado como todos gostam de fugir de assuntos como esses.

―Eu não estou fugindo, Alice. ― A voz de Jonas era ríspida, apesar de ele falar devagar. ― Apenas acho isso sem propósito. Não são apenas os homens que traem sabia? E também defendo mulheres que foram traídas.

―Claro que não são, mas são eles que fazem questão de proteger seus bens materiais, arrancando tudo de suas esposas ― ela cuspiu as palavras. ― Canalhas que pagam o seu salário.

Confissões de um Traste (DEGUSTAÇÃO)Onde histórias criam vida. Descubra agora