Capítulo VII: Rodrigo

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Daqui a pouco o sol vai nascer. Posso ver o céu aqui da asa do barco. Seis pessoas estão aqui contando comigo. Diego, Guido, Câncer, Peixe, Áries e eu. Depois de tudo que eu fiz na fase passada, com o Igor... Eles não me passaram. - Penso, enquanto olho para minhas mãos enfaixas. Olho para o Guido que parece focado. Já nos disseram que estamos indo rumo á próxima fase, que será na Ilha dos Animais.

- Os três olhem para mim. - Diz o Câncer, enquanto se levanta e vai pra frente de todos. - Irei explicar as regras da Fase 6. Essa que é a penúltima fase do Teste. - Ele diz.
Aquelas palavras pegam todos de surpresa. - Dessa fase, apenas 1 de vocês vai passar, os outros 2 irão para casa. O que vão precisar fazer é, quando chegarem na Ilha dos Animais, terão que nos entregar um Esquilo Verde, morto. Vocês estão liberados para fazer o que quiser com quem estiver dando problemas pra vocês. - Ele termina. Então estamos livres para matar. - Penso, arrumando meu óculos para poder ver a Ilha dos Animais aparecendo lá longe. - Peixe. Você pode me emprestar sua faca?. - Guido pergunta. Peixe acena pra ele e o garoto se levanta, pega, agradece e volta para seu lugar. Não acho que ele vá usar para machucar alguém, mas deve se defender com a faca. - Penso, olhando para ele.

Estou no ringue vermelho novamente, com o garoto negro, pequeno com roupas velhas, me encarando. A luta começa e ele vêm me atacar, mas é claro que nada do que ele tenta fazer me machuca, por isso bato nele algumas vezes, tentando mostrar para o Touro que essa luta já tem um vencedor claro. Mas é ele quem diz que a luta só vai acabar quando um dos dois desmaiar. Meus golpes no garoto ficam mais fortes, é melhor para o próprio Igor que acabe mais rápido. Mas sinto um desespero quando vejo o sangue do garoto em minhas roupas, e ele ainda se mantém em pé, Por que ele aguenta tanto?. - Eu penso, antes de dar uma rasteira com toda a minha força, ouço um estalo na sua perna, acho que ela quebrou com meu chute. Mas ele ainda ta acordado no chão, sem forças pra se levantar. - Ele ainda ta acordado, termine, Rodrigo, pelo seu irmão que precisa do dinheiro. - Diz o Touro, me incentivando a fazer o que eu não quero. Acho que era por que eu sabia que as fases estavam acabando, ou era desespero pelo meu irmão. Mas eu subi em cima do Igor e soquei sua cara sem me conter, sem me preocupar com ele. Eu socava, socava e socava, a dor na minha mão me deixava com raiva e pavor, mas eu não parava. Senti o aperto do Touro impedindo meu próximo soco. - Você não precisa mata-lo. Você conseguiu, ganhou a luta. Me levanto sem olhar para o Igor.
- Se prepare, daqui 1 minuto a fase vai começar. - Diz, o Áries, interrompendo meus pensamentos e me trazendo de volta á Ilha dos Animais. - Uma pergunta. Se eu conseguir pegar um esquilo, eu levo ele pra qualquer um de vocês, seguranças, né?. - Pergunto. - Cada participante leva o esquilo para o segurança que está com ele na chegada á ilha, no caso de você, trás para mim. - Explica, tirando minha dúvida. Áries levanta uma arma para o alto enquanto olha no relógio. Alguns segundos depois ele atira, é capaz ouvir os outros 2 tiros longe de nós. Mas não me importo, preciso encontrar um esquilo verde. Corro para dentro da floresta.

Temos 2 horas até que os três atirem novamente. Assim, encerrando a fase, se nenhum de nós levar um esquilo, os três irão para casa... Se nós estivermos vivos. - Penso. Andando pela floresta.
Ouço a mata do meu lado se mexendo. Corro e atravesso o arbusto e olho para baixo e vejo apenas um pobre coelho branco preso em uma teia amarelada e grossa, com pequenas conchas vermelhas envolta da teia. Deve ser obra da Aranha de Duas cabeças. Tiro um isqueiro do bolso e queimo as conchas vermelhas, elas que sustentam essa teia. Após queimar todas, a teia enfraquece e o coelho foge. Eu podia ter pego essas conchas com a mão, mas a teia não ia enfraquecer. - Penso.

Estou andando pela floresta, seguindo um som de água caindo com força sob a terra. Olho ao fundo e vejo o Diego urinando em uma árvore, de costas para mim. Me aproximando sem fazer nenhum barulho. Chego nas suas costas e bato sua cabeça contra a árvore e ele cai inconsciente no chão. Se fosse o Trevor nessa fase, ele iria matar qualquer um. Mas como é o Guido e o Diego, eles não vão matar ninguém. Nem eu. Não precisamos nos preocupar com a nossa vida aqui, mas não podemos relaxar como ele relaxou. - Penso, olhando para o Diego na terra. Olho para o lado e lá vejo ele, um esquilo verde, ele é pequeno e está em pé, farejando alguma coisa. Corro para tentar pegá-lo mas ele foge de mim. Sigo ele tentando não perder de vista enquanto corre se camuflando pelo verde daquela floresta. Vejo uma área sem árvores, e é para lá que o esquilo vai, onde tem uma fruta no perto das árvores da minha direção. Paro de correr imediatamente e fico apenas olhando o esquilo comendo a fruta, que parece que tem casca grossa envolta, como côco, mas ela foi aberta, como se alguém tivesse deixado ali para o esquilo. Guido. - Penso, segundos antes do garoto surgir saindo da mata um pouco distante de mim, e agarrando o esquilo de surpresa. Guido levanta o esquilo no alto e diz - Peguei!. Sorrindo. Agora entendo. Aquela faca não era para se defender ou muito menos machucar alguém, e sim para abrir a casca grossa da fruta que pode atraí o esquilo. Guido se vira e vai andando para longe. Corro com toda minha velocidade e dou um chute nas costas dele, jogando ele contra o chão e soltando o esquilo. O animal tenta fugir mas consegui pegá-lo.
Guido olha pra mim com uma expressão de surpresa. - Desculpe Guido, eu gosto de você, mas eu vi esse ele primeiro. - Digo, enquanto quebro o pescoço do pobre animal. O garoto se levanta rápido e corre na minha direção querendo me acertar um soco. Só que chuto sua barriga, para manter distância. Guido cai no chão rolando como se segurasse seu estômago. Corro para dentro da floresta.
Vejo em meu relógio que se passaram 50 minutos desde que a fase começou. Consigo ouvir os passos do Guido me seguindo. Olho para trás e não vejo o Guido, mas sei que ele correu para a mata, agora resta saber se foi a da minha direita ou esquerda. Olho para frente e continuo correndo. - Se eu continuar nessa velocidade, chego até o Áries em uns 15 minutos. - Penso.
Ouço o Guido gritar - Rodrigo!. - Vindo da mata da minha esquerda. Pulo para a direita, me afastando da mata em que o Guido está, esperando que ele me ataque de lá. Mas única coisa que vejo sair daquela mata, é um macaco com uma língua tão grande que não cabe na boca. Aquele macaco, é um macaco falante, ele repete tudo que ouve. Sinto uma pancada forte na nuca e caiu no chão de cara, meu óculos se quebra na queda. Fico tonto por alguns segundos até ver o Guido segurando o esquilo que tava na minha mão. Vou me levantar mas sou impedindo pelas teias amarelas, ele joga umas conchas vermelhas em mim, que assim que tocam na terra, grudam. Tento me soltar mas não consigo. Guido chega perto de mim e me encara, como se quisesse dizer alguma coisa, mas ele não diz. Ele vira as costas pra mim e corre, sumindo da minha visão.

Estou correndo pelos arbustos, fazendo o mínimo de barulho possível. Olho para o lado e vejo o Guido correndo na estradinha. Tenho que tomar cuidado com ele, se não me engano, ele veio de uma fazenda, vive com animais, por isso conhece tanta coisa sobre a teia amarela, o esquilo verde e o macaco falante. Tenho que atacar e... Mata-lo. O tempo ta passando, estamos chegando perto do norte, que é onde tem um dos seguranças, pode ser o do Diego, mas também pode ser o dele. Se eu continuar perdendo tempo, não vou conseguir dinheiro para o meu irmão. Percebo que cometi um erro e paraliso. Meu erro foi ter pensado na opção de matar o Guido, apenas um garoto, como meu irmão. Eu espanquei o Igor da mesma forma que aqueles vândalos espacaram meu irmão. - Penso, caindo de joelhos no chão. Não tenho mais forças para continuar. Coloco as duas mãos na terra e olho para ela. Eu quase matei um garoto por dinheiro... E cheguei a pensar em matar outro. Eu não sou diferente daqueles caras, ou da Irani, ou do Trevor. Só preciso de um bom motivo para cometer um crime. Uma lágrima quente desce pela minha bochecha e cai na terra em que olho. Eu não aguento mais, eu desisto. Me desculpe Marcelo. Penso, sem conseguir conter as lágrimas.

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